A Microsoft acaba de dar um baque no bolso de quem estava de olho na linha Surface. Segundo o site Windows Central, a empresa reajustou em US$ 500 (cerca de R$ 2.700 na cotação de hoje) o preço dos modelos topo de linha do Surface Laptop e do Surface Pro. Com isso, a versão flagship de cada produto passa a custar US$ 1.499, valor que coloca os dispositivos acima dos equivalentes da Apple — como o MacBook Air M3, tabelado em US$ 1.299.
O que está por trás do aumento?
O principal vilão atende pelo nome de escassez global de memória RAM. Desde o fim de 2023, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron enfrentam gargalos de produção, direcionando boa parte dos chips DDR5 para datacenters e servidores de IA — segmentos mais lucrativos do que o mercado de PCs pessoais. O resultado? Custos de fabricação disparam e, inevitavelmente, chegam ao consumidor.
Por que a mudança surpreende?
Além de atingir modelos lançados há poucos meses, o reajuste chega às vésperas de um possível refresh da família Surface. Rumores fortes indicam que novas versões, provavelmente equipadas com processadores Intel Lunar Lake ou Qualcomm Snapdragon X Elite (que prometem desempenho comparável ao Apple Silicon), podem ser reveladas ainda neste semestre. Na prática, o consumidor pagará mais caro por hardware que deve ficar “defasado” em questão de semanas.
Surface agora mais caro que MacBook — e que vários rivais Windows
Com o novo preço, o Surface Laptop topo de linha passa a custar:
- US$ 200 a mais que o MacBook Air M3 (US$ 1.299);
- Cerca de US$ 100 a mais que o Dell XPS 13 Plus (US$ 1.399);
- Quase US$ 300 a mais que o Asus ZenBook 14 OLED (US$ 1.199).
Em desempenho bruto, o Surface continua competitivo, mas perde em relação a autonomia de bateria e gráficos integrados dos chips M-series da Apple. Já no ecossistema Windows, opções com CPUs AMD Ryzen 8040 ou Intel Core Ultra 7 oferecem performance semelhante, muitas vezes com 32 GB de RAM pelo mesmo preço que a Microsoft cobra por 16 GB.
Impacto prático: criadores, gamers e estudantes devem esperar?
Para quem depende de muito multitarefa — edição de vídeo em 4K, compilações de código ou bibliotecas enormes de fotos —, a memória extra sempre faz diferença. Contudo, pagar mais por um modelo prestes a receber sucessor pode não ser o melhor negócio.
Imagem: Mikael Markander
Se o foco é jogos, vale lembrar que a GPU integrada dos Surface atuais (Iris Xe) já sente dificuldade em títulos AAA recentes, enquanto laptops com placas dedicadas RTX 4050 ou Radeon RX 7600S continuam disponíveis na Amazon por valores próximos ao da nova tabela da Microsoft.
Vale a pena comprar agora ou aguardar?
Para quem precisa do laptop imediatamente — por trabalho ou estudo —, considerar modelos concorrentes pode garantir economia e especificações superiores. Já quem pode esperar alguns meses possivelmente verá:
- Lançamento de novas gerações Surface com processadores mais eficientes;
- Queda natural de preço na linha atual quando o estoque precisar girar;
- Normalização — ainda que parcial — do mercado de RAM, reduzindo custos.
Em outras palavras, o reajuste reforça a importância de comparar bem as opções antes de apertar o botão “Finalizar compra”. Alternativas com hardware similar, muitas delas à venda na Amazon, seguem competitivas e, por enquanto, não tiveram alta de preço.
Com informações de Computerworld