Depois de uma onda de críticas que tomou conta das redes sociais — e de órgãos que defendem direitos de imagem — a Meta resolveu desligar o Muse Image, primeiro modelo generativo de imagens do recém-criado Meta Superintelligence Labs. O recurso, que chegou a aparecer no menu de configurações do Instagram na terça-feira (07), permitia que qualquer pessoa citasse perfis públicos para alimentar a IA com fotos alheias. Em menos de quatro dias, a ferramenta foi retirada do ar silenciosamente.
Por que o Muse Image causou tanta polêmica?
O modelo era integrado ao chatbot Meta AI e funcionava como “matéria-prima” para criar imagens a partir de fotos de terceiros. A ideia até parece divertida para quem gosta de brincar com IA, mas o detalhe que revoltou usuários foi o ativamento automático por padrão, sem um opt-in claro. Na prática, qualquer post público virava insumo para gerações que poderiam resultar em deepfakes ou réplicas digitais sem consentimento.
Para piorar, profissionais de mídia e artistas, como a atriz vencedora do Emmy Hannah Einbinder (Hacks), descobriram a novidade por acaso. Ela usou o próprio Instagram para alertar seguidores sobre a função e recomendou desligá-la imediatamente. No dia seguinte, o sindicato SAG-AFTRA reforçou o coro, chamando de “inaceitável” qualquer uso de imagem que não parta de autorização explícita.
Meta admite erro e aciona o “plano B”
Em comunicado enviado à imprensa, a companhia de Mark Zuckerberg afirmou que pretendia oferecer “uma ferramenta criativa útil” e dar “mais controle” às pessoas. A realidade, contudo, mostrou o oposto: faltou transparência e sobrou preocupação com privacidade. Diante da repercussão negativa, a Meta retirou o Muse Image de circulação sem alarde — nem mesmo um pop-up de aviso apareceu no aplicativo.
Quem abriu o Instagram neste fim de semana já não encontra a opção nos ajustes (pelo menos na versão para Android testada pelo Tecnoblog). No iOS, tudo indica que a remoção também foi feita via back-end, sem atualização obrigatória.
Como saber se a função sumiu para você
• Abra o Instagram > Configurações > Privacidade.
• Procure por “Conteúdo gerado por IA” ou “Meta AI”.
• Se nada aparecer, significa que o Muse Image já foi desativado na sua conta.
Caso o item ainda exista, basta tocar nele e selecionar “Não permitir”. O processo não afeta suas fotos nem limita outras funcionalidades da rede.
O que essa “pisada no freio” ensina sobre IA e redes sociais
1. Opt-in importa: usuários querem escolher se suas informações alimentam modelos de IA. Plataformas que ignoram esse princípio correm o risco de enfrentar backlash — e até processos.
2. Concorrência observa: OpenAI (DALL·E 3), Midjourney e Stable Diffusion possibilitam upload de imagens, mas nenhuma ativa o recurso com conteúdo de terceiros sem permissão. O tropeço da Meta vira alerta para todo o setor.
Imagem: Vitor Pádua
3. Creators em alerta: quem vive de imagem — fotógrafos, streamers, gamers — precisa redobrar cuidados. Marcar posts como privados ou usar marcas-d’água pode inibir roubos de identidade digital.
E agora, qual o futuro do Meta AI no Instagram?
A Meta sinalizou que novas versões da ferramenta virão “quando estiverem alinhadas às expectativas da comunidade”. Rumores internos apontam que a empresa estuda um modelo de opt-in granular, permitindo que o usuário escolha quais tipos de conteúdo podem treinar a IA — fotos de paisagens, mas não imagens de rosto, por exemplo.
Enquanto isso, as funcionalidades menos controversas do assistente — como respostas baseadas em busca, sugestões de legenda e geração de stickers — continuam ativas. Para quem publica reviews de hardware, unboxings ou gameplays, essas ferramentas ainda podem acelerar a produção de posts, mesmo sem o Muse Image.
Fique de olho
Se você é entusiasta de tecnologia, privacidade ou creator profissional, a dica é ficar atento a cada pop-up de permissão. À medida que ferramentas de IA se tornam tão comuns quanto filtros, entender termos de uso vale tanto quanto escolher o melhor mouse gamer ou a placa de vídeo ideal para o seu setup.
No final das contas, a lição é simples: não existe magia da inteligência artificial sem dados — e esses dados costumam ser nossos. Quanto mais informado você estiver, melhores serão suas decisões, seja ao proteger suas fotos, seja ao investir em um novo hardware.
Com informações de Tecnoblog