Depois de 14 anos atrás da Samsung, a Apple está prestes a recuperar — e conservar — a primeira posição em vendas de smartphones no mundo. É o que aponta a consultoria Counterpoint Research, prevendo um crescimento de 10 % nos embarques de iPhone em 2024 e uma fatia de mercado de 19,4 % já em 2025. Se o cenário se confirmar, a Maçã deve permanecer no topo até, pelo menos, 2029.
Do iPhone 4S à virada de jogo: o que mudou?
A perda de fôlego aconteceu em 2010, logo depois do lançamento do iPhone 4S — aparelho que marcou o fim da era Steve Jobs. Desde então, a Samsung dominou o ranking anual. O retorno da Apple ao pódio não é fruto de um único lançamento, mas sim de uma combinação de fatores estratégicos que vão muito além do design premium ou do processador proprietário.
Ciclo de troca pós-pandemia impulsiona novas compras
Milhões de usuários que compraram smartphones no auge do home office agora chegam ao fim do ciclo de três a quatro anos de uso. Segundo o analista Yang Wang, da Counterpoint, essa “onda de atualização” é o motor principal da previsão otimista para a linha iPhone 17 — aguardada para setembro.
Mercado de usados: porta de entrada (e de saída) para o iOS
Os iPhones conservam valor por mais tempo que concorrentes Android, criando um ciclo virtuoso: 358 milhões de unidades seminovas devem trocar de mãos entre 2023 e o segundo trimestre de 2025. Quanto mais gente experimenta um aparelho usado, maior a propensão de migrar para um modelo novo na próxima compra — algo que beneficia não só a Apple, mas também quem comercializa cases, carregadores e acessórios compatíveis (já disponíveis no catálogo da Amazon).
Tarifas EUA-China e cadeia de suprimentos diversificada
As tensões comerciais iniciadas em 2019 aceleraram a regionalização da produção da Apple. Hoje, o volume de iPhones “Made in India” cresce rapidamente, reduzindo riscos logísticos e custos de importação. Isso fortalece a presença da marca em mercados emergentes e pressiona rivais que não conseguem negociar contratos de longo prazo para componentes.
Pressão extra sobre a concorrência Android
Enquanto os custos de chips e módulos de câmera sobem — alimentados por IA e pela demanda de PCs e data centers —, fabricantes menores enfrentam margens cada vez mais apertadas. A Apple, por outro lado, expande o portfólio: séries “e” de entrada premium, possíveis ajustes no calendário do iPhone Pro e mais variações de capacidade. Resultado: a gigante ataca dos US$ 500 aos US$ 1.600, território antes dominado por Xiaomi, Motorola e Samsung Galaxy A.
Imagem: Jny Evans
Ecossistema iOS: a arma secreta
Compatibilidade entre Mac, iPad, Apple Watch, AirPods e serviços como iCloud gera fidelização rara. Para quem joga, por exemplo, recursos como MetalFX Upscaling e suporte nativo a controles DualSense tornam o iPhone cada vez mais atraente como portátil AAA — e acessórios como grips, coolers magnéticos e power banks MagSafe viram compras quase automáticas.
O que tudo isso significa para você?
• Se pretende trocar de telefone ainda este ano, espere uma oferta maior de modelos Apple em todas as faixas de preço.
• A permanência da marca no topo tende a reduzir promoções agressivas dos concorrentes, mas favorecer descontos sazonais em gerações anteriores de iPhone — ótimos para quem busca performance de flagship com preço de intermediário.
• O mercado de usados continua aquecido: vender seu iPhone atual deve ajudar a financiar o novo sem grandes perdas.
• A pressão sobre componentes pode encarecer Androids premium em 2025, aproximando ainda mais seus preços dos iPhones. Fique de olho nas fichas técnicas (RAM, processador, suporte a atualizações) antes de bater o martelo.
No fim das contas, o retorno da Apple à liderança reflete um ecossistema que entrega longevidade e valor de revenda, pontos decisivos na experiência do usuário — e na gaveta do comprador.
Com informações de Computerworld