Um dos grandes motivos que fazem a linha Galaxy S ser referência entre os topos de linha Android sempre foi a qualidade inquestionável de suas telas. Mas esse cenário pode mudar em 2025: fontes da cadeia de suprimentos indicam que a Samsung cogita dividir a produção do Galaxy S27 entre painéis próprios (Samsung Display) e alternativas da fabricante chinesa BOE, de custo mais baixo e histórico técnico instável.
Por que a Samsung pensa em trocar (parte) das telas?
O principal gatilho é financeiro. A “bolha” de IA inflou o preço de chips de memória DRAM e NAND — componentes que, sozinhos, já representam cerca de 35 % do custo de um flagship, segundo estimativas da TrendForce. Para não repassar totalmente essa alta ao consumidor (o Galaxy S26 subiu cerca de 8 % em relação ao S25), a Samsung avalia cortar gastos em outro ponto caro do projeto: a tela.
Quem é a BOE e por que ela gera controvérsia?
A BOE é hoje a maior fornecedora de painéis LCD do mundo e uma das líderes em OLED de baixo custo. Ela já aparece como “plano B” da Apple para alguns lotes de iPhone, mas possui um histórico de:
- Entregas abaixo do volume contratado;
- Variações perceptíveis de cor e brilho entre lotes;
- Dificuldade em manter altas taxas de atualização sem ghosting (marca residual).
Esses pontos fazem com que parte da comunidade tech veja a BOE como solução interessante para aparelhos intermediários — mas arriscada para flagships, onde a exigência de uniformidade é maior.
Qual é a diferença prática para o usuário?
Se o rumor se confirmar, o Galaxy S27 “básico” poderá chegar às lojas em dois sabores:
- Tela Samsung Display: tradicional Super AMOLED, brilho máximo acima de 2 000 nits e possível suporte a 2 160 Hz de PWM, reduzindo fadiga ocular.
- Tela BOE OLED: custo menor e, em testes passados, pico de brilho na casa dos 1 500 nits, além de variações mais perceptíveis de tonalidade sob ângulos extremos.
Para jogos competitivos, menor latência de toque e melhor consistência de cores podem significar a diferença entre uma mira perfeita e um tiro fora do alvo. Para quem consome filmes em HDR, menor brilho prejudica a experiência em ambientes claros.
Dividir o mesmo modelo em duas telas é inédito?
Não. Apple, Google e a própria Samsung já recorreram a múltiplos fornecedores para mitigar gargalos de produção. O problema é quando a discrepância de qualidade se torna visível ao consumidor, gerando troca de unidades em garantia e reclamações em fóruns — foi o que ocorreu com alguns lotes iniciais do iPhone 14 OLED “doméstico” na China.
Estratégia pode ficar restrita ao modelo de entrada
Segundo insiders ouvidos pelo ZDNet Korea, a ideia é limitar os painéis BOE ao Galaxy S27 “padrão”, mantendo as versões Plus e Ultra 100 % com telas Samsung Display. Assim, a sul-coreana pouparia margens sem manchar o halo premium de seus aparelhos mais caros.
Imagem: Internet
Vale esperar ou partir para outro flagship?
Para quem prioriza a melhor tela possível — fotógrafos, amantes de jogos competitivos ou usuários que fazem editing de vídeo no celular — talvez seja prudente aguardar testes independentes antes de comprar o S27 de entrada. Alternativas como o Galaxy S26 Ultra, o iPhone 15 Pro Max (que ainda usa painéis da Samsung e da LG) ou flagships com tela OLED LTPO de 120 Hz podem continuar liderando em fidelidade de imagem.
Por outro lado, se a Samsung realmente conseguir equilibrar custos, o S27 básico poderá chegar ao mercado com preço de lançamento mais agressivo — algo raro em tempos de componentes caros e dólar volátil.
Próximos passos
As negociações entre Samsung e BOE seguem sem contrato assinado. Caso o acordo avance, a produção-piloto dos painéis deve começar no fim de 2024, permitindo que unidades com telas de ambas as marcas sejam enviadas para certificação ainda no primeiro semestre de 2025.
Fique de olho: a confirmação (ou não) desse fornecimento deve aparecer nos vazamentos de logística nos próximos meses — e nós acompanharemos cada detalhe para que você decida, com informação, qual flagship merece o seu dinheiro suado.
Com informações de Mundo Conectado