Quem disse que um smartphone com a tela destruída é caso perdido? O criador de conteúdo ETA Prime acaba de provar o contrário ao transformar um Galaxy S20 FE trincado em um mini-PC completo – capaz de navegar, trabalhar e até emular consoles clássicos. A mágica foi possível graças ao Samsung DeX, alguns acessórios simples e um toque de criatividade que pode inspirar qualquer entusiasta a dar sobrevida ao seu antigo aparelho.
Por dentro do “novo” desktop
Lançado em 2020, o Galaxy S20 FE ainda traz um hardware respeitável para uso cotidiano. O Snapdragon 865, aliado a 6 GB de RAM LPDDR5 e armazenamento UFS 3.1, continua competitivo quando comparado a mini-PCs de entrada – e até supera muitos Chromebooks básicos vendidos hoje.
A placa-mãe permaneceu intacta mesmo após o display quebrar, o que abriu espaço para a modificação. Compatível de fábrica com o Samsung DeX, o S20 FE já conta com todos os drivers necessários para exibir uma interface desktop semelhante ao Windows ou macOS, bastando conectá-lo a um monitor externo via USB-C.
Componentes baratos, resultado premium
Para montar o “Frankenstein”, ETA Prime utilizou peças fáceis de encontrar em lojas online:
- Hub USB-C para HDMI com portas USB 3.0 e PD (“Power Delivery”) – acessório que também serve em tablets e notebooks modernos;
- Gabinete acrílico de Raspberry Pi – protege a placa-mãe sem bloquear o sinal Wi-Fi;
- Cooler de 5 V com ventoinha – semelhante aos modelos usados em PCs compactos ou roteadores.
A ventoinha é o diferencial: ao dissipar o calor gerado pelo Snapdragon 865 durante a saída de vídeo Quad HD (1440p), o modder eliminou o thermal throttling, aquela perda de desempenho comum quando a temperatura sobe demais.
Como ele se compara a outros mini-PCs?
Um paralelo interessante é o Raspberry Pi 4 B, referência em computação de baixo custo. Embora o Pi 4 seja excelente para projetos maker, o combo CPU/GPU Broadcom não alcança o mesmo nível de processamento gráfico do Snapdragon 865. Nos testes de ETA Prime, o S20 FE rodou vídeos em 1440p sem engasgos, algo que exige ajustes finos no Raspberry.
Outro concorrente óbvio são os mini PCs x86 baseados em Intel N100 ou Ryzen 3 3200U, populares em 2023/24. Eles oferecem portas nativas HDMI 2.0 e SSD NVMe, mas custam acima de R$ 1.000. Já um S20 FE usado com tela quebrada pode ser encontrado por menos da metade deste valor em sites de revenda.
Produtividade na prática
Conectado a um monitor de 24 polegadas, teclado mecânico e mouse gamer, o mini-desktop improvisado encarou sem esforço:
Imagem: William R
- Múltiplas abas no Chrome em versão Android;
- Planilhas Google e documentos Office 365 (aplicativos nativos);
- Streaming de vídeo em 1080p pelo YouTube e Netflix;
- Emulação de consoles até PlayStation 2, incluindo títulos como God of War e Gran Turismo 4 usando o emulador AetherSX2.
Para quem utiliza serviços na nuvem, o DeX ainda suporta desktop remoto e aplicativos Linux via Termux, ampliando o leque de possibilidades para programação básica e navegação SSH.
Impacto ambiental e economia criativa
Segundo a ONU, o mundo gera mais de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Reaproveitar smartphones “inservíveis” não só reduz essa montanha de resíduos como oferece uma máquina secundária para home office, estudos ou jogos retrô. A iniciativa mostra que, muitas vezes, o gargalo de desempenho mora mais no software do que no hardware.
Dá para repetir em casa?
Sim – e talvez com equipamentos que você já possui. Veja o checklist:
- Verifique se seu smartphone Samsung (linha S, Note ou alguns A) é compatível com DeX;
- Adquira um hub USB-C compatível com HDMI 1.4 ou 2.0 para máxima resolução;
- Escolha um gabinete pequeno (acrílico, alumínio ou 3D print) para acomodar a placa;
- Instale uma ventoinha de 5 V e use pasta térmica de qualidade para reduzir até 15 °C na CPU;
- Conecte mouse, teclado e armazenamento externo (pendrive ou SSD) para ganhar conforto.
Embora pareça um projeto de nicho, a tendência de reaproveitar celulares antigos cresce junto ao ecossistema de acessórios USB-C disponíveis em marketplaces como a Amazon, onde hubs, suportes ajustáveis e mini-coolers custam pouco mais de R$ 50. A economia, somada ao apelo sustentável, torna o upgrade uma alternativa real diante da alta nos preços de PCs tradicionais.
No fim das contas, o experimento de ETA Prime não é apenas um vídeo curioso de modding: ele redefine a vida útil do smartphone e mostra como a engenharia reversa combinada a soluções simples pode entregar desempenho equivalente ao de computadores básicos de prateleira.
Com informações de Hardware.com.br