A GoPro acaba de acionar o sinal de alerta. Em um formulário 8-K enviado à SEC, órgão que regula o mercado financeiro dos Estados Unidos, a empresa admitiu “dúvidas substanciais” sobre sua capacidade de manter as operações nos próximos meses. O motivo principal? A disparada de até 115 % nos preços dos chips de RAM, vitais para processar e armazenar vídeo de alta resolução em tempo real.
Como a falta de RAM travou a engrenagem da GoPro
Desde 2025, big techs monitoram a corrida por memórias DRAM mais rápidas, impulsionada por data centers de inteligência artificial. Nvidia, Microsoft e Amazon Web Services estão comprando componentes em massa para treinar modelos de IA generativa, esvaziando o estoque de chips destinados a eletrônicos de consumo.
No caso da GoPro, a conta ficou salgada. A companhia calcula uma queda de 26 % na receita em relação ao último trimestre e já enfrenta dificuldades para honrar cerca de US$ 50 milhões em empréstimos junto ao banco Wells Fargo. A pressão financeira resultou no corte de 23 % do quadro de funcionários e na desvalorização de 14 % das ações, que hoje giram perto de US$ 1 na bolsa de Nova York.
O que muda para quem grava com câmeras de ação
Se a GoPro não encontrar novos investidores, dois cenários são prováveis:
- Menos estoque e possíveis reajustes – Modelos como a Hero 12 Black, que depende de DRAM para filmar em 5.3K a 60 fps com estabilização HyperSmooth 6.0, podem ficar mais caros ou sumir das prateleiras.
- Suporte e atualizações de firmware incertas – Sem caixa, a companhia pode priorizar manutenção de servidores e interromper ciclos de atualização, algo crítico para quem usa a câmera em produções profissionais ou streaming ao vivo.
E se a GoPro sair de cena? Veja alternativas
A crise acende o farol para marcas concorrentes que usam componentes semelhantes:
DJI Osmo Action 4 – Grava até 4K/120 fps, traz sensor 1/1.3″ e sistema RockSteady 3.0 de estabilização. O corpo robusto é imune à água até 18 m sem case, superando os 10 m da GoPro.
Insta360 Ace Pro – Equipada com processador de foco Leica e tela articulada, oferece gravação 8K a 24 fps. É uma aposta para criadores que priorizam resolução máxima, embora ainda perca para a Hero 12 em aplicações com muito movimento.
Ainda assim, muitos atletas e produtores permanecem fiéis à GoPro pela vasta oferta de acessórios e pela qualidade do ecossistema de apps, fatores que podem pesar na hora de decidir a compra — principalmente se surgirem promoções agressivas enquanto a empresa busca liquidez.
Imagem: Paulo Higa
Por que a RAM virou o “novo petróleo” do hardware
As mesmas memórias LPDDR usadas nas action cams são derivadas das linhas de produção que agora abastecem GPUs de IA em larga escala. Com margens muito superiores no mercado corporativo, fabricantes como SK Hynix, Samsung e Micron priorizam módulos de alta largura de banda para servidores HBM (High Bandwidth Memory), limitando a oferta para dispositivos de consumo.
O reflexo já aparece em outros segmentos: o Steam Deck viu aumento de custo em 2026, a Sony pausou novas séries de cartões SD, e rumores apontam atraso de até um ano para o PlayStation 6. A GoPro torna-se, portanto, a primeira grande vítima declarada no setor de câmeras de consumo.
Próximos passos: venda ou recuperação judicial?
No documento oficial, a GoPro admite estar “aberta a transações estratégicas”, o que inclui venda parcial, fusão ou aporte externo. Caso não haja acordo, a companhia pode recorrer ao Chapter 11, equivalente norte-americano à recuperação judicial, para reorganizar dívidas e tentar preservar a operação.
Para o usuário final, a recomendação é ficar atento ao ciclo de estoque. Se você precisa de uma câmera robusta neste semestre, avaliar o cenário de preços agora — comparando Hero 12 Black, Osmo Action 4 e Insta360 Ace Pro — pode evitar surpresas caso os valores subam ainda mais com a persistente crise de memória.
Com informações de Tecnoblog