Se você estava planejando turbinar o PC com mais memória ou trocar de placa-mãe ainda em 2025, talvez seja hora de apertar o freio. Relatórios de mercado apontam que os contratos de DRAM acumulam uma alta próxima de 170 % em comparação com o ano passado, e a tendência é de novos reajustes trimestrais entre 18 % e 23 % até, pelo menos, 2026. O aumento — puxado pela demanda de data centers e servidores de IA — já derrubou as vendas de placas-mãe e ameaça encarecer toda a cadeia de hardware de consumo.
A escalada histórica da DRAM
Para entender o impacto, basta olhar o preço médio por gigabyte: um kit DDR4 de 16 GB custava em torno de R$ 250 no fim de 2023; hoje já passa fácil dos R$ 600. No caso da DDR5, a inflação é ainda mais agressiva: módulos que rondavam R$ 450 (16 GB) já encostam em R$ 1.000. E não é só no Brasil — nos Estados Unidos, a cadeia de varejo também sente o baque.
Efeito dominó: placas-mãe e CPUs encalham
Com memória RAM virando artigo de luxo, muitos entusiastas adiam o upgrade completo. Resultado imediato: queda nas vendas de placas-mãe, o que puxa para baixo a procura por processadores Intel Core de 14ª geração e AMD Ryzen 7000. Analistas projetam que o último trimestre de 2025 pode registrar menos CPUs embarcadas do que o mesmo período de 2024, mantendo o mercado de PCs em ritmo lento depois do boom do home office.
Micro Center transforma RAM em “commodities”
Nos EUA, a rede Micro Center abandonou as etiquetas fixas: módulos DDR4 e DDR5 aparecem nas prateleiras sem preço, e o valor só é informado no balcão, como acontece com metais preciosos. A justificativa é a “alta volatilidade”, mas o recado para o consumidor é claro — o preço pode variar de um dia para o outro.
Quanto isso pesa no seu próximo PC?
A memória responde por 10 % a 20 % do custo de produção de um desktop ou notebook. Se a DRAM sobe 170 %, a indústria tenta amortecer distribuindo parte do aumento: PCs de entrada podem vir com 8 GB em vez de 16 GB, ou com frequências mais baixas. O usuário paga mais caro e leva menos performance — um golpe doloroso para gamers e criadores de conteúdo que dependem de multitarefa pesada.
Estratégias para economizar (e não ficar sem upgrade)
1. Segure o DDR5 se possível
Plataformas como a LGA 1700 da Intel e a AM5 da AMD já suportam DDR5, mas muitas placas-mãe ainda aceitam DDR4. Enquanto a diferença de preço estiver tão alta, ficar no DDR4 com kits de 32 GB pode oferecer melhor custo-benefício.
2. Olhe para bundles
Varejistas na Amazon costumam oferecer combos de placa-mãe + processador + RAM com desconto. Mesmo em alta, comprar o pacote pode sair mais barato que adquirir cada peça separadamente.
Imagem: William R
3. Aproveite liquidações relâmpago
Eventos como Prime Day e Black Friday ainda trazem boas ofertas, especialmente em kits de marcas menos badaladas (Adata, TeamGroup, PNY). Deixar alertas de preço ativos pode render economia de até 30 %.
4. Pense em notebooks “upgradáveis”
Se o objetivo é mobilidade, priorize laptops com slots SO-DIMM livres. Comprar a versão de 8 GB e adicionar mais 8 GB depois — quando o preço ceder — é uma tática para driblar a inflação da memória.
Quando a maré deve baixar?
Consultorias estimam que a oferta só comece a se estabilizar em 2026, quando novas fábricas da Samsung, SK Hynix e Micron focadas em nós de 1β (1-beta) estiverem plenamente operacionais. Até lá, fabricantes de PCs devem ajustar catálogos, e o consumidor precisa escolher entre pagar mais ou adiar a troca.
Em um cenário de incerteza, informação é a melhor ferramenta. Acompanhe variações de preço, planeje upgrades com antecedência e, sempre que possível, busque kits de memória compatíveis com sua placa-mãe atual — preservar a plataforma por mais um ciclo pode garantir economia significativa.
Com informações de Hardware.com.br