A NVIDIA confirmou nesta semana, com o lançamento do driver 590.44.01 Beta para Linux, que as populares séries GeForce GTX 10 “Pascal” e GTX 900 “Maxwell” não receberão mais atualizações Game Ready no sistema do pinguim. Embora placas como a GeForce GTX 1080 Ti e a GTX 970 ainda estejam confortáveis em jogos a 1080p, a decisão sela o ciclo de vida de quase 11 anos dessas GPUs, levantando a pergunta: é hora de planejar um upgrade?
O que, exatamente, muda a partir de agora
Na prática, as GPUs afetadas continuarão funcionando com a série de drivers 581.80, lançada em outubro de 2025, que permanece disponível para download. Entretanto, não haverá mais:
- Otimizações para títulos recém-lançados — fundamentais para quem gosta de aproveitar cada frame em AAA atuais;
- Correções de bugs de desempenho ou estabilidade (apenas patches de segurança seguirão até outubro de 2028);
- Suporte às novas tecnologias de software da NVIDIA, como perfis de menor latência e melhorias em decodificação de vídeo.
Por que o Linux sentiu o corte primeiro?
Desde a geração Turing (RTX 20/GTX 16), as placas da NVIDIA trazem o GSP – GPU System Processor, que desloca parte da lógica do driver do kernel para o firmware da placa. Como Pascal e Maxwell não têm esse processador dedicado, a gigante verde precisaria manter código legado em paralelo — algo que ficou inviável dentro da estratégia de simplificação do driver unificado. No Windows, o fim do suporte total é questão de tempo; a versão 581.80 já foi anunciada como a última “completa”.
Impacto direto para gamers, criadores e home office
Se você usa sua GTX 1060 ou GTX 980 para e-sports como CS 2 ou Valorant, nada muda imediatamente — esses títulos já estão otimizados há anos. Para quem edita vídeo em 1080p ou trabalha em softwares 3D que não dependem de recursos modernos como ray tracing, o hardware continua competente.
O problema aparece quando falamos de jogos futuros com APIs atualizadas ou codecs mais novos. Sem drivers Game Ready, é provável que novas engines não extraiam o mesmo desempenho que uma RTX 4060 ou RX 7600 consegue hoje. Além disso, tecnologias como DLSS 3/3.5, Frame Generation e os recentes AV1 encoders não estão presentes em Pascal e Maxwell, o que pode representar gargalo em transmissões e criação de conteúdo.
Comparativo rápido: Pascal vs Turing / Ada Lovelace
Pascal (GTX 10)
– 16 nm, GDDR5/GDDR5X
– Sem ray tracing, sem DLSS
– NVENC H.264/H.265 (sem AV1)
– Máx. PCIe 3.0
Turing (GTX 16 e RTX 20)
– 12 nm, GDDR6
– Núcleos RT (apenas em RTX)
– DLSS 2.x
– NVENC H.264/H.265 melhorado
Ada Lovelace (RTX 40)
– 4 nm, GDDR6X
– RT de 3ª geração
– DLSS 3/3.5 + Frame Generation
– NVENC dual AV1 + H.265
Se seu foco é longevidade e acesso a novas funções, arquiteturas recentes oferecem salto expressivo de eficiência energética e recursos extras, além de FPS brutos.
Imagem: William R
Vale a pena trocar de placa agora?
Depende do seu perfil. Quem joga em 1080p competitivo pode extrair mais alguns anos da GTX, principalmente no Windows. Já entusiastas que pretendem atualizar para Cyberpunk 2077: Ultimate Edition ou aproveitar DLSS 3.5 Ray Reconstruction podem ter retorno imediato migrando para GPUs de entrada da linha RTX 40, hoje com consumo menor e suporte completo ao ecossistema NVIDIA Studio.
Outro ponto: com o mercado de usados aquecido, vender uma GTX 1070 Ti ou Titan X ainda rende um bom “troco” que diminui o investimento em opções modernas — inclusive modelos econômicos como a RTX 3050, frequentemente ofertados na Amazon com cupons relâmpago.
E se eu ficar onde estou?
Você continuará recebendo updates de segurança trimestrais até outubro de 2028. Jogos antigos rodarão bem, e tarefas corriqueiras seguirão estáveis. O único risco é perder FPS em lançamentos que dependam de APIs ou otimizações ausentes no driver 581.80. Se isso não incomodar, não há pressa.
No entanto, para quem quer usufruir das próximas inovações do ecossistema de GPUs — como ray tracing de path completo ou codificação AV1 em streaming 4K —, a decisão da NVIDIA é um lembrete de que, cedo ou tarde, será preciso dar aquele salto geracional.
Com informações de Hardware.com.br