A força dos Macs atuais – e, em boa medida, do iPhone e iPad – atende pelo nome de Apple Silicon. Ao projetar seus próprios chips, a companhia conseguiu entregar ganhos de desempenho por watt que deixaram Intel, AMD e Qualcomm correndo atrás do prejuízo. Mas essa vantagem competitiva pode estar prestes a sofrer um abalo: segundo a Bloomberg, Johny Srouji, vice-presidente sênior de Tecnologias de Hardware e “pai” do Apple Silicon, avisou ao CEO Tim Cook que estuda deixar a empresa.
Por que a saída de Srouji seria um terremoto?
Desde a transição dos Macs para os chips M-series em 2020, Cupertino conquistou recordes de eficiência e desempenho. Para se ter ideia, o M3 Max entrega até 30% mais performance gráfica que o M2 Max, consumindo menos energia do que um notebook gamer com GPU dedicada da Nvidia. Essa maratona de evolução tem o dedo direto de Srouji, que comanda equipes em Israel, Califórnia e Europa.
Sem ele, a Apple perderia:
- Visão integrada de hardware e software – a chave para bater Windows em autonomia de bateria.
- Experiência em litografia avançada; o M3 já usa processo de 3 nm da TSMC.
- Capacidade de negociação com foundries, essencial para manter a frente em IA on-device.
Sucessão em jogo: quem pode assumir?
A Apple cogita promover Srouji a Chief Technology Officer (CTO) para mantê-lo na empresa. Caso ele decline, dois nomes ganham força:
- John Ternus, VP de Engenharia de Hardware – cotado inclusive para suceder Tim Cook.
- Engenheiros-chave do time de silício, como Jeff Wilcox (que já foi para a Intel) e Tim Millet.
O desafio? Stakeholders questionam a experiência diplomática de Ternus para ocupar o cargo máximo, e uma dança das cadeiras pode gerar “feudos” internos reminiscentes da era pré-Steve Jobs.
O que isso significa para você, usuário (e gamer)?
Para quem avalia trocar de Mac ou montar um PC gamer, o cenário de incerteza coloca algumas peças no tabuleiro:
- Ciclo de atualização: se a Apple atrasar o cronograma do M4 ou M5, notebooks com Intel Core Ultra e GPUs RTX 40 Series podem ganhar terreno em preço-performance.
- Suporte a jogos AAA: a Apple vem investindo em Metal 3 e em ferramentas que convertem títulos DirectX para macOS. Uma mudança de liderança pode desacelerar – ou acelerar – essa estratégia.
- Ecossistema de periféricos: mais gamers migrando para Macs significa maior demanda por mouses de alta taxa de polling, teclados mecânicos low-profile e headsets USB-C. Fique de olho, pois marcas como Logitech, Razer e HyperX já ampliam linhas compatíveis.
Impacto no mercado de chips
A possível saída de Srouji também interessa a players externos. A Intel sonhou com ele como CEO no passado; a AMD poderia seduzi-lo para turbinar projetos de APU com IA; e não seria absurdo vê-lo em startups de semicondutores especializadas em data centers ou carros autônomos.
Imagem: Jny Evans
Apple precisa vencer três batalhas simultâneas
Além de garantir a próxima geração do Apple Silicon, a empresa ainda tem de:
- Fortalecer sua narrativa de marca em momentos de ESG, privacidade e IA generativa.
- Mapear substitutos internos para cargos-chave antes que outros veteranos (como Greg Joswiak, de marketing, e Deirdre O’Brien, do varejo) se aposentem.
- Evitar guerras de poder que paralisem decisões estratégicas.
Falhar em qualquer uma dessas frentes pode corroer a confiança de investidores e, por tabela, a percepção de valor dos produtos – um prato cheio para quem compara MacBooks a ultrabooks Windows na hora da compra.
No fim das contas, o trono de Cupertino continua firme, mas as peças do tabuleiro se mexem como em Game of Thrones. Para nós, consumidores e entusiastas de hardware, resta acompanhar de perto: mudanças na casa-mãe costumam reverberar em preço, disponibilidade e até na variedade de acessórios compatíveis que encontramos na Amazon.
Com informações de Computerworld