A OpenAI, dona do ChatGPT, está considerando transferir 5% de seu capital para o governo norte-americano em um modelo de fundo soberano que pagaria dividendos à população, nos moldes do Alaska Permanent Fund. A proposta foi levada diretamente ao ex-presidente Donald Trump e a membros estratégicos de seu gabinete, segundo o Financial Times. Se sair do papel, seria a primeira vez que uma big tech de IA distribui participação acionária para cidadãos comuns, reabrindo a discussão sobre como socializar os ganhos bilionários da nova revolução tecnológica.
Como funcionaria o “Alaska da Inteligência Artificial”
Idealizado pelo CEO Sam Altman, o plano prevê que OpenAI, Anthropic e outras gigantes de IA aloquem 5% de suas ações em um veículo estatal. Os rendimentos seriam repassados anualmente a todos os americanos, independentemente de investimento prévio – exatamente como ocorre no Alaska, onde famílias recebem cheques anuais bancados pelas receitas do petróleo.
Para Altman, o boom da IA replica o impacto que o petróleo teve na economia do século XX. “Se estamos criando um ativo estratégico que gera produtividade e lucros recordes, é justo que a população participe dessa riqueza”, argumentou o executivo em reuniões privadas com:
- Donald Trump – ex-presidente dos EUA;
- Howard Lutnick – Secretário de Comércio;
- Scott Bessent – Secretário do Tesouro;
- Bernie Sanders – senador democrata por Vermont.
Por que isso importa para quem usa IA hoje?
Na prática, a criação de um fundo cidadão pode:
- Acelerar a regulação: governos teriam incentivo financeiro direto para que as empresas prosperem, mas também responsabilidade por segurança e transparência.
- Estimular novas aplicações: parte dos dividendos poderia financiar pesquisa acadêmica, startups e infraestrutura em nuvem – bom para quem depende de IA em games, design ou programação.
- Reduzir desigualdades: ao distribuir capital, usuários de classe média poderiam, por exemplo, reinvestir em hardware – de placas de vídeo a SSDs NVMe – para tirar proveito de recursos locais de IA.
Lições de um precedente: o caso Intel
Não seria a primeira vez que Washington vira acionista. Em 2020, após críticas públicas, o governo Trump comprou 10% da Intel, gesto que destravou subsídios e reposicionou a companhia na corrida dos semicondutores. Internamente, assessores veem esse movimento como “prova de conceito” para a fatia de 5% agora sugerida à OpenAI.
Abertura de capital estacionada (por enquanto)
A OpenAI está avaliada em US$ 852 bilhões, mas sua oferta pública de ações (IPO) só deve ocorrer depois de 2025. A Anthropic também confidenciou pedido de IPO, sem data divulgada. A entrada do governo no cap table pode:
Imagem: Internet
- Elevar a confiança de investidores institucionais;
- Estabilizar as ações em meio à volatilidade do setor;
- Trazer maior escrutínio do Congresso, prolongando o cronograma de listagem.
Nem todo mundo concorda com 5%
Se a OpenAI aposta em um “dividendo social” de 5%, o senador Bernie Sanders defende metade do capital das big techs de IA em mãos públicas. Já a Anthropic estuda um dividendo digital financiado por imposto setorial – sem diluição acionária. O consenso, porém, é claro: há pressão política para que a riqueza gerada pela IA não fique concentrada em poucas mãos do Vale do Silício.
Impacto no mercado de hardware (e por que você deve ficar de olho)
Quanto mais capital circular em torno da IA, maior a demanda por GPUs de alto desempenho, placas-mãe compatíveis com PCIe 5.0 e fontes de alimentação robustas – o coração das grandes fazendas de servidores que treinam modelos como o GPT-5. Para o usuário doméstico, isso pode significar:
- Oferta ampliada de GPUs gamer, já que fabricantes como NVIDIA e AMD tendem a expandir linhas para IA e jogos;
- Queda gradual de preços em processadores multicore, impulsionada pela competição de novos chips aceleradores de IA (olho nos futuros Ryzen AI e Intel Lunar Lake);
- Mais laptops com NPU dedicada chegando ao varejo brasileiro em faixas de preço menos proibitivas.
Próximos passos
As negociações ainda estão no estágio inicial e, caso avancem, dependerão de aval do Congresso norte-americano. Até a publicação deste texto, nem OpenAI nem Casa Branca comentaram publicamente o tema. O fato é que a ideia de “dividendo universal de IA” ganhou tração em Washington, e o mercado — de softwares a hardwares — precisa se preparar para um futuro em que cidadãos possam ser, literalmente, sócios da próxima grande onda tecnológica.
Com informações de Mundo Conectado