A Advanced Micro Devices (AMD) pode estar prestes a diversificar sua produção de chips de ponta. De acordo com rumores de bastidores, a empresa negocia com a Samsung Foundry a fabricação de processadores em 2 nanômetros (nm), numa tentativa clara de reduzir a dependência da TSMC, hoje superlotada com pedidos de Apple, NVIDIA, Qualcomm e da própria AMD.
Por que a TSMC virou gargalo
Nos últimos anos, a TSMC transformou-se em sinônimo de litografias de vanguarda. Do A17 Pro da Apple ao futuro NVIDIA Blackwell, praticamente todo chip premium passa pelos fornos taiwaneses. O problema? A demanda explodiu, enquanto a capacidade de 3 nm (N3) – e a futura 2 nm (N2) – não acompanha o ritmo. Com lead times esticados e custos crescentes, a AMD procura um plano B antes de virar refém de cronogramas externos.
Samsung: alternativa ousada, mas promissora
A divisão de semicondutores da Samsung já produz chips em 3 nm utilizando a arquitetura GAA (Gate-All-Around), tecnicamente mais avançada que o FinFET de 5 nm da AMD atual. O desafio? Escalar volume e rendimento (yield) a níveis aceitáveis para processadores complexos como um Ryzen ou EPYC. Para a AMD, apostar na coreana é um movimento calculado: se a Samsung entregar, a empresa ganha flexibilidade na cadeia; se falhar, o core business continua seguro com a TSMC.
Roteiro de litografias da AMD
• Zen 5 (2024/2025) – 4 nm/3 nm TSMC
• Zen 6 (2026) – possível 3 nm TSMC
• Zen 7 (pós-2027) – alvo em 2 nm, potencialmente TSMC e Samsung
Mesmo que as conversas avancem, fontes internas indicam que chips AMD “made in Samsung” só chegariam às prateleiras em 2028, devido ao longo ciclo de qualificação: design, tape-out, validação de silício, ramp-up de produção e distribuição global.
O que muda para você, jogador ou criador de conteúdo?
• Mais oferta, menos fila – Com dois fornecedores, a AMD pode lançar CPUs e GPUs sem atrasos, reduzindo o risco de escassez que inflaciona preços nas lojas online.
• Evolução de desempenho e eficiência – O nó de 2 nm promete densidade até 20% maior e consumo de energia até 30% menor que o 3 nm, segundo projeções da própria Samsung. Em jogos, isso se traduz em mais frames por watt e temperaturas mais baixas.
• Competição acirrada – Intel e Apple planejam saltar para 1,8 nm/1,4 nm em 2027. Se a AMD garantir espaço na Samsung, mantém a corrida tecnológica viva, o que tende a beneficiar o consumidor final em performance por dólar.
Comparativo rápido de fornecedores
TSMC N2
• Produção em 2025
• FinFET evoluído + GAA em 2026
• Track record de alto rendimento
Imagem: William R
Samsung 2 nm (SF2)
• Produção piloto prevista para 2025
• GAA nativo desde o primeiro dia
• Investimento de US$ 17 bilhões apenas na planta do Texas
Para workloads sensíveis, como ray tracing em GPUs e tarefas de IA em CPUs Ryzen AI, a diferença entre litografias pode impactar diretamente o boost clock sustentável e a autonomia em notebooks gamer.
Próximos passos
Enquanto Zen 5 e Zen 6 continuam amarrados à TSMC, os engenheiros da AMD já revisam IPs (blocos de propriedade intelectual) para garantir compatibilidade com a biblioteca de 2 nm da Samsung. A ordem interna é clara: testar sem comprometer o cronograma principal. Chips de menor risco – controladores de I/O, chiplets auxiliares ou até APUs para consoles – podem ser os primeiros a sair da linha coreana.
Se a jogada der certo, consumidores poderão ver em 2028 PCs, notebooks gamer e até mini-PCs equipados com CPUs Ryzen Zen 7 fabricadas pela Samsung, trazendo mais opções de alto desempenho para quem busca o melhor custo-benefício na hora de montar ou fazer upgrade no setup.
Com informações de Hardware.com.br