No mar de novidades da Computex 2026, a ASRock conseguiu roubar os holofotes dos gamers para mirar — com precisão cirúrgica — nos profissionais de inteligência artificial. O palco do estande foi ocupado por uma workstation nada modesta: quatro placas Intel Arc Pro B70 Creator, cada uma com 32 GB de GDDR6, totalizando impressionantes 128 GB de VRAM. A configuração, que lembra os velhos tempos de SLI e CrossFire, tem outro objetivo: rodar modelos de IA localmente, sem depender de nuvem.
Por que tanto vídeo em paralelo faz sentido para IA?
Nos games, o multi-GPU morreu porque os estúdios não tinham fôlego para otimizar cada motor gráfico. Já em IA o cenário muda: frameworks como PyTorch, TensorFlow e o popular llama.cpp distribuem automaticamente as camadas do modelo entre várias GPUs. Resultado: escalar memória é simples e, na prática, permite carregar redes neurais muito maiores.
Com 128 GB de VRAM, a máquina da ASRock consegue hospedar modelos de até 120 bilhões de parâmetros em INT8 sem recorrer a quantizações mais agressivas que sacrificam qualidade. Tradução para o profissional de criação: dá para executar localmente um Llama 3-120B, gerar vídeo com IA sem filtros de plataforma e eliminar assinaturas mensais de serviços na nuvem. Tudo num ambiente privado e sob total controle do usuário.
Arc Pro B70 Creator: o que se sabe até agora
A Intel ainda guarda a ficha técnica completa da Arc Pro B70, mas já confirmou alguns pontos-chave:
- 32 GB de GDDR6 por placa, em barramento de 256 bits;
- PCIe 5.0 x16 sem ponte proprietária — não há equivalente ao NVLink da NVIDIA;
- Drivers certificados para aplicativos profissionais, com foco em IA generativa e renderização.
Sem NVLink, as placas trocam dados via PCIe 5.0. O gargalo não afeta tanto a inferência, porque o ganho principal está na capacidade de memória, não na latência por token. Em outras palavras, você não processa cada consulta mais rápido, mas passa a suportar modelos que simplesmente não caberiam em uma única GPU.
Comparativo rápido: como fica frente às soluções NVIDIA e AMD?
Para quem pesquisa estações de trabalho, vale ponderar:
Imagem: William R
- NVIDIA RTX 4090 — 24 GB de VRAM; excelente em FP16/Fp8, mas exige múltiplas placas (e NVLink Bridge) para chegar perto dos 128 GB.
- RTX 6000 Ada — 48 GB; quatro unidades somam 192 GB, porém o investimento salta para a casa dos seis dígitos em reais.
- AMD Instinct MI300X — 192 GB de HBM3 em uma só placa; focada em data centers, demanda infraestrutura diferenciada.
Nesse panorama, o quarteto Arc Pro B70 promete custo por gigabyte de VRAM mais baixo, algo que pode seduzir startups, laboratórios acadêmicos e criadores independentes que precisam de “VRAM de sobra” sem estourar o orçamento.
Quem ganha na prática?
Se você trabalha com fine-tuning de LLMs, geração de vídeo/fotos ou pesquisa em IA, o lançamento sinaliza que 2026 será o ano em que workstations de mesa romperão a barreira dos 100 GB de VRAM com preços menos proibitivos. Ainda que a Arc Pro B70 não chegue imediatamente ao varejo comum, a vitrine da ASRock pressiona o mercado a oferecer placas profissionais (ou mesmo GPUs de consumo) com mais memória dedicida — um diferencial que, indiretamente, também aquece a busca por mouses ergonômicos, teclados mecânicos e monitores ultrawide para acompanhar tanto poder de fogo.
Resta saber quando a Intel detalhará clocks, TDP e, principalmente, o preço. Mas uma coisa é certa: a corrida por VRAM nunca esteve tão acirrada, e quem trabalha com IA local acaba de ganhar mais uma opção interessante para colocar no radar.
Com informações de Hardware.com.br