Prepare o bolso: Universal Music Group, Sony Music Group e Warner Music Group – as três gigantes que dominam o mercado fonográfico mundial – intensificaram a pressão para que Spotify, Apple Music e demais serviços de streaming reajustem suas mensalidades. A meta é clara: alinhar o preço da música por assinatura à inflação e aproximá-lo do que plataformas de vídeo já cobram hoje. O Spotify, inclusive, confirmou que o aumento começa nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026, passando de US$ 11,99 para US$ 12,99 por mês.
Por que o aumento virou prioridade agora?
Quando estreou nos EUA em 2011, o Spotify cobrou US$ 9,99 – um valor que, corrigido pela inflação, seria US$ 13,25 em 2024. Já a Netflix, que custava US$ 7,99 no mesmo ano, saltou para US$ 15,49. O recado das gravadoras é simples: o streaming de música não acompanhou o movimento inflacionário nem o de seus “primos” do vídeo, mesmo oferecendo catálogos muito maiores e novos recursos, como audiolivros e podcasts exclusivos.
Além disso, o fôlego de crescimento do setor esfriou. Dados da IFPI mostram que a receita global de streaming avançou apenas metade do registrado no ano anterior. Nos EUA, o crescimento anual do faturamento com assinaturas pagas despencou de 29 % (em 2019) para apenas 3 % no fim de 2024.
Quanto dinheiro está em jogo?
Analistas do JPMorgan calculam que um acréscimo de US$ 1 na mensalidade do Spotify apenas no mercado americano pode render cerca de US$ 500 milhões extras por ano. Para a Apple, que hoje cobra US$ 10,99 no Apple Music, as majors também pedem um reajuste semelhante. Rob Stringer, CEO da Sony Music Group, já sugeriu inclusive monetizar o plano gratuito – algo que mudaria completamente o modelo de negócios das plataformas.
Impacto no seu bolso e nos seus gadgets
Se você usa caixas de som smart, fones ANC ou soundbars com suporte a áudio espacial, a notícia tem efeito direto: serviços premium são a porta de entrada para áudio em alta resolução, Dolby Atmos e playlists sem anúncios. Na prática, pagar mais caro por mês pode ser o preço para manter qualidade lossless e funcionalidades integradas ao ecossistema de dispositivos – de consoles de videogame a receptores AV.
Existe alternativa mais barata?
Para quem busca conter despesas, vale ficar de olho em plataformas que ainda seguram o preço, como o Amazon Music Unlimited, que costuma oferecer promoções sazonais e descontos para quem já possui um dispositivo Echo ou assina o Amazon Prime. Outro caminho são os planos familiares compartilhados, que diluem o reajuste entre vários usuários.
Imagem: William R
O que esperar a partir de 2026?
A Warner deixou claro que quer aumentos “em cadência regular”, o que indica revisões de preço mais frequentes. A boa notícia para as plataformas é que as últimas rodadas de reajuste mostraram taxas de cancelamento relativamente estáveis, sinalizando que o público, até aqui, aceita pagar mais para não perder acesso instantâneo a 100 milhões de faixas. Espera-se que Apple, Spotify, Deezer e Amazon façam anúncios quase simultâneos para evitar migração em massa entre serviços.
No curto prazo, não há mudanças no Brasil, mas o histórico do setor mostra que reajustes nos EUA costumam chegar ao mercado latino-americano em questão de meses. Portanto, se você planeja investir em um novo headset gamer, um DAC USB ou uma caixa de som Bluetooth hi-fi, considere também esse potencial aumento no custo mensal da sua biblioteca musical.
Com informações de Hardware.com.br