A NVIDIA acaba de avisar suas parceiras que o preço dos pacotes de memória GDDR6 e GDDR7 vai subir. A má notícia seria rotineira — se não fosse por um detalhe revelado pelo site asiático Benchlife: mesmo com o reajuste, o valor cobrado pela NVIDIA continua menor que o praticado pela AMD. Em plena crise de abastecimento, essa diferença de custo pode decidir quais GPUs chegarão às lojas com preços mais competitivos nos próximos meses.
Por que a memória pesa tanto no preço de uma placa de vídeo?
Do ponto de vista de fabricação, os chips de memória representam hoje entre 15% e 25% do custo total de uma placa, dependendo do modelo. Isso inclui GDDR6 (padrão da maioria dos produtos atuais), GDDR6X (exclusividade de algumas GeForce RTX) e a futura GDDR7, presente nos projetos de próxima geração.
Quando a NVIDIA ou a AMD vendem a GPU às parceiras AIB (Add-in Board), elas normalmente enviam junto um “kit” com todas as memórias necessárias. Para marcas menores — as que você vê na Amazon com preços agressivos — esse bundle é vital, já que negociar diretamente com Samsung, SK Hynix ou Micron exige volume e capital que pouca gente tem.
Escassez até 2027: IA abocanha o estoque de GDDR
A onda de investimentos em inteligência artificial transformou os módulos de memória em ativo estratégico. Servidores de IA consomem praticamente os mesmos chips GDDR das placas gamers, criando uma disputa que especialistas acreditam se prolongar até 2026 ou mesmo 2027.
Nesse cenário, até cogitou-se que NVIDIA e AMD deixariam de fornecer o pacote completo para reduzir custos internos. O vazamento de hoje desmente esse rumor — pelo menos por enquanto — e mantém as AIBs pequenas no jogo.
Quem ganha e quem perde com a estratégia de preços
Com a NVIDIA oferecendo memória ainda mais barata que a concorrente, fabricantes de placas GeForce têm margem para lançar modelos com valores agressivos ou investir em dissipadores mais robustos sem estourar o orçamento. Já os parceiros da AMD podem ser obrigados a:
- Cortar features (por exemplo, iluminação RGB ou backplate metálico);
- Aumentar o preço final para preservar a margem de lucro;
- Apostar em estoques menores, o que reduz a oferta e mantém os valores em alta.
Na prática, isso afeta principalmente linhas de grande volume, como GeForce RTX 4060/4070 e Radeon RX 7600/7700/7800, onde cada dólar faz diferença na decisão do consumidor.
Imagem: William R
O que isso significa para você que está pensando em trocar de GPU?
Se a tendência se confirmar, as chances são de vermos placas GeForce com preços mais estáveis — ou até promoções — em grandes varejistas online, enquanto modelos Radeon podem manter o valor alto ou ter disponibilidade reduzida. Claro, outros fatores entram na equação (taxa de câmbio, impostos e políticas de cada AIB), mas a memória continua sendo um dos componentes que mais pesam na etiqueta.
Para o comprador, vale acompanhar:
- Lançamentos de fim de ano e datas promocionais (Black Friday e Cyber Monday), onde a diferença de custo tende a aparecer nas vitrines;
- A chegada das primeiras placas com GDDR7, previstas para 2024/25, que podem herdar essa mesma vantagem competitiva da NVIDIA;
- Cortes ou reajustes de preço em modelos Radeon RX 7000, caso a AMD ajuste sua estratégia para equilibrar o jogo.
No fim das contas, mais memória por menos dinheiro é sempre boa notícia para gamers e criadores de conteúdo. Resta saber quanto dessa economia chegará ao carrinho de compras — e por quanto tempo a NVIDIA conseguirá manter a dianteira.
Com informações de Hardware.com.br