A Samsung acaba de apertar o acelerador em direção ao futuro da mobilidade. A gigante sul-coreana vai desembolsar US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,34 bilhões) para comprar a divisão de Advanced Driver-Assistance Systems (ADAS) da alemã ZF Friedrichshafen e incorporá-la à Harman, subsidiária adquirida em 2017. O acordo — sujeito à aprovação regulatória — deve ser concluído no segundo semestre de 2026 e inclui a transferência de 3.750 engenheiros e especialistas espalhados por Europa, Américas e Ásia.
Por que essa compra muda o jogo
ADAS é o primeiro passo para a condução totalmente autônoma. Sensores, câmeras, radares e software de fusão de dados trabalham juntos para manter o carro na faixa, ajustar a velocidade e até evitar colisões. Ao colocar a mão nessa tecnologia, a Samsung passa a competir com nomes de peso como Nvidia (Drive), Intel/Mobileye e Qualcomm (Snapdragon Ride).
Para o consumidor, isso significa veículos mais seguros, conectados e inteligentes chegando às ruas nos próximos anos — potencialmente equipados com centrais multimídia JBL ou AKG, marcas já pertencentes à Harman. Na prática, tudo pode ser controlado por voz, gestos ou até pelo seu smartphone Samsung Galaxy, criando um ecossistema coeso da porta de casa até o painel do carro.
Detalhes do acordo
- Valor do negócio: US$ 1,5 bilhão.
- Funcionários integrados: 3.750 especialistas em ADAS.
- Prazo de conclusão: 2º semestre de 2026.
- Ativos transferidos: portfólio completo de sensores, software e propriedade intelectual da ZF.
Como a Samsung pretende integrar a tecnologia
A intenção é fundir os sistemas ADAS aos atuais projetos de cockpit digital e computação centralizada da Harman. Imagine uma única plataforma que gerencia entretenimento, climatização, direção autônoma e atualizações over-the-air — tudo processado por chips Exynos de alto desempenho e alimentado por displays AMOLED dentro do carro.
Estratégia além dos smartphones
Analistas enxergam o movimento como diversificação crucial. As margens em smartphones e semicondutores vêm apertando, e o mercado automotivo será responsável por até US$ 400 bilhões em receitas de software e eletrônica até 2030, segundo a McKinsey. Com a compra, a Samsung coloca o pé nesse bolo e fortalece sua cadeia de chips, displays e memória — áreas onde já lidera globalmente.
Impacto para a ZF e para o setor alemão
A ZF enfrenta ventos contrários na indústria alemã, marcada por eletrificação acelerada e custos de produção altos. A venda gera caixa para reduzir dívidas e focar em transmissões elétricas, onde a empresa já é referência. Paralelamente, a ZF anunciou o corte de 14 mil postos de trabalho na Alemanha, sinalizando reestruturação profunda.
Imagem: William R
Próximos passos: quando veremos resultados?
Se o cronograma for cumprido, os primeiros carros equipados com o “pacote completo” Samsung + Harman + ZF devem aparecer entre 2027 e 2028. Montadoras que já usam áudio JBL ou software Harman — como BMW, Toyota e Hyundai — são candidatas naturais a adotar a plataforma unificada. Para quem acompanha hardware, vale ficar de olho em possíveis anúncios de SoCs automotivos Exynos e em novas telas QLED para painéis de instrumentos.
Com a movimentação, a Samsung deixa claro que não quer ser apenas fornecedora de componentes: ela mira um posto de liderança na arquitetura eletrônica dos carros do futuro, um mercado onde hardware e software — assim como mouses, placas de vídeo e processadores nos PCs — serão decisivos para a experiência do usuário e, claro, para o bolso de quem produz.
Com informações de Hardware.com.br