O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que cria uma força-tarefa no Departamento de Justiça para contestar leis estaduais que regulam inteligência artificial. Na prática, Trump quer federalizar o tema, alegando que a “colcha de retalhos” de quase 700 projetos de lei abertos em 2024 ameaça a competitividade norte-americana.
O que a ordem executiva determina
• Criação da AI Litigation Task Force no Departamento de Justiça, encarregada de processar ou anular leis estaduais consideradas inconstitucionais ou que conflitem com políticas federais.
• Avaliação, pelo Departamento de Comércio, de cada lei estadual de IA; estados que não se alinharem podem perder verbas do programa Broadband Equity, Access and Deployment.
• A FTC terá de esclarecer quando regras estaduais que “alterem saídas verídicas” de modelos de IA são pré-empcionadas pelas leis federais de práticas comerciais desleais.
• A FCC estuda criar um padrão nacional de relatório e transparência para modelos de IA, sobrepondo normas estaduais.
Por que Trump mira os estados
Exemplos citados pelo texto incluem a Colorado AI Act, que proíbe discriminação algorítmica e entra em vigor em 2026, e a SB-53 da Califórnia, que exige transparência em decisões de RH movidas por IA. Segundo Trump, regras assim poderiam “forçar modelos a mentir” para evitar impactos diferentes entre grupos protegidos.
Como isso afeta desenvolvedores e empresas de TI
• Menos obstáculos em casa, mais fôlego ao P&D: se a ordem prosperar, startups e grandes players poderiam acelerar lançamentos nos EUA sem adequar produtos a 50 legislações diferentes.
• A conta chega na UE: quem vender para a Europa seguirá preso ao EU AI Act, que já exige auditorias de risco, governança e human-in-the-loop. Ou seja, compliance duplo é inevitável.
• Pressão por infraestrutura: na prática, produtos de IA consomem GPUs topo de linha (NVIDIA RTX 4090, H100, ou novas AMD Instinct MI300) e energia em escala de data center. Menos burocracia pode acelerar compras dessas placas, servidores e sistemas de refrigeração, beneficiando quem vende hardware high-end.
A corrida do hardware: GPUs, data centers e energia
A cada novo modelo de linguagem ou ferramenta generativa, cresce a demanda por placas potentes. Se os EUA flexibilizarem regras, o mercado interno tende a antecipar upgrades — tanto entusiastas que treinam modelos em casa quanto provedores de nuvem como AWS e Microsoft Azure. Resultado? Mais procura por:
• GPUs gamer de ponta (RTX 4080/4090) — usadas para fine-tuning em pequena escala.
• Placas profissionais como NVIDIA H100 ou AMD MI300 para clusters.
• SSDs NVMe de alta capacidade e fontes de alimentação robustas — itens com margens atraentes em programas de afiliados.
Imagem: Gyana Swain
Europa segue o caminho oposto
Enquanto Trump fala em “menos regulação”, o AI Act europeu já virou referência global. Analistas destacam que multinacionais tendem a padronizar suas políticas internas pelo padrão mais estrito para evitar retrabalho. Ou seja, mesmo que Trump vença a briga doméstica, empresas continuarão criando salvaguardas éticas, bias testing e logs de auditoria — tudo isso exige infraestrutura de TI e profissionais especializados.
E agora?
A ordem executiva ainda pode enfrentar contestações judiciais e depende do Congresso para virar lei permanente. No curto prazo, porém, já envia um recado: o governo republicano quer remover barreiras para quem desenvolve IA dentro dos EUA. Para o consumidor final — e para quem pensa em montar um novo PC para projetos de machine learning — isso pode significar lançamentos mais rápidos e, potencialmente, preços melhores em hardware, já que a demanda doméstica cresce sob ambiente regulatório favorável.
Fique de olho: se você acompanha o mercado para decidir qual placa de vídeo ou servidor comprar, a evolução desse embate regulatório pode determinar onde e quando as fabricantes vão disponibilizar seus produtos mais avançados.
Com informações de Computerworld