O PlayStation 2 completará 25 anos em março de 2025, mas ainda hoje o console carrega um feito raro: recebeu jogos inéditos por quase 14 anos depois de chegar às lojas. O derradeiro lançamento oficial foi Pro Evolution Soccer 2014, em 8 de novembro de 2013, um epílogo que retrata como a Sony prolongou a vida do PS2 para atender mercados onde trocar de videogame era sinônimo de luxo. Nesta reportagem, revisitamos esse momento histórico, comparamos os últimos títulos do aparelho e explicamos por que ele continua relevante para colecionadores — e para quem busca acessórios retrô compatíveis vendidos atualmente.
Por que PES 2014 foi o “último golaço” do PS2?
Desenvolvido na já veterana engine da Konami, PES 2014 chegou aos gramados virtuais do PS2 quase dois meses depois do rival FIFA 14 (lançado em 27/09/2013). Enquanto a versão de PS3 estreava a Fox Engine com animações renovadas, o velho console recebia apenas elencos atualizados e ajustes de jogabilidade. Ainda assim, foi o suficiente para satisfazer uma base instalada gigantesca em países como Brasil, Índia e Japão.
Para os entusiastas, essa edição marcou:
- O fim dos updates anuais de futebol no PS2;
- A última prensagem oficial de mídia física do console;
- O ponto final de um catálogo com mais de 3.800 jogos.
Não foi só futebol: outros “sopros” finais
Embora PES 2014 seja o último título global, alguns games de nicho ainda respiravam em 2013:
- Final Fantasy XI: Seekers of Adoulin – expansão do MMORPG da Square Enix lançada em 27/03/2013 exclusivamente no Japão;
- Don 2: The King is Back – aventura de ação baseada em filme de Bollywood, disponível apenas na Índia a partir de 15/02/2013;
- Street Cricket Champions 2 – simulador de críquete que chegou em 29/09/2012, também focado no público indiano.
Esses títulos pouco conhecidos no Ocidente reforçam a estratégia da Sony de sustentar o PS2 onde seu valor ainda compensava.
Hardware “humilde”, alcance gigante
Com CPU Emotion Engine de 294 MHz, 32 MB de RAM e drive de DVD—especificações modestas perto dos 512 MB de RAM e GPU 3D avançada do posterior PS3—o PS2 ainda entregava ótima relação custo/benefício em TVs de tubo e, mais tarde, via cabos componente ou adaptadores HDMI. O resultado? 155 milhões de unidades vendidas, recorde que permanece imbatível.
O que manteve o console vivo por tanto tempo?
1. Preço Acessível: Mesmo quando o PS3 já custava menos nos Estados Unidos, a tributação elevada em mercados emergentes tornava o PS2 a porta de entrada ideal para novos jogadores.
2. Catálogo Enorme: Clássicos como GTA: San Andreas, God of War e Gran Turismo 4 continuavam nas prateleiras em edições “Greatest Hits” baratas.
Imagem: William R
3. Fácil de Encontrar Acessórios: Controles DualShock 2, cabos de vídeo e cartões de memória ainda são produzidos por terceiros — muitos hoje disponíveis em marketplaces online.
Impacto para o gamer de hoje
Se você coleciona ou redescobriu o PS2 recentemente, a boa notícia é que há uma oferta considerável de adaptadores HDMI, controles USB estilizados e discos de reposição. Isso significa que é possível reviver clássicos com imagem mais limpa em TVs 4K, usando cabos que custam menos que um jogo novo de PS5.
E enquanto os atuais PS5 e Xbox Series X apostam em SSDs e 120 fps, o charme do PS2 reside na biblioteca vasta e no valor histórico. Saber que PES 2014 foi a última bola rolando em campo oficial ajuda a contextualizar o ponto final de uma era — e, quem sabe, orientar qual título você vai querer adicionar à estante antes que vire item de colecionador raro.
No fim das contas, o apito final do PS2 não foi um adeus melancólico, mas uma comemoração de longevidade que poucos consoles conseguiram repetir.
Com informações de Hardware.com.br