No rastro da corrida das Big Techs por servidores de inteligência artificial – que vem drenando os estoques globais de memória RAM e NAND –, a Lenovo disparou um alerta vermelho ao mercado: todos os seus computadores vendidos na América do Norte sofrerão reajuste de preços a partir de 1º de março. A informação, obtida pelo portal CRN em uma carta enviada a canais de distribuição, ecoa rapidamente para o restante do mundo, inclusive o Brasil.
Por que a conta vai chegar para o consumidor comum
Embora o comunicado tenha como alvo direto revendedores corporativos (B2B), a lógica de mercado é implacável: custos mais altos para lojistas resultam em etiquetas mais salgadas nas prateleiras. Se você estava de olho em um notebook gamer com RTX 4060 ou em um ultrabook com processador Intel Core 14ª geração, prepare o bolso – o impacto tende a aparecer já no próximo trimestre.
O que a Lenovo disse (e o que ficou nas entrelinhas)
Na carta assinada por Ryan McCurdy, presidente da Lenovo para a América do Norte, o tom é direto: “Nós absolutamente tivemos que ajustar os preços e continuaremos a ajustar. Não tem outro jeito”. A empresa promete manter os valores atuais apenas para pedidos fechados até 29 de fevereiro. No entanto, uma cláusula polêmica estabelece que o preço final será calculado tanto pela data do pedido quanto pela data de entrega. Ou seja, se o lote atrasar e escorregar para depois de 31 de março, o parceiro pode receber a fatura já com o reajuste embutido.
Escassez de RAM e NAND: o pano de fundo
O gargalo de componentes começou em 2023, quando gigantes como Microsoft, Google e Amazon ampliaram aquisições de servidores dedicados a IA generativa. Cada rack desses consome centenas de módulos DDR5 e SSDs NVMe de alta performance, pressionando fabricantes como SK Hynix, Samsung e Micron. Segundo a TrendForce, o preço médio de memória DRAM saltou 13% no último trimestre, e a tendência aponta para novos aumentos em 2024.
Comparativo rápido: Lenovo vs. concorrentes
• Dell e HP já sinalizaram reajustes menores, em torno de 5% a 8%, mas não incluíram cláusulas retroativas ao prazo de entrega.
• Apple, que fabrica muitos componentes in house, absorveu parte dos custos e, por enquanto, mantém tabelas estáveis para MacBook Pro no exterior.
• Gigantes de componentes, como ASUS e Acer, ainda não se pronunciaram oficialmente, mas revendedores consultados pelo blog falam em aumento de até 10% nas próximas semanas.
Como isso afeta quem busca upgrade em 2024
1. Notebooks gamers: modelos com GPUs RTX 40-series dependem de memórias GDDR6 e DDR5, ambas com preços em escalada. Se o seu objetivo é rodar Starfield ou Cyberpunk 2077 em 144 Hz, antecipar a compra pode evitar um gasto extra de 10% a 15%.
2. Desktops para creators: workstations de edição de vídeo 4K requerem grandes quantidades de RAM. Um kit de 32 GB DDR5 que hoje custa R$ 899 pode romper a barreira dos R$ 1.100 ainda no primeiro semestre.
3. Empresas: parques corporativos que planejavam renovar máquinas em lote devem revisar orçamentos ou negociar entregas garantidas antes de março.
Imagem: William R
Dicas para não pagar a mais
• Monitore estoques: varejistas costumam segurar preços enquanto o inventário antigo dura. Use alertas de preço e cashback.
• Considere marcas alternativas: modelos da Acer, ASUS ou mesmo Samsung podem ter prazos de reajuste diferentes, dependendo do contrato de fornecimento.
• Pense no upgrade modular: às vezes vale comprar um notebook com menos RAM agora e adicionar memória avulsa mais tarde, caso encontre bons kits DDR5 em promoções relâmpago.
No fim das contas, a mensagem é clara: se você encontrar hoje um bom negócio em notebook, desktop ou kit de memória, pense duas vezes antes de esperar. A janela de oportunidade para equipamentos Lenovo – e possivelmente de outras marcas – pode se fechar rapidamente após 1º de março.
Com informações de Hardware.com.br