Prepare-se para pagar mais pelos bons e velhos discos rígidos. Uma demanda inesperada dos gigantes de tecnologia chineses, que aceleram a construção de data centers voltados a inteligência artificial (IA), fez o preço dos HDDs saltar em até 30 % nas últimas semanas, segundo distribuidores asiáticos. Para quem pensava que os SSDs já haviam aposentado o “HD mecânico”, a realidade corporativa mostra o contrário: a IA ainda depende — e muito — da alta capacidade por dólar que só os discos de pratos giratórios conseguem oferecer.
Por que a China virou o epicentro da escassez?
Com restrições de exportação de GPUs avançadas impostas pelos Estados Unidos, empresas chinesas como Baidu, Alibaba e Tencent estão erguendo infraestruturas próprias para treinar modelos de IA generativos. Isso pressiona não só o mercado de placas de vídeo de datacenter, mas também o de armazenamento frio e arquivamento — território dominado pelos HDDs. Analistas da TrendFocus apontam que apenas dois grandes hyperscalers chineses encomendaram, juntos, mais de 2 milhões de unidades de 20 TB no primeiro trimestre.
IA mantém o HDD vivo (e lucrativo)
Um modelo de linguagem generativa moderno pode consumir dezenas de petabytes apenas em dados de treinamento. Manter múltiplas cópias desse acervo de textos, imagens e vídeos exige uma solução de baixo custo por terabyte. Hoje, mesmo com os SSDs NVMe ficando mais baratos, o preço por TB de um HD de 20 TB gira em torno de US$ 18 – 20, enquanto o de um SSD de mesma capacidade ultrapassa os US$ 80. A matemática empresarial é simples: HDD continua imbatível para arquivo em massa.
Efeito dominó: memória RAM e outros componentes sob pressão
O estouro da bolha IA não para nos discos. A Memória RAM já triplicou de preço na Europa desde o início do ano, e a americana Micron anunciou a saída total do mercado consumidor para focar em soluções corporativas de datacenter. Linhas de produção inteiras estão sendo redirecionadas para atender os pedidos de servidores IA, deixando gamers e entusiastas em segundo plano.
O que muda para o usuário doméstico?
• PCs e notebooks com HDD podem ficar temporariamente mais caros, sobretudo modelos de 4 TB ou mais, já que fabricantes priorizam lotes corporativos.
• Para quem precisa de espaço extra em casa, vale monitorar promoções relâmpago de SSDs SATA de 2 TB, que ainda não sofreram o mesmo impacto.
• Se a sua estratégia é montar um NAS ou servidor caseiro, talvez seja hora de antecipar a compra: analistas esperam alta acumulada de até 50 % em determinados modelos de 8 TB e 12 TB até o fim do ano.
Comparativo rápido: HD de 20 TB x 8 TB popular
Capacidade por dólar: 20 TB leva vantagem, mas exige maior investimento inicial.
Fator ruído e consumo: modelos de alta capacidade giram a 7.200 RPM e consomem até 10 W em atividade, o dobro dos discos de 8 TB.
Cenário de uso ideal: backup massivo e data lakes para IA. Para games, um SSD PCIe 4.0 continua imbatível em tempo de loading.
Imagem: William R
Perspectiva de curto prazo
Seagate, Western Digital e Toshiba já sinalizaram reajustes de tabela. Tudo indica que a normalização do estoque só virá quando as linhas de produção de HDDs baseadas em HAMR (Heat-Assisted Magnetic Recording) ganharem escala em 2025, entregando 30 TB ou mais por unidade e baixando novamente o custo por terabyte.
Enquanto isso, a dica é simples: acompanhe os preços semanais e avalie suas reais necessidades de armazenamento. No mundo da tecnologia, timing é quase tão importante quanto a especificação do produto.
Com informações de Hardware.com.br