A gigante chinesa Midea tirou o véu da terceira geração da sua linha de humanoides industriais e apresentou o Miro U, um robô com nada menos que seis braços biônicos e estrutura híbrida de rodas e pernas. O anúncio foi feito em Guangzhou e coloca a companhia – conhecida no Ocidente pelos eletrodomésticos – na linha de frente da automação avançada para fábricas.
Seis braços, rodas nas pernas e trocas de ferramenta em segundos
Enquanto a maior parte dos humanoides atuais aposta em dois braços e locomoção bípede tradicional, a Midea combinou o melhor dos dois mundos: rodas para ganhar velocidade em superfícies planas e pernas que elevam o torso quando é preciso alcance vertical. Cada um dos seis braços conta com atuadores proprietários, permitindo rotações de 360 ° e troca de ferramentas “em questão de segundos”, segundo a fabricante.
Na prática, essa flexibilidade abre caminho para que o Miro U realize, sem reconfigurações demoradas, tarefas como soldagem, parafusamento, inspeção óptica e embalagem – atividades em que, hoje, boa parte das plantas sofre com gargalos ou soluções estacionárias muito caras de adaptar.
Ganhos de produtividade: promessa de até 30 %
Dados internos da Midea indicam que linhas de montagem equipadas com o Miro U podem reduzir o tempo de ciclo em quase um terço. Para efeito de comparação, robôs colaborativos convencionais (cobots) costumam entregar saltos de 10 % a 15 % quando substituem processos manuais. Caso a projeção se confirme, o retorno sobre o investimento pode ficar abaixo de 24 meses, número considerado agressivo para a indústria de bens de consumo duráveis.
Projeto totalmente “in-house”
Wei Chang, vice-presidente e CTO da empresa, fez questão de frisar que tanto hardware quanto software são desenvolvidos dentro de casa. A estratégia difere de concorrentes que licenciam controladores ou atuadores de terceiros – o que pode se traduzir em menor custo e atualização mais rápida.
Da fase beta à linha premium de eletrodomésticos
O Miro U substitui o protótipo testado desde agosto de 2025 na unidade de Jingzhou. Agora, o primeiro lote comercial será implantado até o fim deste ano na fábrica de eletrodomésticos premium da Midea em Wuxi, palco ideal para medir o impacto real em larga escala.
Robôs para o varejo vêm aí
Paralelamente, a companhia trabalha no projeto Mila, uma família de robôs pensada para lojas e, no futuro, residências. A fase de testes públicos está marcada para 2026 e inclui funções como recepção, consulta de preços e demonstração de produtos – um possível divisor de águas na experiência de compra presencial.
Imagem: William R
Panorama: China acelera o passo na robótica
O anúncio da Midea acontece na mesma temporada em que a Unitree exibe seu primeiro humanoide com aprendizado autônomo e a Dobot estreia um robô-cão educativo por cerca de € 920. Além disso, gigantes como Tesla (Optimus) e Figure AI correm por fora nos Estados Unidos. A diferença é que, ao mirar diretamente a produção industrial, a Midea encontra um mercado que já sente a pressão por mão de obra qualificada e pela redução de custos operacionais.
Embora o Miro U ainda não seja um item que você vá encontrar na prateleira da Amazon, a tecnologia por trás dele antecipa recursos que logo podem desembarcar em gadgets de consumo – de aspiradores autônomos a braços robóticos para makers. Para quem acompanha hardware e automação de perto, vale ficar de olho: muitas das inovações estreiam no chão de fábrica e, poucos anos depois, viram produtos domésticos acessíveis.
No curtíssimo prazo, porém, o humanoide de seis braços reforça a posição da Midea como um dos players mais agressivos da nova corrida global por robôs multifuncionais, com potencial de redefinir eficiência e flexibilidade na manufatura.
Com informações de Hardware.com.br