A LG começou a distribuir uma atualização do webOS que insere o aplicativo Microsoft Copilot de maneira permanente em diversas Smart TVs já lançadas — e, para surpresa (e irritação) de vários usuários, o ícone não pode ser removido. O máximo que o consumidor consegue fazer é esconder o atalho, o que reacende a discussão sobre autonomia do usuário e até onde o fabricante pode ir depois que o produto já está na sua casa.
O que mudou depois do update
Relatos em fóruns como Reddit, além de testes de veículos internacionais, confirmam que modelos de 2022 e 2023 — como a linha LG OLED evo e a série 4K UA8000 — já exibem o Copilot fixo no carrossel de apps, ao lado de Netflix, Prime Video e companhia. A liberação é gradativa: alguns televisores ainda aguardam o pacote, possivelmente por configurações regionais ou de privacidade.
Ao contrário de aplicativos de streaming tradicionais, o Copilot é classificado como “app de sistema” pela LG. O manual oficial da marca afirma que softwares nesse grupo não oferecem opção de desinstalação. Na prática, a única alternativa é escondê-lo do menu principal — algo que não economiza espaço de armazenamento nem impede potencial processamento em segundo plano.
Por que a LG apostou no Copilot?
Durante a CES 2025, a LG prometeu transformar suas TVs em “hubs de IA” e chegou a rebatizar o controle remoto como AI Remote. O Copilot é a peça central dessa estratégia: a marca acredita que o chatbot pode atuar como concierge de conteúdo, sugerindo filmes, definindo alarmes ou ajudando novos usuários a navegar pelos recursos de imagem AI Picture Pro e som AI Sound Pro.
Para o público gamer — perfil que costuma escolher painéis OLED pela latência reduzida e suporte a 120 Hz — a promessa é responder a dúvidas sobre configurações de HDR, VRR e até guiar ajustes no modo Game Optimizer. Porém, sem integração profunda com lojas de jogos na nuvem, o benefício real ainda soa abstrato.
Reação imediata: conveniência ou imposição?
Dois pontos incomodaram a comunidade:
- Falta de escolha: o Copilot desembarcou de surpresa, sem tela de consentimento ou opção de recusa.
- Desconfiança com IA: muitos consumidores ainda associam assistentes a coleta invasiva de dados, apesar de não haver evidência de que a LG alterou sua política de privacidade específica para TVs.
“Comprei a TV pelas cores do OLED, não para virar beta-tester da Microsoft”, resumiu um usuário no Reddit. A crítica expõe um dilema da indústria: atualizações são essenciais para segurança e novos recursos, mas também podem alterar o produto além da vontade do comprador.
Como a concorrência lida com assistentes nativos
A LG não está sozinha. A TCL já embarca o Google Gemini em alguns modelos, a Samsung confirmou testes com Copilot em sua linha 2025 e rumores apontam que o Perplexity deve chegar às Smart TVs da marca ainda este ano. A diferença está no grau de exposição: no Fire TV Stick da Amazon, por exemplo, a assistente Alexa pode ser completamente desativada nas configurações.
Para quem prioriza controle total da interface, soluções como Google TV em boxes externos ou até monitores 4K dedicados a consoles podem ser alternativas interessantes — especialmente se a ideia é evitar software pré-instalado que não possa ser removido.
O que esse movimento significa para o consumidor?
1. Interface em constante mutação: comprar uma TV hoje não garante que a experiência será a mesma daqui a seis meses. Recursos, apps e até nomenclaturas podem mudar via OTA (over-the-air).
Imagem: Internet
2. IA como diferencial de marketing: fabricantes estão usando chatbots para justificar atualizações de preço e tentar se diferenciar em um mercado onde praticamente todas as telas já são 4K ou 120 Hz.
3. Privacidade no centro: cada novo assistente adiciona mais termostatos de dados. Vale revisar as opções de “Permitir coleta de visualização” que ficam escondidas nos menus de suporte.
Dá para “sumir” com o Copilot?
Se a sua LG já recebeu o update, o procedimento oficial é:
- Aperte o botão de engrenagem no controle remoto.
- Vá até Editar aplicativos.
- Selecione o Copilot e escolha Ocultar.
Isso remove o ícone da vitrine principal, mas não apaga o aplicativo. Quem deseja bloquear totalmente o tráfego pode recorrer a roteadores que permitem firewall por domínio, embora essa seja uma solução avançada.
Vale a pena se preocupar?
A longo prazo, a discussão ultrapassa o Copilot. É sobre quem controla o hardware depois da compra e quais limites o software “pós-venda” deve respeitar. Caso você esteja pesquisando uma nova TV — seja um modelo OLED topo de linha ou uma QLED mais acessível — inclua na sua análise não só brilho, contraste e taxas de atualização, mas também a política de atualizações do fabricante.
No fim das contas, a LG aposta que a conveniência da IA vai falar mais alto do que a resistência inicial. Enquanto isso, a decisão de manter ou esconder o Copilot fica nas mãos do usuário — pelo menos por enquanto.
Com informações de Mundo Conectado