Em pleno 2024, quando pendrives de 1 TB cabem no bolso e SSDs NVMe atingem 14 GB/s, existe um nicho que permanece preso aos 1,44 MB do velho disquete de 3,5”. À frente desse mercado improvável está o norte-americano Tom Persky, fundador do site Floppydisk.com, um e-commerce que parece ter congelado no tempo, mas que continua abastecendo equipamentos médicos, máquinas de bordado e até aviões civis que ainda dependem da mídia magnética.
Como tudo começou: do software fiscal ao negócio de nicho
Persky não é apenas um saudosista. Ele trabalhava no desenvolvimento de software para uma empresa tributária nos anos 1990, época em que distribuir programas em disquetes era padrão. Quando gigantes como CompUSA e Best Buy pararam de estocar a mídia, ele percebeu uma oportunidade: virar o fornecedor mundial de um produto que ninguém mais queria vender.
Um site dos anos 1990… que segue lucrativo
A página inicial do Floppydisk.com remete aos tempos do dial-up, mas os preços são bem atuais:
- Pacote com 10 disquetes novos: US$ 10
- Kit “profissional” com 10 unidades: US$ 14,95
- Lote reciclado de 50 peças: US$ 39,95
- 50 disquetes recém-formatados: US$ 59,95
Além da venda, o site oferece serviços de recuperação de dados, reciclagem de drives e transferência de arquivos de disquetes, Zip Drives e até programas fotográficos antigos de Kodak, Walmart e Seattle Film Works para mídias modernas como pendrives.
Por que alguém ainda precisa de disquetes?
Diferentemente do colecionador que compra 10 unidades por nostalgia, o “faturamento pesado” vem de indústrias que não podem simplesmente atualizar sua infraestrutura:
- Equipamentos médicos certificados em normas rígidas, onde qualquer modificação exige reteste e homologação.
- Máquinas de bordado cujo firmware só aceita leitura via drive de disquete.
- Sistemas de aviação civil projetados para durar décadas e cuja troca de software custaria milhões.
Para esse público, adquirir um pacote de disquetes por dezenas de dólares ainda é mais econômico do que substituir todo o hardware embarcado.
Confiável, estável e “quase impossível de hackear”
Em entrevista ao Eye on Design, Persky defendeu que o disquete é “muito confiável, muito estável e uma tecnologia amplamente compreendida”. Outro argumento curioso: a baixa capacidade torna a mídia pouco atraente para hackers, funcionando como uma barreira física contra ataques modernos.
Imagem: William R
Disquete versus armazenamento moderno: um choque de gerações
Para colocar em perspectiva, um único arquivo RAW de câmera DSLR (cerca de 30 MB) exigiria 21 disquetes. Já um SSD NVMe de 2 TB — facilmente encontrado em promoções na Amazon — pode guardar 1,4 milhão desses disquinhos. Ainda assim, em aplicações industriais onde a troca de dados não passa de alguns kilobytes de configuração, os 1,44 MB continuam mais do que suficientes.
O que isso significa para o consumidor de hoje?
Se você é gamer, criador de conteúdo ou trabalha com grandes bases de dados, um disquete obviamente não faz sentido. Entretanto, a história de Persky reforça um ponto importante ao escolher componentes de PC: longevidade e compatibilidade. Produtos que mantêm padrões amplamente aceitos — como USB-A, SATA ou PCIe — tendem a sobreviver a várias gerações, assim como o disquete sobreviveu em nichos muito específicos.
Na prática, ao avaliar um novo SSD, placa-mãe ou teclado mecânico, vale considerar não apenas desempenho, mas também suporte e durabilidade. Afinal, ninguém quer ficar “preso” a um conector proprietário amanhã.
No fim das contas, o Floppydisk.com é mais do que um ponto fora da curva: é um lembrete de que, em tecnologia, o “obsoleto” pode continuar essencial quando o custo de atualização é alto demais.
Com informações de Hardware.com.br