A escalada no custo da memória flash NAND ganhou mais um capítulo de peso: segundo fontes do mercado de semicondutores, a Apple teria aceitado pagar até o dobro pelo componente fornecido pela japonesa Kioxia para garantir o cronograma do futuro iPhone 18. A notícia, trazida pelo insider @jukan05 no X, acende o alerta não só para fãs da marca, mas também para qualquer entusiasta que planeje trocar de SSD ou ampliar o armazenamento do PC nos próximos meses.
Por que a NAND ficou tão cara de repente?
Depois de dois anos de sobre-oferta e preços em queda, o mercado de memórias entrou em rota de correção. As fabricantes reduziram produção em 2025 para segurar prejuízos, e o salto na demanda por IA generativa — de data centers a laptops — fez o pêndulo virar para a escassez. O resultado aparece agora nos contratos para o primeiro trimestre fiscal de 2026: alta de dois dígitos, renegociação trimestral e pouca margem de manobra para grandes compradores.
O acordo Apple–Kioxia em detalhes
- Período inicial: janeiro a março de 2026
- Reajuste: preço por chip de NAND 2× maior que o praticado em 2025
- Validade: valores revistos a cada três meses, aumentando a imprevisibilidade
Internamente, a Apple estuda manter o preço dos modelos de entrada e concentrar eventuais aumentos nas versões de 256 GB, 512 GB e 1 TB — estratégia semelhante à adotada no lançamento do iPhone 15 Pro Max. Para o consumidor, isso significa que optar por mais espaço interno pode pesar ainda mais no bolso.
Efeito cascata: do iPhone ao SSD M.2 do seu PC
Os chips NAND que vão dentro do iPhone são, basicamente, os mesmos usados em SSDs NVMe, cartões SD UHS-II de alta velocidade e consoles como PlayStation 5. Quando um comprador do porte da Apple aceita pagar o dobro, o movimento puxa a referência de mercado. Quem pensa em montar um PC gamer ou atualizar o armazenamento para jogos como Cyberpunk 2077 ou Starfield pode se deparar com preços maiores já no segundo trimestre de 2026.
Concorrentes e alternativas para driblar a alta
• Samsung e SK Hynix ainda são fornecedoras de Apple e devem negociar lotes menores para equilibrar a dependência da Kioxia.
• As chinesas CXMT e YMTC, recém-removidas da lista de restrições do Pentágono, surgem como cartas na manga para 2027, mas o efeito não é imediato.
• Marcas de SSD como Crucial, Kingston e WD utilizam mix de fornecedores; quem tem estoque fabricado antes dos reajustes pode segurar valores por curto período.
Fôlego financeiro da Apple: divisão de serviços a favor
No primeiro trimestre fiscal de 2026, a vertical de Serviços — que reúne App Store, iCloud, Apple Music e streaming de jogos — reportou receita recorde de US$ 30 bilhões. Analistas como Ming-Chi Kuo defendem que a companhia use parte desse caixa extra para absorver o aumento de NAND e DRAM, evitando transferir o custo integral ao consumidor em um cenário global ainda sensível.
Imagem: Internet
O que observar nos próximos meses
• Conferências de resultados dos principais fabricantes de memória (Samsung, SK Hynix, Micron) podem antecipar novos patamares de preço.
• Se o dólar continuar pressionado, o reajuste pode ser ainda maior no Brasil.
• Para quem pretende comprar SSD, tablets ou smartphones Android topo de linha, vale acompanhar estoques atuais — muitos ainda carregam chips de 2025, mais baratos.
Em resumo, a negociação Apple–Kioxia funciona como um termômetro de todo o setor. Se você pretende trocar de notebook, turbinar o PC com um SSD PCIe 4.0 ou mesmo investir em um portátil gamer, ficar de olho nos próximos relatórios de produção pode representar economia — ou ao menos evitar surpresas no carrinho.
Com informações de Mundo Conectado