Enquanto o valor de mercado das gigantes de Inteligência Artificial dispara, o senador Bernie Sanders (Vermont) quer garantir que a população norte-americana também colha os frutos. Ele apresentou o American AI Sovereign Wealth Fund Bill, projeto que prevê que o governo assuma 50% de participação acionária nas maiores empresas de IA dos Estados Unidos — justamente num momento em que OpenAI e Anthropic se preparam para abrir capital (IPO).
O que está em jogo no projeto
A proposta cria um fundo soberano nos moldes do que já existe em países como a Noruega, cujo fundo hoje soma cerca de US$ 2 trilhões. A diferença, segundo Sanders, é dar à sociedade poder não só de receber dividendos, mas também de influenciar o ritmo e a direção do desenvolvimento da IA. “A base da IA é o conhecimento coletivo da humanidade. A população precisa ter voz para garantir que essa tecnologia beneficie a todos, não apenas os mais ricos”, justificou o senador.
Por que agora?
Além dos IPOs no horizonte, outras vozes têm defendido uma participação pública no setor. A própria OpenAI já sugeriu um “Public Wealth Fund”, e a Anthropic também flerta com a ideia de um fundo soberano para orientar o comportamento do mercado. Até conselheiros do ex-presidente Donald Trump teriam discutido algo semelhante, segundo veículos norte-americanos.
Impacto para usuários e para o mercado de hardware
Se aprovado, o projeto pode alterar o xadrez competitivo de todo o ecossistema de IA, inclusive o mercado de GPUs e de aceleradores dedicados como as placas Nvidia H100 ou AMD Instinct. A entrada do governo como acionista majoritário tende a:
- Estabilizar a demanda por hardware: contratos governamentais de longo prazo podem suavizar picos de escassez, o que em teoria ajuda a conter aumentos abruptos de preço para data centers — e, indiretamente, para gamers e criadores que disputam as mesmas GPUs high-end.
- Acelerar pesquisa em IA eficiente: políticas públicas podem priorizar arquiteturas menos vorazes em energia, abrindo caminho para CPUs e GPUs mais otimizadas em desktops e notebooks de consumo.
- Fomentar concorrência em semicondutores: ao exigir diversidade de fornecedores, o fundo pode beneficiar players como AMD, Intel e até startups de chips dedicados, impactando positivamente a oferta de componentes no varejo.
Como funcionaria o fundo soberano de IA
O texto do American AI Sovereign Wealth Fund Bill ainda não detalha o critério de seleção das “maiores” empresas. Mas nos bastidores, analistas apostam em um recorte baseado em valor de mercado, número de usuários ou patentes registradas. A compra de participação se daria com recursos públicos, criando um fluxo de dividendos que seriam redistribuídos — possivelmente em programas de educação, inclusão digital ou infraestrutura de nuvem pública.
Comparação com outros modelos internacionais
No caso da Noruega, os lucros do petróleo sustentam o fundo, que aplica em ações globais e devolve rendimentos à população via aposentadoria. Já o modelo sugerido por Sanders mira diretamente a economia digital, que cresce a taxas de dois dígitos ao ano. Para especialistas, colocar IA no mesmo patamar estratégico do petróleo reforça a ideia de que dado e poder computacional são os novos recursos naturais.
Próximos passos
O projeto precisará passar por comissões no Senado e na Câmara, onde enfrentará resistência de setores que temem intervenção excessiva do Estado no mercado. Ainda assim, o debate coloca pressão sobre Big Techs e força outras propostas regulatórias a avançar — especialmente em transparência algorítmica e direitos trabalhistas em treinos de IA.
Para quem monta PCs ou depende de GPUs para renderização, ficar de olho nessa pauta faz sentido: qualquer mudança na estrutura de capital das empresas de IA pode reverberar nos preços e na disponibilidade de hardware no varejo brasileiro.
Com informações de Computerworld