O mercado global de memória vive tamanha pressão que, agora, até criminosos especializados estão preferindo roubar apenas os módulos de RAM em vez de carregar desktops inteiros. O episódio mais recente ocorreu em Seul, na Coreia do Sul, onde um invasor levou quatro pentes Micron de 32 GB cada — totalizando 128 GB — e deixou processador, placa-mãe, fonte e SSD intactos. O furto não só expõe o valor atual desses componentes como também coloca em xeque as seguradoras, incapazes de cobrir rapidamente o prejuízo diante da alta meteórica dos preços.
RAM virou “ouro de bolso” para o mercado cinza
Levar um PC completo exige tempo, força física e aumenta o risco de ser flagrado. Já módulos DDR4 e DDR5 cabem no bolso, são fáceis de revender e, hoje, rendem mais por grama do que muitos metais preciosos. De acordo com analistas da TrendForce, o preço por gigabyte de DRAM subiu cerca de 38 % no último ano, impulsionado pela demanda de IA em data centers e smartphones topo de linha.
Seguro patrimonial encalhado na burocracia
A empresa sul-coreana vítima do furto possui apólice ativa, mas o gerente de sinistros relatou dificuldades para repor o valor de mercado dos pentes Micron. Como contratos convencionais são renovados anualmente, o salto de preço não foi acompanhado na mesma velocidade. Resultado: o reembolso proposto não cobre nem metade do que custaria comprar módulos equivalentes hoje.
Por que a DRAM está tão cara — e deve continuar
Mesmo com fábricas novas anunciadas por Micron, Samsung e SK Hynix, a escassez deve persistir até — pelo menos — 2028. Os motivos:
- IA e cloud computing: cada GPU de data center pode exigir até 1 TB de RAM para operar modelos LLM.
- Smartphones premium: aparelhos Android já flertam com 24 GB de memória LPDDR5X, disputando wafers com PCs.
- Oferta controlada: fabricantes preferem manter margens altas a correr o risco de excesso de estoque caso a demanda esfrie repentinamente.
Impacto prático para gamers e criadores de conteúdo
Para quem monta ou atualiza PCs no Brasil, o efeito é sentido no bolso: kits DDR5-6000 de 32 GB custavam cerca de R$ 700 há um ano; hoje não se acha abaixo de R$ 1.100. Enquanto isso, jogos AAA já recomendam 16 GB como requisito mínimo e 32 GB para “experiência ideal”, especialmente com ray tracing ou streaming em paralelo.
Em cenários de renderização 3D, compilação de código e edição 4K, a diferença entre 32 GB e 64 GB traduz-se em menos travamentos de cache e maior produtividade. O problema é que o upgrade ficou até 60 % mais caro desde o primeiro trimestre de 2023 — e tende a subir mais se você optar por kits com dissipadores RGB ou perfis XMP/EXPO de alta frequência.
DDR4 ou DDR5: qual vale mais a pena agora?
Embora o futuro seja DDR5, o padrão DDR4 ainda domina a base instalada. Alguns números:
Imagem: William R
- DDR4-3200 CL16: latência real de ~10 ns, custo por GB menor, ideal para placas-mãe AM4 e LGA 1200.
- DDR5-6000 CL36: latência efetiva de ~12 ns, mas largura de banda quase 2×, liberando CPUs Ryzen 7000 e Intel 14ª geração.
Se você possui plataforma DDR4 e não pretende trocar a CPU tão cedo, é mais econômico acrescentar mais pentes agora. Já quem planeja montar sistema novo para workstations ou jogos competitivos a longo prazo deve considerar DDR5, mesmo pagando ágio, porque a revenda futura de DDR4 tende a despencar quando a oferta normalizar.
Como se proteger (e proteger seu bolso)
• Diversifique o seguro: revise a apólice e inclua cláusulas de atualização de valor para componentes de TI.
• Etiquetas antifurto: existem tags RFID que disparam alarme ao serem removidas do slot.
• Inventário atualizado: salve notas fiscais e números de série; isso acelera processos de sinistro.
• Compra planejada: observe promoções sazonais e estoques de grandes varejistas — preços tendem a cair ligeiramente em eventos como Amazon Prime Day.
O que esperar para 2024 e além
Analistas preveem alta de 10 % a 15 % nos preços de DRAM a cada trimestre até que novas fábricas entrem em operação em 2026. Entretanto, se a corrida por IA desacelerar ou governos aplicarem incentivos, podemos ver alívio antes do previsto. Até lá, a memória segue sendo o “petróleo” dos PCs modernos, e casos de roubo focados em RAM devem se tornar cada vez mais comuns.
Com informações de Hardware.com.br