Se em 2024 o WhatsApp já era terreno fértil para golpistas, em 2025 a criatividade criminosa ganhou novos aliados: dados públicos mais acessíveis, inteligência artificial para personalizar mensagens e o imediatismo do Pix. O resultado é um aumento expressivo de fraudes que drenam contas bancárias, sequestram perfis e instalam malwares em poucos toques.
Reunimos abaixo os 10 golpes mais recorrentes no WhatsApp em 2025, explicando por que eles funcionam e quais atitudes simples reduzem quase a zero o risco de cair numa armadilha digital.
1. “Mãe, troquei de número” 2.0
A velha história do parente em apuros ficou mais convincente. Com buscas em redes sociais, o criminoso encontra apelidos de família, fotos recentes e até gírias usadas no dia a dia. A mensagem é curta, afetuosa e urgente: pede dinheiro para cobrir um “imprevisto” – geralmente despesas médicas ou conta bloqueada.
Como se proteger: faça uma ligação de vídeo na hora, peça uma prova rápida (por exemplo, citar um fato só vocês dois conhecem) e jamais transfira valores antes de confirmar.
2. Roubo de conta via código SMS
O golpista cria um motivo convincente para que você repasse o código de seis dígitos enviado por SMS – vale de tudo, de suposta confirmação de sorteio a cadastro de entrega. Com a conta invadida, ele pede dinheiro a todos os contatos, enquanto perfis falsos com o seu nome turbinam a confusão.
Como se proteger: ativar a verificação em duas etapas no WhatsApp e nunca compartilhar códigos recebidos fora do aplicativo.
3. Anexos “comprovante.zip”
Um contato – às vezes verdadeiro, mas já comprometido – envia um arquivo zip ou link de “nota fiscal”. Ao abrir, malwares capturam senhas bancárias e credenciais de redes sociais. Em 2025, variantes de spyware estão mais leves e passam despercebidas por antivírus desatualizados.
Como se proteger: abra anexos apenas quando você solicitou, mantenha o sistema e o antivírus atualizados e considere uma chave de segurança física FIDO (que também é compatível com bancos brasileiros e pode ser encontrada na Amazon) para blindar logins sensíveis.
4. Falso atendente que pede compartilhamento de tela
O criminoso se apresenta como suporte do banco e migra a conversa para uma ligação de vídeo. Lá, pede que você compartilhe a tela para “resolver” um problema. Enquanto você navega no aplicativo do banco, o golpista anota dados e executa transferências em tempo real.
Como se proteger: suporte legítimo nunca solicita compartilhamento de tela nem orienta a instalação de apps terceirizados.
5. Corrente do “aniversário do WhatsApp”
Links prometendo novos emojis, cupom de data comemorativa ou recurso secreto pedem cliques e compartilhamentos em massa. O endereço leva a um formulário de phishing ou instala adware que enche o celular de anúncios.
Como se proteger: checar sempre o blog oficial do WhatsApp ou a Google Play Store; anúncios de recursos inéditos aparecem primeiro lá, não em correntes.
6. Vagas de emprego com áudio gerado por IA
Anúncios de “ganhe R$ 500 por dia sem experiência” circulam com textos e áudios sintéticos muito convincentes. Para avançar no processo, o candidato precisa pagar uma suposta taxa de cadastro ou comprar um “curso obrigatório”.
Como se proteger: nenhuma empresa séria cobra para contratar. Pesquise o CNPJ e o site oficial antes de clicar em qualquer link.
Imagem: Internet
7. Falsa intimação judicial
Com nome completo, CPF e processos públicos, golpistas personificam advogados e pedem Pix para “custas urgentes” ou liberação de bens. A combinação de informação real e prazo curtíssimo aumenta a pressão psicológica.
Como se proteger: ligue diretamente para o escritório do advogado envolvido (telefone no site da OAB) e nunca pague taxas só porque “o WhatsApp mandou”.
8. Receita Federal bloqueou seu CPF
Mensagens alarmistas falam em bloqueio de CPF, conta bancária ou chave Pix e oferecem um link para “regularização imediata”. A página clonada parece oficial, mas rouba dados de login do Gov.br e senhas bancárias.
Como se proteger: consultas e negociações de débitos federais são feitas apenas em gov.br ou no aplicativo oficial.
9. Taxa extra de entrega na transportadora
Você recebe um SMS ou WhatsApp dizendo que sua encomenda está retida por falta de pagamento de taxa. Em versões mais sofisticadas, aparecem data e número de pedido corretos (vazados em lojas on-line). O link direciona a um boleto ou Pix falso.
Como se proteger: rastrear o pedido somente pelo site da loja ou transportadora e conferir se o domínio começa com “https” e nome real da empresa.
10. Extorsão com ameaça de facção
Mensagens com tom violento informam que você “desrespeitou a facção” e precisa pagar para não sofrer retaliação. Para reforçar o medo, áudios com voz distorcida citam nomes genéricos de familiares e endereços públicos.
Como se proteger: interrompa o contato, não envie dinheiro, registre boletim de ocorrência e alerte familiares. Ajuste a privacidade do seu número nas redes sociais.
Por que os golpes ficaram mais perigosos?
Além da abundância de dados vazados, os criminosos usam modelos de IA generativa para criar textos bem escritos, áudios realistas e até deepfakes em chamadas de vídeo. Some-se a isso a agilidade do Pix, que liquida transações em segundos, e temos o ambiente perfeito para perdas financeiras instantâneas.
Checklist rápido de segurança
• Ative a autenticação em duas etapas no WhatsApp e nos apps de banco.
• Use senha ou biometria para abrir o app de mensagens.
• Instale antivírus confiável (há opções com licenças na Amazon que protegem múltiplos dispositivos).
• Mantenha Android ou iOS atualizados.
• Fique atento a solicitações que geram urgência + pedido de dinheiro + canal não oficial – essa é a equação universal do golpe.
Entender o modus operandi dos golpistas é o primeiro passo para não se tornar estatística. Em 2025, duvidar, validar e só depois agir é a regra de ouro para garantir que o WhatsApp continue um aliado – e não um risco – no seu dia a dia.
Com informações de Mundo Conectado