Imagine abrir um jogo de 2019, em pixel art, e dar de cara com a sua cidade natal dos tempos da União Soviética, bloco habitacional por bloco habitacional. Foi exatamente essa sensação que muitos europeus do Leste tiveram ao assistir ao vídeo do criador de conteúdo Kawit Kalash, que transformou o simples TheoTown em uma verdadeira máquina do tempo digital. O resultado — batizado de Tempgorod — é tão minucioso que gerou comentários como “você literalmente construiu minha cidade” nas redes sociais.
Por que isso chama tanta atenção?
Os jogos de construção de cidades voltaram a ficar em alta nos últimos anos, mas a maioria foca em metrópoles futuristas ou em releituras de Nova York e Paris. Reproduzir um planejamento urbano soviético, com suas regras rígidas, é um feito raro — principalmente em um título leve, que roda até em notebooks básicos sem placa de vídeo dedicada. Para o leitor entusiasta de hardware, isso significa que dá para experimentar complexas simulações urbanas mesmo em setups modestos, usando o velho chip gráfico integrado da sua CPU.
Anatomia de uma cidade soviética em pixels
Kalash não se limitou a copiar fachadas icônicas; ele pesquisou a fundo a evolução da arquitetura socialista:
- Stalinkas – prédios mais baixos e ornamentados do período de Stalin, ainda vistos em Moscou e São Petersburgo.
- Kruschevkas – blocos padronizados de até cinco andares, sem qualquer detalhe estético, pensados para suprir o déficit habitacional dos anos 1960.
- Brejnevkas – evolução direta das Kruschevkas, com mais andares e elevadores, posicionadas no coração de Tempgorod para simbolizar o “progresso” da época.
Cada microdistrito abriga de 8 a 12 mil habitantes, com escolas, quadras esportivas e pequenas lojas estrategicamente coladas aos prédios, exatamente como estava nos manuais de planejamento urbano soviéticos.
Trabalho, lazer e propaganda: tudo no lugar exato
Para sustentar a economia local, o criador ergueu uma fábrica de cimento na periferia, complementada por unidades menores para empregar o restante da população. Nos limites da cidade, casas rurais e campos de cultivo lembram a necessidade de importar alimentos em boa parte do território soviético. A cereja do bolo são dois marcos políticos: uma praça de propaganda comunista e uma estátua em memória da Grande Guerra Patriótica, alinhadas na via arterial que corta todo o mapa.
Reação da comunidade gamer
O vídeo viralizou sobretudo entre jogadores europeus, que reconheceram de imediato a proporção entre blocos, a logística escolar e até a transição abrupta entre áreas urbanas e zonas rurais. “Você moraria nessa cidade?” perguntou um inscrito. A resposta de outro usuário não poderia ser mais direta: “Amigo, eu já moro”.
Imagem: William R
Quer experimentar? Requisitos quase nulos
Disponível na Steam por R$ 32,99 e também em versões para Android e iOS, TheoTown pesa menos de 200 MB e pode ser executado em qualquer PC com 4 GB de RAM e Windows 7 ou superior. Uma vantagem para quem ainda está com uma GTX 750 Ti ou usa o gráfico integrado do Ryzen: a engine 2D do jogo foca em CPU, então até mesmo um mouse gamer básico e um teclado mecânico já são suficientes para tocar sua própria “Moscou” particular.
O que isso significa para você?
Se você é fã de city builders como SimCity 2000 ou Cities: Skylines, mas não possui um setup parrudo, TheoTown aparece como alternativa perfeita. Além disso, a comunidade de mods — a mesma que Kalash utilizou para texturas soviéticas — cresce a cada dia, permitindo que você recrie desde capitais latino-americanas até metrópoles cyberpunk, tudo sem travamentos.
No fim das contas, Tempgorod não é só uma aula de história em forma de pixels: é a prova de que, com criatividade e algumas extensões gratuitas, qualquer PC de entrada pode se transformar em um estúdio de urbanismo completo.
Com informações de Hardware.com.br