A guerra de gigantes do streaming ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (26). A Netflix, tida como favorita para incorporar parte dos estúdios e do catálogo da Warner Bros. Discovery (WBD), deixou a mesa de negociação depois que a Paramount Skydance colocou na mesa uma proposta de US$ 31 por ação pela totalidade da empresa — valor que o conselho da WBD considerou imbatível. O recuo encerra uma das disputas mais acirradas do entretenimento digital e abre caminho para a Paramount agregar HBO, CNN, TBS e TNT ao seu portfólio global.
Por que a oferta da Paramount venceu?
A diferença não está apenas nos US$ 3,25 extras por ação em relação ao lance da Netflix (US$ 27,75). A proposta da Paramount Skydance cobre 100% dos ativos da WBD, enquanto a oferta da Netflix se limitava a streaming e estúdios. Confira os principais atrativos que seduziram o conselho da Warner:
- Pagamento integral em dinheiro: US$ 31 por ação para toda a empresa;
- Taxa de rescisão regulatória turbinada: US$ 7 bilhões (antes US$ 5,8 bilhões);
- Cobertura de multa: compromisso de quitar os US$ 2,8 bilhões devidos à Netflix pela quebra do acordo preliminar;
- Inclusão de canais lineares: CNN, TBS, TNT e outras propriedades de TV a cabo entram no pacote.
Em comunicado conjunto, os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, foram diretos: “A transação sempre foi um ‘nice to have’ ao preço certo, nunca um ‘must have’ a qualquer custo”. Traduzindo: a líder mundial em streaming preferiu preservar caixa e evitar um endividamento bilionário que poderia comprometer sua estratégia de crescimento orgânico.
O cheque: de onde vem tanto dinheiro?
Para bancar a investida, o CEO da Paramount, David Ellison, costurou um mix agressivo de capital próprio e dívida. O “supercombo” inclui:
- Ellison Trust: US$ 45,7 bilhões em equity (sim, o bilionário fundador da Oracle abre a carteira);
- Financiamento bancário: US$ 57,5 bilhões garantidos por Bank of America, Citi e Apollo;
- Taxa de rescisão regulatória: US$ 7 bilhões, para o caso de os reguladores vetarem a fusão;
- Multa à Netflix: US$ 2,8 bilhões, já provisionados.
Somados, os valores ultrapassam os US$ 110 bilhões — um montante comparável à compra da 21st Century Fox pela Disney em 2019, reforçando o apetite da Paramount por escala global.
O que muda para você (especialmente no Brasil)?
Se o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Federal Trade Commission (FTC) derem sinal verde, veremos um novo super-streaming unindo Paramount+ e o catálogo HBO/Warner. Na prática, o assinante pode esperar:
Imagem: Internet
- Catálogo turbinado: Game of Thrones, The Last of Us, Star Trek, South Park, Top Gun e Universo DC no mesmo app;
- Rearranjo de preços: maior poder de negociação da nova companhia pode pressionar valores de mercado — para cima ou em combos agressivos;
- Pacotes com operadoras: Claro, Vivo, Sky e afins já avaliam novas ofertas convergentes para reter clientes;
- Concorrência direta: Disney+, Prime Video e HBO Max (futuro Max) precisarão rever estratégia de conteúdo exclusivo e janela de lançamentos.
Bolsa reage: alívio na Netflix, cautela na Warner
No pós-mercado de quinta, as ações da Netflix (NASDAQ: NFLX) dispararam cerca de 10%, sinalizando que investidores preferem disciplina financeira a uma aquisição arriscada. Já os papéis da WBD recuaram 2%, refletindo incertezas regulatórias e integração pós-fusão.
Próximos passos
O processo agora entra em fase de aprovação antitruste nos EUA e, posteriormente, em cada país onde as empresas atuam. A expectativa do mercado é que o veredito saia até o fim do primeiro semestre de 2025. Caso confirmada, a união Paramount-Warner pode redesenhar o tabuleiro do streaming mundial — e o consumidor brasileiro deve ficar de olho para saber se o próximo aumento de assinatura ou pacote promocional já virá com esse DNA bilionário.
No fim das contas, a Paramount apostou alto e levou. A Netflix, por sua vez, mostra que sabe quando recuar para vencer no longo prazo. Resta ao público preparar a pipoca (e talvez o bolso) para a próxima temporada dessa novela corporativa.
Com informações de Mundo Conectado