Imagine tentar proteger um cofre sem saber o que há lá dentro – ou sequer quantos cofres você possui. É exatamente assim que muitas empresas lidam com seus dados em 2024. Com mais de 402 milhões de terabytes gerados todos os dias – o suficiente para armazenar cerca de 100 bilhões de filmes em alta definição – manter visibilidade total deixou de ser luxo para virar questão de sobrevivência.
O novo vilão: dados que crescem na velocidade da IA
A popularização da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) acelerou ainda mais essa produção de informações. Documentos, imagens, modelos de aprendizado de máquina e registros de uso se multiplicam em servidores locais, nuvens públicas e dispositivos pessoais. Quanto maior o volume, maior a superfície de ataque – e basta um deslize para transformar esse ativo valioso em um passivo judicial.
Casos recentes provam o ponto. A norte-americana Change Healthcare sofreu um ransomware que expôs dados de 190 milhões de cidadãos, gerando interrupções operacionais, prejuízos milionários e investigações regulatórias. Incidentes assim impulsionam legislações mais rígidas: hoje, 79 % dos países já contam com algum tipo de lei de privacidade, incluindo a LGPD no Brasil e o GDPR na União Europeia.
DSPM em ação: visibilidade de ponta a ponta
Para evitar que a informação se torne “o problema”, ganhou força a sigla DSPM (Data Security Posture Management). Diferente das soluções tradicionais de DLP (Data Loss Prevention), que atuam apenas em pontos específicos, o DSPM faz um scanner contínuo em ambientes múltiplos – multi-cloud, on-premises e SaaS – mapeando tudo que contenha dados sensíveis, estruturados ou não.
Na prática, ferramentas de DSPM alimentadas por inteligência artificial:
- Descobrem automaticamente onde vivem dados confidenciais;
- Cruzam identidade ↔ permissão ↔ tipo de dado para revelar excessos de acesso;
- Detectam movimentos suspeitos em tempo real, reduzindo falsos positivos;
- Geram alertas e políticas dinâmicas que se ajustam ao contexto;
- Oferecem visão de risco centralizada para compliance (HIPAA, PCI-DSS, LGPD, GDPR).
No caso da Change Healthcare, especialistas estimam que um DSPM poderia ter indicado permissões excessivas, dados sensíveis sem criptografia e padrões de acesso atípicos antes que o ransomware se alastrasse.
Shadow data: o iceberg que consome orçamento
Até 80 % dos dados corporativos são classificados como “dark data” – informações esquecidas em repositórios obscuros. Além do risco de vazamento, esse fantasma pesa no bolso: estudos apontam desperdício de 30 % a 40 % em ferramentas redundantes e licenças ociosas. Um bom DSPM vasculha pastas de e-mail, buckets S3, bancos de dados não catalogados e aplicativos SaaS pouco usados, sinalizando redundâncias e indicando economia imediata.
Quem já investe e por quê
Segundo o Gartner, até 20 % das organizações adotarão DSPM até 2025 para enfrentar os desafios de privacidade e governança. Setores como saúde, finanças e varejo saem na frente, pressionados por regulamentações rígidas e multas pesadas.
Imagem: Internet
Integração total: do IAM ao SIEM
Para extrair o máximo valor, empresas como a alemã T-Systems integram plataformas líderes (CrowdStrike, Palo Alto Networks) com soluções de:
- IAM (Identity & Access Management) – gestão de identidades e privilégios;
- SIEM (Security Information & Event Management) – correlação de eventos;
- CSPM (Cloud Security Posture Management) – postura de nuvem;
- API Security – proteção das interfaces que conectam tudo isso.
Dessa forma, o DSPM deixa de ser “mais um painel” e passa a funcionar como um programa gerenciado, com monitoramento 24/7 e redução constante de risco.
O que isso significa para você (e para o seu bolso)
Seja você um CISO em busca de blindar iniciativas de IA ou um gestor de TI cansado de gastos obscuros, o recado é claro: não dá para defender o que não se enxerga. Ferramentas de DSPM dão a visibilidade que faltava, ajudam a cumprir legislações, evitam multas milionárias e ainda cortam custos de infraestrutura e software redundante.
Com ataques cada vez mais sofisticados e dados espalhados por todo lado, a pergunta deixou de ser “vale a pena?” e passou a ser “quanto custa ficar sem?”
Com informações de Computerworld