O aguardado DJI Avata 360 finalmente tem data e preço, mas a notícia vem com um balde de água fria para quem sonhava em voar longe com 4G integrado. A própria DJI confirmou que o drone sairá de fábrica em dois SKUs: um modelo global, limitado ao sistema de transmissão OcuSync 4, e uma variante com 4G LTE híbrido que, ao menos por enquanto, funcionará somente em território chinês. Para pilotos brasileiros — e praticamente todo o resto do mundo — a pergunta que fica é: o que exatamente se perde sem o 4G e ainda vale a pena importar?
O que muda entre Avata 360 padrão e Avata 360 4G
Na sigla interna da DJI, o Avata 360 padrão atende por DVN3NT. Ele traz:
- Transmissão OcuSync 4 com alcance teórico de 20 km (em condições ideais);
- Sensores duplos CMOS 1/1,1” e gravação 8K 360° a 30 fps;
- Módulo de câmera inclinável para alternar entre captura esférica e voo FPV tradicional;
- Detecção de obstáculos via LiDAR e lentes substituíveis — recurso raro nessa faixa de preço.
Já o SKU DVN3XT embute, além de tudo isso, um modem 4G que entra em ação quando o sinal de rádio se deteriora por distância ou interferência. Na prática, esse link redundante mantém o retorno de vídeo e o controle do drone mesmo em cenários urbanos congestionados ou voos BVLOS (além da linha de visada) — algo precioso para filmagens profissionais, inspeções industriais e missões de busca.
Por que o 4G está bloqueado fora da China?
Oficialmente, a DJI culpa “questões de conformidade regulatória”. Extraoficialmente, pesa o histórico recente com agências de telecomunicações. Nos Estados Unidos, por exemplo, a FCC adicionou a marca à Covered List no fim de 2025, tornando inviável a certificação de novos rádios — e um módulo 4G exige homologação própria. Na Europa, modelos anteriores com dongle celular (caso do Mavic 4 Pro) até chegaram às lojas, mas o recurso foi desativado via firmware.
No Brasil, qualquer drone com transmissão celular precisa, além da homologação da Anatel, obedecer ao regulamento de voo da Anac. Sem a bênção da matriz em Shenzhen, a variante 4G não passará nem perto das prateleiras nacionais.
Como o Avata 360 se posiciona contra rivais
Com preço vazado de US$ 459 (corpo) ou US$ 999 no combo completo, o novo Avata 360 ataca diretamente o Insta360 Antigravity A1 (US$ 1.599). O concorrente grava 5.7K 360°, não dispõe de sistema FPV nativo e carece do ecossistema fechado de óculos, controladores de movimento e peças de reposição que a DJI cultiva há anos — argumentos que costumam pesar na hora da compra.
Comparado ao primeiro Avata (lançado em 2022), o salto também é grande: sensores maiores, vídeo até 8K, alcance 33 % superior no OcuSync 4 e a versatilidade de um gimbal que gira 360° sem travas, recurso que dispensa extensões ou câmeras extras em cima do drone.
Imagem: Internet
Vale importar o Avata 360 sem 4G?
Se o seu foco é cinemática FPV com qualidade 8K esférica ou conteúdo imersivo para redes sociais, o Avata 360 padrão segue como a opção de melhor custo-benefício em 2024. A ausência de 4G só fará falta a quem precisa de redundância para voos muito além do alcance visual — algo que, no Brasil, esbarra de qualquer forma nas restrições BVLOS da Anac.
Para criadores de conteúdo, produtores de vídeo e entusiastas que já investem em acessórios DJI compatíveis (baterias, Goggles 3, Motion 2, etc.), a atualização representa um upgrade natural e competitivo. Fica a frustração de ver mais uma vez um hardware completo sair da fábrica com freio de software para o mercado internacional — prática que, ao que tudo indica, a DJI deve manter até que o imbróglio regulatório se resolva.
O lançamento global está marcado para 9 de abril. Até lá, não surgiram indícios de que a empresa abrirá o 4G via firmware em outros continentes. Se isso acontecer no futuro, será um bônus bem-vindo — mas não conte com isso antes de clicar em “adicionar ao carrinho”.
Com informações de Mundo Conectado