Enquanto boa parte da indústria acordava assustada com o custo da memória triplicando do dia para a noite, a NVIDIA já tinha tudo garantido no cofre. Em entrevista ao jornalista e autor Tae Kim, a diretora financeira Colette Kress contou que a companhia pré-encomendou grandes lotes de DRAM e HBM anos antes da crise, blindando a produção de GPUs GeForce, RTX profissional e aceleradores de IA até 2026.
“Nós sabíamos que isso iria acontecer”
Segundo Kress, a leitura de mercado feita pela NVIDIA apontava para uma tempestade perfeita: demanda explosiva por IA generativa, notebooks gamers mais potentes e o ciclo de upgrades do PC pós-pandemia competindo pelos mesmos wafers de memória. “Muitas empresas estão sentadas dizendo ‘oh meu Deus, o preço da memória subiu’. Nós sabíamos que isso aconteceria”, provocou a executiva.
Parceiros preferenciais: Samsung, SK Hynix e Micron
A jogada estratégica envolveu fechar contratos de desenvolvimento conjunto com os três gigantes que dominam o setor – Samsung, SK Hynix e Micron. Ao invés de “pegar o que tem na prateleira”, a NVIDIA participa desde o desenho dos chips HBM3E e GDDR7, especificando largura de banda, capacidade e, principalmente, volume garantido a preço pré-acordado. Resultado: enquanto OEMs e até concorrentes diretos lutam por kits cada vez mais caros, a NVIDIA recebe lotes priorizados.
O que isso significa para você que monta ou faz upgrade de PC?
1. Menos risco de escassez nas placas RTX de próxima geração: com memória assegurada, modelos como as futuras “RTX 50” têm maior probabilidade de chegar às prateleiras em quantidade – mesmo que o preço final ainda reflita o novo patamar do mercado.
2. Concorrentes podem encarecer: AMD e Intel dependem dos mesmos fornecedores. Caso não tenham contratos tão robustos, GPUs Radeon e Arc podem sofrer atrasos ou ter margens menores, pressionando o valor final ao consumidor.
3. PCs e notebooks com menos RAM? Fabricantes de notebooks já cogitam cortar 8 GB ou 16 GB dos modelos de entrada para segurar preço. Se você joga títulos pesados ou trabalha com criação de conteúdo, vale ficar de olho nas especificações antes de clicar em “comprar”.
HBM vs DDR: a briga pelo mesmo maquinário
O gargalo não se limita à memória de “altíssima largura de banda” usada em IA. Linhas de produção que antes fabricavam DDR5 estão migrando para HBM, causando efeito dominó também na RAM tradicional do seu desktop. Para o consumidor, isso se traduz em módulos DDR5 mais caros e, às vezes, indisponíveis.
Imagem: William R
Impacto nos jogos e na IA caseira
Memória mais rápida e abundante é peça-chave para habilitar texturas em 4K, Ray Tracing pleno e, no universo da IA, modelos locais que rodam no seu próprio PC. Se a NVIDIA realmente garantir estoque, placas como a RTX 4090 (24 GB GDDR6X) e suas sucessoras deverão manter o nível de desempenho sem cortes de VRAM – um ponto crítico depois das críticas à RTX 4060 Ti 8 GB em 2023.
Visão de longo prazo ou vantagem injusta?
Para analistas de mercado, a atitude da NVIDIA reforça a posição dominante da empresa: quem controla o pipeline de memória, controla a evolução das GPUs. Já fabricantes de PCs acusam a empresa de “abocanhar” capacidade produtiva e deixar o restante do setor em segundo plano. Fato é que, diante da maior alta de preços da década, prever a tempestade garantiu vantagem competitiva.
No final das contas, para o consumidor que busca a melhor performance em jogos ou precisa de aceleração de IA, vale acompanhar de perto o cronograma de lançamento das próximas placas e comparar não só teraflops, mas também quantidade e largura de banda de memória. Afinal, quem tem VRAM sobrando, reina.
Com informações de Hardware.com.br