Sinal amarelo no mercado DIY: a AMD voltou atrás e decidiu adiar a aposentadoria do chipset B650, peça-chave nos PCs com processadores Ryzen 7000 e 8000. O motivo? A disparada de preços da memória DDR5 esfriou a demanda por máquinas novas, e o B650 – mais barato que o recém-chegado B850 – virou a âncora de custo para quem quer montar ou atualizar o desktop sem estourar o orçamento.
O que mudou no cronograma da AMD?
Nos bastidores, a AMD havia avisado às fabricantes de placas-mãe que a produção do B650 (e da variante B650E) terminaria no terceiro trimestre de 2025, com a expectativa de esgotar estoques até dezembro do mesmo ano. Agora, segundo o fórum asiático Board Channels, esse plano foi revisto: a linha de produção continua sem data de corte definida, e o B650 dividirá espaço por “mais tempo” com os chipsets B850 e B840.
Por que a DDR5 pesa tanto na decisão?
Com os módulos DDR5 custando até 40% a mais que há um ano, montar um PC novo se tornou um exercício de matemática dolorosa. Dados internos citados pelo Board Channels indicam que as vendas de placas-mãe caíram cerca de 50% em novembro, tendência que deve se repetir em dezembro. Para a AMD – e para marcas como ASUS, Gigabyte, MSI e ASRock – manter um chipset intermediário mais barato é a maneira mais rápida de tornar o ecossistema AM5 novamente atraente.
B650 x B850: vale a pena economizar?
Embora o B850 traga mais lanes PCIe 5.0, suporte nativo a USB4 e, em alguns modelos, recursos extras para overclock de memória, o B650 ainda cobre o essencial para 99% dos usuários:
- PCIe 5.0 para SSD: nos modelos B650E, há pista PCIe 5.0 para a GPU e para um slot M.2 NVMe;
- Até 14 portas USB (incluindo 10 Gb/s): o suficiente para quem usa muitos periféricos;
- Suporte oficial a Ryzen 7000 e 8000: BIOS atualizadas já reconhecem as APUs série 8000G;
- Preço até 30% menor: em placas ATX e mATX vendidas no Brasil, a diferença chega a R$ 600.
Para quem prioriza jogos ou produtividade com uma GPU dedicada – e não faz questão das últimas linhas PCIe 5.0 – o B650 continua sendo uma porta de entrada competitiva. A economia na placa-mãe pode ser redirecionada para mais armazenamento NVMe ou, ironicamente, para os módulos DDR5 mais caros.
Efeito dominó no ecossistema de hardware
A decisão da AMD também alivia a pressão sobre fabricantes parceiros. Linhas de produção que seriam encerradas agora serão mantidas ou até ampliadas, permitindo um mix de produtos que atenda diferentes faixas de preço. Para o consumidor, isso significa mais opções de placas-mãe B650 chegando às lojas em 2024 e 2025, muitas vezes acompanhadas de promoções para queimar estoques ou de bundles com processadores Ryzen.
Imagem: William R
O que esperar nos próximos meses?
Enquanto o mercado monitora a oscilação do preço da RAM, duas tendências devem ganhar força:
- Placas-mãe B650 (e B650E) com revisões mais baratas: cortes modestos em fases de VRM e conectividade podem gerar modelos sub-US$ 140 nos EUA – excelentes candidatos a figurar no carrinho de compras do Amazon Prime Day.
- Adoção gradual do B850 em builds high-end: entusiastas que precisam de várias unidades PCIe 5.0 ou planejam upgrades no médio prazo ainda verão valor nas placas topo de linha.
No fim das contas, a coexistência prolongada de B650 e B850 amplia o leque de escolhas para quem monta PC agora – e mantém vivo o “sweet spot” de custo-benefício que fez sucesso nas gerações AM4.
A moral da história? Se você está de olho em um Ryzen 7 7800X3D ou planeja migrar para um Ryzen 5 8600G assim que ele aparecer no mercado nacional, vale acompanhar de perto as ofertas de placas-mãe B650. Com elas, sobra mais orçamento para aquela memória DDR5 de baixa latência – ou para um upgrade futuro de GPU.
Com informações de Hardware.com.br