Escassez de capacidade na TSMC, pressão política por semicondutores “Made in USA” e a corrida por nós abaixo de 2 nm podem levar a Apple de volta aos braços da Intel — mas desta vez não como cliente de CPUs, e sim de litografia de ponta. De acordo com notas da consultoria financeira GF Holdings Hong Kong (GFHK), citadas pelo analista @jukan05, a companhia de Tim Cook já teria assinado em dezembro de 2025 um contrato que prevê dois chips fabricados na Intel Foundry:
- Apple M7 para MacBooks e iPads, produzido em massa no processo Intel 18A-P (1,8 nm) no fim de 2027;
- Um processador mobile — possivelmente o A21 — usando a litografia Intel 14A (1,4 nm), com produção estimada para 2028.
Por que a Intel virou peça-chave para a Apple
Desde 2015, a Apple depende exclusivamente da TSMC para todos os chips da linha A-Series e M-Series. Só que a explosão da inteligência artificial lotou as linhas de 3 nm e 2 nm da empresa taiwanesa, atendendo gigantes como NVIDIA e AMD. A consequência bateu no bolso do consumidor: produção apertada, prazos esticados e Macs mais caros nas prateleiras.
A diversificação de fornecedores virou tema de segurança de cadeia de suprimentos — e de geopolítica. O governo dos EUA, que injeta bilhões na indústria local via CHIPS Act, teria incentivado pessoalmente a aproximação, segundo o Wall Street Journal. Para a Intel, atrair a Apple é a chancela que faltava para consolidar sua divisão de fundição, hoje em disputa direta com a Samsung e a própria TSMC.
O que muda com o Intel 18A-P no M7?
A evolução “P” (‘Premium’) do 18A promete:
- até 9% mais desempenho na mesma potência;
- 50% melhor dissipação térmica graças a avanços na interconexão PowerVia e na camada RibbonFET;
- densidade de transistores comparável ao TSMC N2, nós que ambas planejam colocar em massa entre 2025-2026.
Na prática, o M7 deve entregar ganhos relevantes em tarefas intensivas — edição de vídeo, compilação de código, IA local — sem sacrificar autonomia. Para quem joga no Mac, o salto térmico ajuda a manter clocks altos por mais tempo; e para criadores de conteúdo, abre a porta para notebooks ainda mais finos sem ventoinhas barulhentas.
Intel 14A: um passo além dos 2 nm do mercado
Já o nó 14A (1,4 nm) chega como resposta direta ao futuro TSMC N2P e ao Samsung SF2. Documentos internos projetam:
- 15-20% de desempenho extra vs. 18A;
- 30% mais densidade de transistores;
- 25% menos consumo.
Se confirmado no silício, o possível A21 fabricado pela Intel teria folga térmica para empurrar GPUs mais potentes e núcleos Neural Engine maiores — ingredientes que colocam o iPhone de 2028 em rota de colisão com concorrentes Android focados em IA generativa on-device.
Imagem: Internet
Estratégia de risco calculado
Começar pelos Macs faz sentido: o volume anual gira entre 15 e 20 milhões de unidades, um teste robusto, mas longe das centenas de milhões de iPhones por ano. Se a Intel superar os desafios típicos de rendimento (“yield”), a Apple ganha confiança para migrar parte da linha mobile sem comprometer lançamentos globais.
Olho na concorrência e no consumidor
Para o usuário avançado, o movimento indica ciclos de upgrade mais interessantes:
- MacBooks com baterias menores (e mais leves) sem perder horas de uso;
- iPhones capazes de rodar modelos de IA localmente, economizando dados e preservando privacidade;
- Possível queda de preço no médio prazo, já que dois fornecedores poderão disputar volumes.
O que ainda pode mudar?
Nem Apple nem Intel comentaram o rumor até agora, e os cronogramas podem escorregar: litografias sub-2 nm demandam novas máquinas EUV High-NA, cujo fornecimento é limitado. Assim, o primeiro lote do M7 “made by Intel” só deve sair das linhas no segundo semestre de 2027 — isso se tudo correr no relógio.
No fim das contas, a parceria joga luz sobre um mercado em plena reconfiguração. Caso se confirme, veremos a antiga rival dos MacBooks se tornar a fundição responsável por parte dos chips mais avançados da Apple. Um sinal claro de que, na era da IA, capacidade fabril passou a valer tanto quanto arquitetura.
Com informações de Mundo Conectado