Gerenciar 85 mil dispositivos — de smartphones de comissários a PCs de back-office — parece missão impossível? Para a Southwest Airlines, a resposta foi colocar a operação em “piloto automático” com inteligência artificial (IA) e automação. A companhia aérea norte-americana diz ter executado mais de 2 bilhões de correções remotas em 2025, economizando 23 mil horas de trabalho e evitando panes que poderiam atrasar voos e irritar passageiros.
Do papel ao digital em tempo recorde
Nos últimos 10 anos, a Southwest trocou manuais impressos e processos em papel por apps na nuvem. Hoje, os 72 mil funcionários — dois terços deles atuando na linha de frente — dependem de 50 mil tablets e smartphones, 20 mil laptops e 15 mil PCs para manter 800 aeronaves Boeing 737 girando sem atraso.
Problema: qualquer travamento no dispositivo de um agente de portão repercute na fila de passageiros e no tempo de giro da aeronave. “Estamos falando de minutos que custam milhares de dólares”, explica Derek Whisenhunt, diretor de computação de usuário final da empresa.
DEX: a “central de saúde” para endpoints
A solução veio do DEX (Digital Employee Experience), plataforma da Nexthink que monitora desempenho de hardware, integridade de aplicativos e até a paciência dos funcionários. Com as métricas em mãos, a Southwest montou dois times dedicados: um de operações e outro de engenharia DEX, somando 26 profissionais.
Graças à automação, ações remotas simples — como limpar o cache que faz o Microsoft Teams travar — viraram rotina. Só em 2024 foram 1,1 bilhão delas, o equivalente a 13 mil horas de gente clicando em “reiniciar”.
Economia real: nada de trocar HD, use scripts
Imagine 8 mil PCs compartilhados por até 20 pessoas cada. Toda vez que alguém faz login, perfis completos do Microsoft 365 enchem o SSD. Resultado: máquinas lentas, upgrade caro à vista. A companhia driblou a despesa de novos HDs de 1 TB simplesmente apagando perfis inativos via automação.
Para quem monta seu próprio PC em casa, o recado é claro: antes de comprar um SSD novo na Amazon, vale conferir se não basta uma limpeza automatizada — ferramentas como CCleaner ou scripts PowerShell cumprem bem esse papel.
Imagem: Matthew Finnegan
De reativo a preventivo com IA generativa
Além de regras IF/AND que encadeiam correções (verificar serviço, reiniciar, reparar), a Southwest adotou o Nexthink Workspace, assistente conversacional baseado em LLM. Ele orienta o time sobre quais alertas priorizar e até dispara correções antes que o usuário perceba o bug.
A próxima etapa é o Nexthink Spark, que coloca esse poder direto na mão do funcionário. O app diagnostica a “tela azul da morte” e sugere a correção, dispensando ligação ao help desk. Para não deixar a IA “solta”, a empresa criou governança rígida: cada automação precisa provar que funciona antes de ganhar escala.
O que isso significa para você?
- Manutenção preventiva: use softwares de monitoramento de saúde (HWMonitor, AIDA64) para prever falhas no seu setup gamer.
- Automatize tarefas repetitivas: scripts para limpar cache do Discord ou reinstalar drivers NVIDIA podem evitar travamentos no meio da ranqueada.
- Integração com help desk: se você atende clientes ou presta suporte, adotar rotinas que abrem tickets automaticamente — via ServiceNow, Jira ou até Zapier — diminui tempo de resposta.
- IA como copiloto: ferramentas como Copilot no Windows 11 ou ChatGPT com plugins podem diagnosticar erros de DLL e sugerir comandos de correção sem você ficar horas no Google.
Empresas gigantes ou setups domésticos: o princípio é o mesmo. Quanto antes o sistema detectar e corrigir um erro, menos tempo (e dinheiro) você perde — e mais tempo sobra para jogar, produzir conteúdo ou simplesmente voar tranquilo, seja em um 737 real ou nas partidas de Microsoft Flight Simulator.
Com informações de Computerworld