Se você comprou uma NVIDIA GeForce RTX 50 nos últimos meses e se tranquilizou ao ver a temperatura do chip na casa dos 65 °C, atenção: o pior pode estar escondido. Dois especialistas brasileiros em hardware, Paulo Gomes e Sidnelson, descobriram que o sensor de “Hot Spot” – o ponto mais quente dentro do die da GPU – nunca foi removido, apenas ocultado pela NVIDIA nas APIs usadas por softwares como GPU-Z, HWiNFO e MSI Afterburner. No diagnóstico interno do MODS (Modular Diagnostic Software), a mesma GPU acusou alarmantes 107 °C, bem no limite de throttling.
O que é o sensor Hot Spot e por que ele é crucial para quem joga ou trabalha com 3D
Diferente da temperatura média do chip (geralmente reportada pelos programas de monitoramento), o Hot Spot mede o ponto mais quente efetivo dentro da GPU. É nele que surge o risco real de thermal throttling – redução automática de clock para evitar danos – ou até falhas permanentes do silício. Em gerações anteriores, esse dado ficava disponível ao usuário; na série RTX 50, sumiu dos dashboards tradicionais, levando muitos a pensar que o sensor havia sido removido do hardware.
Como os brasileiros desvendaram o mistério
A dupla desmontou uma Gigabyte GeForce RTX 5070 Ti e rodou o MODS, utilitário interno que as assistências técnicas credenciadas usam para testes de fábrica. Enquanto as aplicações de uso público marcavam 67–68 °C, o Hot Spot no MODS batia 107 °C – exatamente o patamar em que a GPU corta frequência.
Ao abrir o cooler, eles constataram regiões com pasta térmica ressecada e contato irregular entre o die e o dissipador. Após a reaplicação da pasta, o pico caiu para ~100 °C, suficiente para o teste do MODS aprovar a placa sem throttling.
Blackwell: arquitetura nova, transparência menor
Quando a arquitetura Blackwell foi lançada, em janeiro de 2025, desenvolvedores do GPU-Z estranharam um valor fixo de 255 °C no campo Hot Spot e optaram por removê-lo das versões seguintes. Na prática, a NVIDIA bloqueou o acesso via API pública; o sensor continua presente fisicamente. Para comparação, GPUs AMD Radeon RX 7000 e mesmo as GeForce RTX 40 continuam exibindo o Hot Spot normalmente, oferecendo um monitoramento mais completo para overclockers e profissionais que dependem de altas cargas de trabalho.
Impacto prático para compradores de RTX 50
• Menos visibilidade térmica: Sem o Hot Spot à vista, é fácil subestimar riscos, principalmente em gabinetes compactos ou sistemas com fluxo de ar comprometido.
• Perigo de degradação silenciosa: Pasta térmica seca ou aplicação de fábrica mal distribuída podem levar a picos acima de 100 °C sem que o usuário perceba.
• Overclock e undervolt às cegas: Entusiastas que ajustam tensão ou frequência deixam de ter um parâmetro essencial para balancear performance e longevidade.
Imagem: William R
Como monitorar (ou pelo menos mitigar) agora
1. Ferramentas alternativas: No momento, o acesso oficial só é possível via MODS, restrito. Comunidades de modding já trabalham em plugins não oficiais, mas use por conta e risco.
2. Manutenção preventiva: Se notar quedas de clock ou FPS repentinos, considere reaplicar pasta térmica de alta qualidade (Gelid, Arctic MX-6, Noctua NT-H2).
3. Ajuste de ventilação: Aumentar a curva de fan no MSI Afterburner ou EVGA Precision, mesmo sem o Hot Spot, ajuda a manter a temperatura média abaixo de 70 °C e reduz picos internos.
4. Comparar com outras opções: Modelos da geração anterior, como a RTX 4070 Super ou concorrentes como a Radeon RX 7800 XT, exibem Hot Spot nativamente, o que pode ser fator de decisão para quem prioriza monitoramento detalhado.
Pressão da comunidade: sensor de volta?
Paulo Gomes já entrou em contato com veículos internacionais para pressionar a NVIDIA a reativar o Hot Spot nas APIs de Windows. A gigante de Santa Clara ainda não se pronunciou, mas a repercussão pode forçar uma atualização de driver ou firmware, devolvendo transparência aos consumidores.
Enquanto isso, se você já investiu em uma RTX 50, vale redobrar a atenção à manutenção e ao fluxo de ar. E, se está comparando placas para o próximo upgrade, coloque a visibilidade térmica na sua lista de critérios – ela pode ser o diferencial entre anos de performance estável e uma dor de cabeça inesperada.
Com informações de Hardware.com.br