Juntar a mesada, aprender tudo no YouTube e, aos 12 anos, abrir o próprio negócio: foi assim que o argentino Ciro Joaquín Boggiano transformou curiosidade em faturamento com uma impressora 3D comprada com o dinheiro que ele mesmo arrecadou. A história, que explodiu nas redes sociais, ilustra o quão acessível a impressão 3D doméstica se tornou — e por que esse mercado merece a atenção de quem gosta de tecnologia e criação de produtos personalizados.
Do cofrinho às primeiras vendas
Ciro começou guardando cada peso recebido em aniversários e mesadas, mas logo percebeu que não chegaria ao valor de uma boa impressora 3D de entrada. A solução? Produzir pulseiras artesanais e vendê-las para amigos e vizinhos. O esforço compensou: ele não apenas juntou o valor do equipamento como ainda investiu em filamentos extras para treinar a calibragem da máquina.
No Instagram, com o perfil @printer.3d.cb, o jovem empreendedor exibe timelapses das impressões, faz lives enquanto a peça é criada camada por camada e recebe pedidos de fora do seu círculo de parentes.
O que ele imprime hoje — e o que planeja para amanhã
Atualmente, os pedidos vão de peças decorativas a utilitários domésticos, sempre sob medida. O próximo passo? Explorar design paramétrico — técnica que permite alterar rapidamente tamanho, espessura ou encaixes de um objeto, ideal para quem quer vender o mesmo produto em diferentes versões — e testar filamentos especiais, como PETG ou PLA com fibras de madeira.
Por que a história de Ciro importa: impressão 3D ficou realmente barata
Há cinco anos, montar uma “mini-fábrica” caseira custava o preço de um notebook topo de linha. Hoje, impressoras de entrada como Creality Ender-3 V3 ou Anycubic Kobra Neo aparecem na Amazon na faixa de R$ 1.200 a R$ 1.500 — menos que muitos smartphones intermediários. O preço dos filamentos também caiu: um quilo de PLA custa, em promoções, menos de R$ 90 e rende dezenas de objetos de pequeno porte.
Para quem joga, cria conteúdo ou conserta gadgets, a possibilidade de imprimir suportes de headset, organizadores de cabos ou mesmo mods de gabinete de PC significa economia e personalização. Já os makers mais avançados podem usar nylon ou TPU para produzir peças flexíveis, substituindo peças plásticas quebradas em controles, mouses ou drones.
Imagem: William R
Comparativo rápido: Ender-3 V3 vs. gerações anteriores
- Eixo Z mais rígido: menos vibração e maior qualidade nas camadas finais.
- Hotend “Sprite” direto: aceita filamentos flexíveis sem retrabalho.
- Placa 32-bit silenciosa: drivers TMC evitam ruído alto, ideal para quem imprime no quarto.
- Preço: chega custar 20 % menos que a Ender-3 original no lançamento de 2018.
Primeiros passos para quem quer seguir o exemplo
Se a história de Ciro acendeu em você a vontade de começar, anote o checklist essencial:
- Escolha da impressora: busque modelos FDM com boa comunidade (fóruns, perfis no YouTube) para facilitar upgrades e resolução de problemas.
- Filamento PLA: perfeito para iniciantes, pois deforma menos e não exige mesa aquecida extremamente quente.
- Fatiador (slicer) atualizado: softwares gratuitos como Cura ou PrusaSlicer já trazem perfis pré-configurados para dezenas de modelos.
- Curso relâmpago no YouTube: vídeos sobre nivelamento de mesa e fluxo de extrusão evitam 90 % dos erros de quem está começando.
- Marketplace ou redes sociais: abra um perfil exclusivo para mostrar portfólio e, como Ciro, comece pelas pessoas próximas.
Ver um garoto de 12 anos lucrar com tecnologia que cabe na escrivaninha reforça a previsão de analistas: a próxima década será marcada pela produção descentralizada, na qual qualquer entusiasta pode criar, vender e enviar objetos físicos do próprio quarto. E, pelo visto, idade mínima não é pré-requisito.
Com informações de Hardware.com.br