Imagine encontrar um SSD aparentemente condenado ― com um buraco bem no meio ― e descobrir que todos os arquivos continuam lá, acessíveis como se nada tivesse acontecido. Foi exatamente isso que um usuário do Reddit revelou esta semana, virando um case de estudo sobre a (in)eficácia dos protocolos físicos de descarte de hardware em muitas empresas.
O que, de fato, aconteceu?
Segundo o relato, um profissional de TI ficou responsável por inutilizar vários SSDs SATA antes de descartá-los. Ele seguiu o “procedimento padrão” que funcionava nos velhos HDs mecânicos: pegou a furadeira, fez um furo central no drive… e achou que estava tudo resolvido. Só que, diferentemente dos discos de prato (HDDs), os componentes vitais do SSD ‑ principalmente os chips NAND onde os dados ficam gravados ‑ não ficam alinhados no centro do dispositivo. Resultado: a perfuração atravessou apenas a carcaça metálica. A placa de circuito (PCB) permaneceu intacta, e o drive ligou normalmente em um PC de testes.
Por que um furo não basta em SSD?
• Placas menores: nos SSDs modernos, a PCB costuma ocupar apenas um terço da carcaça. Um furo “no olho” não garante contato com a parte eletrônica.
• Ausência de partes móveis: em HDDs, danificar o eixo ou os pratos magnéticos já inviabiliza a leitura. No SSD, é preciso destruir cada chip NAND.
• Densidade de dados: mesmo que um chip seja atingido, os demais podem carregar gigabytes de informações ainda recuperáveis.
Impacto prático: sua empresa (ou você) pode estar fazendo errado
Se uma organização descarta unidades pensando que um simples furo resolve, dados sensíveis de clientes, relatórios financeiros e projetos proprietários podem parar em mãos erradas ― e a LGPD não perdoa. Vazamentos desse tipo trazem multas milionárias e danos irreparáveis à reputação.
Métodos realmente seguros de destruição de SSD
1. Perfuração múltipla e direcionada: atingir deliberadamente cada chip NAND e o controlador.
2. Ferramentas especializadas: o DiskMantler vibra a placa até quebrar todos os circuitos em 90 s; o Puncher P30 faz quatro perfurações estratégicas de uma vez.
3. Trituradores industriais: serviços terceirizados reduzem o drive a fragmentos de poucos milímetros, impossível de reconstruir.
4. Desmagnetização não funciona: SSD não guarda dados magneticamente, então degaussers só desperdiçam energia.
Qual é a lição para o consumidor doméstico?
Mesmo quem atualiza o PC gamer para um Samsung 870 EVO ou Crucial MX500 e pretende revender o antigo precisa se preocupar. Antes de anunciar no marketplace, faça um secure erase via software do fabricante e, caso o drive vá para reciclagem, use métodos físicos adequados (vários golpes de martelo bem-direcionados funcionam melhor que uma única furada).
Imagem: William R
E se o drive ainda estiver vivo?
O usuário sortudo do Reddit ganhou um SSD funcional praticamente de graça. Para quem monta um NAS ou precisa de armazenamento extra, a história mostra a durabilidade desses drives ― um ponto a favor na hora de escolher entre SSD e HDD, principalmente se você pretende instalar jogos pesados ou editar vídeos em 4K.
No fim das contas, a furadeira perdeu por W.O. e o episódio serve como alerta severo: protocolos que não acompanham a evolução do hardware podem custar caro. O recado é claro: quando o assunto é segurança de dados, nenhum atalho compensa.
Com informações de Hardware.com.br