Se você estava de olho em uma promoção para finalmente colocar um SSD NVMe de 2 TB no carrinho ou turbinar o PC com mais 32 GB de RAM, prepare o bolso: um novo levantamento da Counterpoint Research projeta que os preços de chips de memória – tanto NAND Flash quanto DRAM – vão praticamente dobrar até março de 2026. A alta recorde, que já começou a ser sentida no atacado, deve chegar ao consumidor final nas próximas semanas e pode mudar completamente a estratégia de upgrades de gamers, criadores de conteúdo e administradores de data centers.
Quanto cada setor deve sentir no bolso
O relatório lista aumentos agressivos em todos os segmentos:
- SSDs para desktop e notebooks: salto estimado de até 100 % em relação aos preços de dezembro de 2025.
- Módulos de RAM para notebooks: avanço de 91 %, o que coloca versões DDR5 de 16 GB perto do patamar que vimos na estreia do padrão.
- Servidores: o módulo DDR5 RDIMM de 64 GB, que fechou 2025 por volta de US$ 450, já passa dos US$ 900 no atacado e pode superar US$ 1.000 no segundo trimestre.
Por que a memória ficou tão cara de repente?
O culpado atende pela sigla mais falada da década: IA. A corrida por modelos cada vez maiores — que exigem imensos pools de DRAM convencional e High Bandwidth Memory (HBM3e) — fez Samsung, SK Hynix e Micron transferirem linhas de produção inteiras para atender às gigantes de nuvem e de chips para inteligência artificial. O efeito colateral é a escassez de chips “comuns” que abastecem SSDs de consumo, módulos SO-DIMM para notebooks e memórias DIMM para desktops gamers.
Além disso, o preço da NAND Flash subiu entre 80 % e 90 % somente no último semestre, impulsionado pela combinação de estoque baixo e demanda crescente por unidades de estado sólido em consoles, notebooks finos e até carros conectados.
Histórico de ciclos e o que muda agora
Ciclos de alta e baixa em memória não são novidade. Em 2017, por exemplo, vimos DDR4 chegar a picos históricos. A diferença em 2026 é a velocidade e a escala do aumento: analistas falam em um salto de 2× em apenas um trimestre, algo sem precedentes nos últimos 15 anos.
Para quem monta PCs, a última grande correção (2022-2023) trouxe SSDs PCIe 4.0 de 1 TB a menos de R$ 400 e kits DDR4 de 16 GB abaixo dos R$ 300. Esse cenário de “memória barata” está com os dias contados e deve demorar para voltar, segundo a consultoria.
Impacto prático: devo adiar ou antecipar meu upgrade?
Se o seu PC já dá sinais de gargalo — jogos travando por falta de RAM ou loadings demorados em SSDs SATA antigos — cada mês de espera pode significar pagar quase o dobro por componentes idênticos. Um SSD PCIe 4.0 topos de linha como o Samsung 990 Pro, hoje listado na Amazon por cerca de R$ 650 na versão de 1 TB, pode ultrapassar a marca dos R$ 1.200 se a previsão de 100 % se concretizar.
Em memória RAM, kits DDR5 de 32 GB (2×16 GB) de marcas populares como Corsair e Kingston giram em torno de R$ 900 atualmente. Com alta de 90 %, não seria surpresa vê-los acima dos R$ 1.700 — valor comparável ao de alguns processadores Ryzen 7.
Imagem: William R
Efeitos colaterais nos smartphones
O documento da Counterpoint alerta para uma tendência preocupante: fabricantes de celulares estariam reduzindo a quantidade de RAM ou migrando de LPDDR5X para LPDDR5 “básica” (mais lenta) em modelos de 2026 para segurar custos. Isso pode afetar desempenho em multitarefa, especialmente em aparelhos de médio porte.
Margens recordes para as fabricantes
Muito antes de o consumidor sentir o baque, o balanço das empresas já aponta lucros acima da média. A margem operacional da divisão de DRAM da Samsung, por exemplo, ronda os 60 % e deve bater recordes históricos caso o quadro de escassez persista.
Existe luz no fim do túnel?
Alguns analistas projetam estabilização somente na segunda metade de 2027, quando novas fábricas (como a expansão da Micron nos EUA) devem entrar em operação. Até lá, a recomendação é ficar atento a estoques remanescentes, promoções-relâmpago e kits “da geração passada” — DDR4 e SSDs PCIe 3.0 ainda entregam ótimos resultados e podem ser o caminho mais econômico para quem precisa de upgrades urgentes.
No curto prazo, vale acompanhar de perto flutuações de preço e considerar a compra assim que encontrar valores ainda próximos dos praticados em 2025. Como sempre, avaliar o custo-benefício no contexto do seu setup – e não apenas a ficha técnica – continua sendo a melhor estratégia.
Com informações de Hardware.com.br