Um upgrade de tirar o fôlego acaba de entrar para o folclore do overclocking. O entusiasta chinês Jiachen Liu pegou uma RTX 2080 Ti Hall of Fame ― que já era um “objeto de desejo” da série Turing ― e a transformou em algo próximo de uma super-Titan: são 24 GB de GDDR6, barramento de 384 bits e um limite de 900 W de potência. O resultado? Um score de 18.038 pontos no 3DMark TimeSpy Extreme, desempenho que deixa para trás uma RTX 3090 de fábrica e até mesmo duas Titan RTX em SLI.
De onde veio esse monstro?
O “transplante” começou com a substituição do chip TU102 parcialmente bloqueado da 2080 Ti pelo TU102 totalmente desbloqueado da Titan RTX. Depois, Liu soldou módulos extras de memória para duplicar o framebuffer de 11 GB para 24 GB e aumentou o bus de 352 bits para 384 bits. Tudo isso sobre o PCB premium da linha Hall of Fame, conhecido por ter 16 + 3 fases de energia e componentes topo de linha voltados a recordes de overclock.
Potência sem coleira: 300 W → 900 W
No firmware, o modder removeu o power limit original de 300 W e liberou a placa para consumir até 900 W, o que exigiu um sistema híbrido de refrigeração (waterblock + ventiladores industriais) para manter o core abaixo dos 60 °C mesmo a 2.150 MHz estáveis. É literalmente a quantidade de energia que uma fonte ATX high-end inteira dedica a um PC gamer completo.
Benchmark: até onde ela vai?
No teste sintético TimeSpy Extreme, a placa pontuou 18.038, contra cerca de 14.000 de uma RTX 3090 FE e 17.000 obtidos por duas Titan RTX em SLI. Para efeito de comparação, uma RTX 4090 stock marca próximo de 19.400 pontos. Ou seja, esse “Frankenstein” de 2018 flerta com o desempenho da arquitetura Ada Lovelace, mas usando hardware Turing turbinado.
O que isso muda para jogos e criação de conteúdo?
Quem trabalha ou joga em 4K/8K precisa de duas coisas: memória de vídeo abundante e largura de banda. Os 24 GB permitem texturas gigantescas em engines modernas (Unreal Engine 5, por exemplo) e facilitam projetos 3D no Blender, que consomem VRAM como nunca. Já o barramento de 384 bits soma 672 GB/s de banda ― quase o dobro da 2080 Ti original. Em títulos rasterizados, a diferença pode atingir 30-40 % em 4K, e em workloads de IA (Stable Diffusion, treinamento leve de modelos) o salto é ainda maior graças à VRAM extra.
Limitações artificiais: lição para a NVIDIA (e para nós)
Liu reacende o debate sobre os “lockdowns” de mercado: quantas placas topo de linha chegam às lojas capadas para não canibalizar modelos mais caros? Se uma 2080 Ti HOF consegue quase acompanhar a 4090 apenas removendo restrições, quão perto estamos de ver placas mais acessíveis usando GPUs parcialmente desativadas? Para os consumidores, a dica é ficar de olho em variações customizadas ― muitas vezes elas escondem headroom suficiente para encurtar a distância para a geração seguinte.
Imagem: William R
E se fossem duas?
O modder especula que dois exemplares em SLI, refrigerados com nitrogênio líquido, poderiam encostar na suposta RTX 5090 (ainda não lançada) em benchmarks sintéticos. Mesmo que o SLI esteja praticamente morto nos games, cenários de renderização empresarial ainda conseguem aproveitar múltiplas GPUs, o que tornaria esse conjunto uma solução brutal de baixo custo no mercado de usados.
Apesar de ser um experimento extremo e nada prático para a maioria dos usuários ― afinal, exige conhecimento de solda BGA, BIOS custom e uma fonte de 1.200 W dedicada ― o projeto de Liu mostra que o verdadeiro gargalo muitas vezes são as restrições impostas, não o silício em si.
Com informações de Hardware.com.br