Quem coleciona consoles clássicos sabe que o maior “chefão” de qualquer Nintendo Entertainment System (NES) não é o Bowser, mas sim o tempo. O plástico ABS do Nintendinho, fabricado em 1985, costuma adquirir um tom amarelo-ocre nada nostálgico. Agora, um usuário do Reddit mostrou passo a passo como devolveu a cor cinza-claro original do aparelho usando apenas água oxigenada de farmácia, lâmpadas UV baratinhas e criatividade com papel-alumínio. O resultado? Um NES aparentemente recém-saído da caixa — e sem custo de laboratório.
Como o processo foi feito
O restaurador dividiu o procedimento em duas etapas simples:
- Limpeza inicial: imersão da carcaça em água morna com detergente neutro, seguida de escovação manual para remover sujeira superficial.
- Banho de luz: as peças foram colocadas num pote plástico forrado com papel-alumínio, imersas em cerca de 1 L de peróxido de hidrogênio (12 %) e expostas a lâmpadas UV por algumas horas. A “câmara” improvisada potencializa a reação química e distribui a luz de forma homogênea.
Fotos divulgadas pelo usuário mostram a carcaça antes, ressecada e manchada, e depois, com um cinza praticamente uniforme, digno da vitrine de 1983 quando o console ainda era exclusivo do mercado japonês.
Por que o plástico do NES fica amarelo?
Quase todos os consoles dos anos 80 e 90 — NES, Super Nintendo, Atari, até microcomputadores como Commodore 64 — usam ABS com retardante de chama à base de bromo. Esse aditivo era obrigatório para evitar que o hardware pegasse fogo, mas paga-se um preço: quando exposto a luz ultravioleta e calor, o bromo reage e migra para a superfície do plástico, gerando a coloração amarelada ou marrom que tanto assombra colecionadores.
Vale a pena tentar em casa?
A técnica popularmente conhecida como retrobright não exige equipamentos industriais, mas alguns cuidados são essenciais:
- Use luvas e óculos de proteção: peróxido de hidrogênio a 12 % é corrosivo.
- Mantenha a eletrônica longe: apenas a carcaça plástica deve ser submersa.
- Monitore a temperatura: calor excessivo pode deformar o ABS.
- Proteja o console após a restauração: capas anti-UV ou acrílicas ajudam a retardar a nova oxidação.
Impacto para colecionadores e gamers nostálgicos
Um gabinete livre de amarelado não é só questão estética. Consoles em bom estado:
- Preservam melhor o valor de revenda em marketplaces de retro-gaming.
- Combinam com acessórios modernos, como adaptadores HDMI e controles turbo, deixando a experiência vintage mais elegante.
- Evitam microfissuras: o plástico ressecado tende a trincar com facilidade.
Para quem prefere soluções plug-and-play, versões modernas como o NES Classic Edition ou clones HDMI disponíveis na Amazon também entregam a nostalgia em tamanho compacto. Ainda assim, nada se compara a segurar o console original com aparência de novo — especialmente quando o mérito da restauração é todo seu.
Imagem: William R
Comparação com outros métodos e consoles
Existem cremes prontos de peróxido com estabilizante UV, usados em teclados de PC antigo e até no plástico “camaleão” do Super Nintendo, que costuma amarelar de forma ainda mais intensa que o NES. O processo, no entanto, é o mesmo: limpar, aplicar peróxido, garantir luz UV constante e aguardar. No caso de gabinetes de PC beige anos 90, a área maior pode exigir uma lâmpada UV mais potente ou “banhos” repetidos.
Seja qual for o console, a dica é testar sempre numa área interna antes, medir o tempo de exposição e, se possível, fotografar cada etapa para acompanhar a evolução — e compartilhar o resultado com a comunidade, claro.
No fim das contas, restaurar o Nintendinho não é apenas devolver cor a um pedaço de plástico; é reacender memórias de tardes intermináveis jogando Super Mario Bros. E convenhamos: nostalgia fica ainda melhor quando em alta definição… de cor.
Com informações de Hardware.com.br