Um suposto “furo” publicado na manhã desta quinta-feira (3) agitava os fóruns de tecnologia ao afirmar que a Intel assumiria a produção do A20, processador do futuro iPhone 18. Horas depois, porém, a história mudou de rumo: o leaker Jukan, conhecido por acertos na cadeia de suprimentos da Apple, desmentiu a informação. Resultado? Tudo indica que a TSMC continuará sendo a única responsável pelo silício de 2 nm que dará vida ao smartphone da Apple em 2026/2027.
De onde veio – e para onde foi – o boato
O rumor partiu do perfil chinês Fixed Focus Digital, no Weibo. Ele alegava ter encontrado, em documentos internos vazados da Tata Electronics, referências claras ao uso do processo Intel 18A (1,8 nm) no chip A20. A história ganhou tração porque a Intel busca clientes de peso para sua recém-renovada divisão de fundição, e a Apple seria o “troféu” perfeito.
Mas a celebração durou pouco. Jukan revisou o mesmo material e declarou no X (antigo Twitter) que nenhuma menção ao A20 fabricado pela Intel foi encontrada
. Ele foi além, chamando o rival de “fanfarrão conhecido”. Na prática, o mercado voltou ao script desenhado meses atrás: Apple e TSMC seguem juntas até, pelo menos, o iPhone 19.
O cronograma que (ainda) faz sentido
De acordo com fontes na indústria, o roadmap de chips móveis da Apple permanece assim:
- A18 (N3E, 3 nm) – 2025
- A19 (N3P, 3 nm refinado) – 2026
- A20 (2 nm) – 2026/2027
- A22 (18A-P ou 14A, Intel) – 2028
- A22 Pro (1,4 nm, TSMC) – 2028
Repare que a primeira janela realista para a Intel entregar um chip de iPhone é 2028, possivelmente com o A22. Antes disso, o volume colossal exigido pela Apple segue amarrado à capacidade de 2 nm da TSMC — nó no qual a rival taiwanesa investe dezenas de bilhões de dólares.
Por que a Apple não muda de fornecedor agora?
A resposta é simples: risco e timing. Da fase de design à certificação, um processador de iPhone leva de 18 a 24 meses para ficar pronto. Trocar de fundição nessa reta final poderia comprometer desempenho, eficiência energética e, sobretudo, cronograma de lançamento. A Apple já tem histórico de atrasar produtos para não sacrificar a experiência do usuário — e “recomeçar do zero” em outro nó de fabricação seria um atraso caro demais.
O que o A20 de 2 nm deve entregar ao consumidor?
Se a evolução dos últimos ciclos se mantiver, o salto para 2 nm tende a oferecer:
- Até 25% a mais de performance em CPU e GPU em relação ao A19;
- Economia de energia de dois dígitos, crucial para sustentar telas maiores e conectividade 5G/6G;
- Núcleos dedicados a IA generativa on-device, algo que já aparece timidamente no A18;
- Suporte nativo a memórias LPDDR6, abrindo margem para iPhones de entrada com 12 GB de RAM.
Em termos práticos, jogos como Genshin Impact ou Call of Duty Warzone Mobile poderão rodar a 120 fps constantes, enquanto a gravação de vídeo em 8K HDR deverá consumir menos bateria.
Imagem: Internet
E a Intel, fica a ver navios?
Não exatamente. O pré-acordo assinado em maio deste ano prevê que a Apple já recebeu o PDK (kit de desenvolvimento) do nó 18A-P. Engenheiros em Cupertino testam o fluxo de design enquanto a Intel finaliza fábricas no Arizona e em Ohio. Ou seja, a porta continua aberta — só não no curto prazo.
Impacto no mercado e nas ações
Curiosamente, o vai-e-vem aconteceu enquanto as bolsas dos EUA estavam fechadas pelo feriado de 4 de julho. Caso contrário, a ação da Intel poderia ter sentido um rally de alta e queda no mesmo dia, algo típico sempre que “encomendas da Apple” entram no radar.
Fique de olho
• Se você planeja trocar de iPhone, o ciclo de 2 nm marca o maior avanço em eficiência desde o A17 Pro (3 nm).
• Para quem monta PCs, observar a curva de aprendizado da Intel na fundição 18A pode revelar muito sobre futuros processadores Core e placas Arc.
• A saturação do empacotamento CoWoS da TSMC já força a Apple a considerar o EMIB, tecnologia que a Intel domina — e isso vale ouro no mercado de IA.
No fim das contas, o A20 continua seguro nas mãos da TSMC, e a estreia da Intel na linha de iPhones foi, por enquanto, adiada para 2028. Até lá, a cada novo rumor, a recomendação é a mesma: cautela e olho nos relatórios financeiros das fabricantes de chips.
Com informações de Mundo Conectado