Se você pesquisou recentemente por “Claude Pro para Windows” no Google, é melhor checar duas vezes o que baixou. Analistas da Sophos X-Ops descobriram um domínio falso — claude-pro[.]com — que clona o visual do chatbot da Anthropic e convence usuários a instalar um arquivo ZIP de 505 MB recheado de código malicioso. O objetivo? Criar uma porta dos fundos (backdoor) no seu computador e dar controle total aos criminosos.
Por que o golpe funciona tão bem?
Em 2024, chatbots como Claude, ChatGPT e Gemini dominam as buscas de quem precisa agilizar tarefas ou estudar. Cibercriminosos perceberam que:
- Usuários tendem a clicar no primeiro link patrocinado do Google sem verificar a URL.
- Assistentes de IA oficiais não exigem instalação local, mas muita gente ainda acredita em “versões desktop mais rápidas”.
- O apelo de um “Claude Pro sem limitações” seduz profissionais que trabalham com grandes documentos ou códigos.
O que acontece após o clique?
Ao executar o instalador Claude-Pro-windows-x64.msi, o usuário libera um script que:
- Aproveita o mecanismo de atualização do antivírus G DATA para passar despercebido.
- Instala um Remote Access Trojan (RAT), entregando acesso irrestrito ao sistema.
- Permite que senhas salvas em navegadores, arquivos pessoais e até carteiras de criptomoedas sejam exfiltrados.
Segundo a Sophos, o servidor que hospedava o site fraudulento estava atrelado a um domínio de consultoria jurídica, indício de uma rede de golpes simultâneos que recicla infraestruturas comprometidas para campanhas diferentes.
Impacto prático: seu hardware vira marionete
Além de roubar dados, um backdoor pode usar a GPU e a CPU do seu PC em botnets de mineração ou ataques DDoS, elevando consumo de energia, aquecimento e desgaste de placas de vídeo — especialmente modelos gamers que costumam ficar ociosos fora das partidas. Em casos extremos, o invasor também desativa o antivírus, impedindo atualizações de drivers e firmwares essenciais.
Como identificar clones de IA e ficar protegido
1. Verifique a URL: Claude roda apenas em claude.ai. Qualquer variação é suspeita.
2. Desconfie de instaladores grandes: chatbots online não exigem download de meio gigabyte.
3. Use extensões de reputação (p.ex. Bitdefender TrafficLight ou WOT) para sinalizar domínios duvidosos.
4. Mantenha o sistema atualizado, incluindo firmware da placa-mãe e drivers de GPU da Nvidia, AMD ou Intel — exploits antigos costumam ter sucesso em versões defasadas.
5. Antivírus confiável: se você trabalha com projetos pesados, considere soluções que não impactem FPS em jogos, como o Bitdefender ou o Norton 360, que oferecem modo gamer.
Imagem: William R
Android também é alvo
A Sophos alerta que fóruns espalham supostos APKs “Claude Mobile” com a mesma tática. Instalar APK fora da Play Store pode abrir brechas que um simples factory reset não corrige, exigindo flashear a ROM — risco para quem depende do celular no dia a dia de trabalho.
O que fazer se você já baixou o arquivo?
• Desconecte-se imediatamente da internet.
• Rode um antivírus offline bootável ou faça o dual boot via pendrive para remover o RAT.
• Altere senhas assim que o sistema estiver limpo, começando por e-mail e banco.
• Considere formatar a máquina se detectar processos persistentes.
O domínio malicioso já saiu do ar, mas a tendência é clara: usar a popularidade de IA generativa como isca continuará sendo a principal porta de entrada de malwares em PCs domésticos. Fique atento e lembre-se: serviços de IA legítimos funcionam direto no navegador; se pedirem instalação pesada, provavelmente é cilada.
Com informações de Hardware.com.br