Uma mudança discreta, mas com impacto direto na sua privacidade, começou a ser distribuída pela Google nos últimos dias. A partir de agora, imagens, vídeos, arquivos e áudios enviados por você ao Google Lens, à Busca e ao Gemini passam a ser armazenados e usados para treinar modelos de Inteligência Artificial da empresa. O recurso, batizado de Search Services History (“Histórico de Serviços de Pesquisa”), vem ativado por padrão. Quem prefere manter esses dados fora dos laboratórios da Big Tech precisará agir manualmente — e rápido.
O que muda, na prática?
Até então, o histórico de pesquisas salvava essencialmente termos digitados e links acessados. Com a atualização, todo o material multimídia fornecido ao pesquisar um objeto com a câmera do celular ou ao ditar um comando de voz poderá ser usado pela Google para “desenvolver e melhorar serviços e tecnologias, incluindo modelos de IA e medidas de segurança”.
A companhia afirma que os arquivos são desvinculados da sua identidade antes de entrar na base de treinamento e que filtros automáticos removem “informações pessoais sensíveis”. Ainda assim, muitas pessoas — sobretudo profissionais que lidam com documentos corporativos ou gamers que exibem telas de partidas gravadas — podem não querer suas mídias circulando nos bastidores da nuvem.
Como desativar o Search Services History agora
Felizmente, bastam poucos cliques para impedir a coleta:
- Acesse myactivity.google.com/activitycontrols e faça login na conta Google que você utiliza no smartphone, PC ou Chromebook.
- Procure a nova seção Search Services History. Se ela já apareceu para você, desmarque a opção Save media (Salvar mídia). Isso corta apenas a retenção de arquivos multimídia, mantendo suas buscas de texto para personalização futura.
- Se a seção ainda não estiver visível (o que é comum nesta fase de liberação), há dois caminhos temporários:
- Desativar todo o “Web & App Activity”. Isso bloqueará qualquer histórico — multimídia ou não — até que o novo painel surja. O lado negativo é perder sugestões baseadas no que você pesquisou.
- Ou, se preferir menor impacto, apenas desmarque “Incluir atividade de voz e áudio” e “Incluir histórico de pesquisa visual” na mesma página. Agende um lembrete semanal para voltar ali e confirmar se o Search Services History foi criado e se o Save media continua desligado.
Por que isso importa para quem joga ou trabalha com mídia?
Arquivos de alta resolução — gravados por webcams dedicadas ou placas de captura, por exemplo — carregam metadados valiosos, como localização e configurações da câmera. Num PC gamer equipado com GPUs RTX ou placas Radeon, é comum enviar clipes de jogatina ao YouTube ou ao Google Fotos para compartilhar “highlights”. Esses mesmos vídeos podem parar no banco de dados da IA da empresa e ajudar a refinar algoritmos de reconhecimento de objetos, cenários e até estratégias de jogo.
Se você utiliza um smartphone topo de linha com sensor de 200 MP, os arquivos fotográficos trazem um nível de detalhe que se torna altamente desejável para treinos de machine learning. O mesmo vale para quem edita podcasts e costuma pesquisar trechos de áudio no navegador.
Concorrência: como Apple e Microsoft tratam dados de IA
Para contexto, a Apple processa grande parte das requisições da Siri localmente, graças ao Neural Engine embutido nos chips da série A e M — evitando que gravações de voz sejam enviadas para servidores externos. Já a Microsoft, com o Copilot, mantém logs de conversas para melhoria de modelos, mas oferece um painel centralizado no Microsoft Privacy Dashboard para exclusão de histórico.
Imagem: JR Raphael C
Em outras palavras, o Google não é o único a coletar dados, mas a forma “opt-out” — em que o usuário precisa sair manualmente — costuma gerar desconforto. O caso serve de alerta para ficar de olho nas políticas de cada plataforma e, se possível, preferir hardware que execute IA no dispositivo (como notebooks com CPU Ryzen AI ou smartphones Snapdragon 8 Gen 3), reduzindo a necessidade de tráfego de dados sensíveis para a nuvem.
Vale a pena desligar tudo?
Depende do seu perfil de uso. Manter o histórico ativo ajuda a receber sugestões personalizadas no Google Discover, autocompletar mais inteligente na Busca e resultados locais afinados no Maps. Já quem valoriza sigilo absoluto ou lida com informações confidenciais tem bons motivos para limitar a coleta.
A decisão é inteiramente sua, mas o momento de agir é agora. Reservar 30 segundos para revisar as configurações garante que apenas você — e não um modelo de IA anônimo — defina o destino das suas fotos, vídeos e áudios.
Com informações de Computerworld