Se a privacidade on-line ainda não era uma prioridade para você, talvez seja hora de repensar. Um relatório da empresa de cibersegurança Digitain colocou o recém-lançado ChatGPT Atlas na ingrata posição de navegador menos seguro do mercado, com 99 pontos em 100 na escala de risco. Na prática, quanto mais perto de 100, maiores as chances de seus cliques, buscas e histórico de compras virarem moeda de troca para anunciantes e agentes mal-intencionados.
O que torna o ChatGPT Atlas tão vulnerável?
A grande falha do Atlas, segundo a Digitain, está na ausência de particionamento de estado. Em outras palavras, o navegador não cria “muralhas” de proteção entre as suas sessões – o que facilita o cross-tracking, técnica usada para seguir o comportamento do usuário de site em site. Para piorar, o navegador da OpenAI também foi reprovado nos testes de anti-fingerprinting e bloqueio de dados, funções básicas em qualquer browser preocupado com segurança em 2024.
Chrome e Edge também ficam devendo
Engana-se quem pensa que o problema é exclusivo de um produto recém-chegado. O estudo destacou o Google Chrome (76 pontos) e o Microsoft Edge (63 pontos) entre os piores colocados. A justificativa? Apesar do alto investimento em correções de bugs, ambos ainda dependem de extensões ou configurações avançadas para oferecer um nível aceitável de bloqueio contra rastreadores e anúncios invasivos.
Ranking completo – do pior ao “menos pior”
Confira como cada navegador se saiu na análise da Digitain (0 = melhor, 100 = pior):
- ChatGPT Atlas: 99
- Google Chrome: 76
- Vivaldi: 76
- Microsoft Edge: 63
- Opera: 58
- Ungoogled Chromium: 55
- Mozilla Firefox: 50
- Apple Safari: 49
- DuckDuckGo: 44
- Tor Browser: 40
IA não é sinônimo de segurança – pelo contrário
Paruyr Harutyunyan, diretor de Marketing Digital da Digitain, foi categórico: “A presença de inteligência artificial não torna um navegador mais seguro – muitas vezes, faz exatamente o oposto.” Ferramentas de IA precisam de um volume enorme de dados para “aprender” e entregar respostas personalizadas. Resultado? Mais pontos de coleta e, potencialmente, mais vazamentos.
Brave e Mullvad: os destaques para quem quer proteção real
O relatório chama atenção para dois navegadores que ficaram fora da parte “vermelha” da lista: Brave e Mullvad Browser. O Brave já é bastante conhecido por bloquear anúncios intrusivos por padrão, além de contar com carteiras de criptomoedas e um modo de “janelas anônimas com Tor” embutido. Já o Mullvad Browser, fruto da colaboração entre a Mullvad VPN e o The Tor Project, chega com código aberto e foco extremamente agressivo em reduzir a pegada digital. Se você usa muitos serviços de nuvem ou trabalha com dados sensíveis, migrar para um desses browsers pode representar uma diferença enorme no dia a dia.
Imagem: William R
Como isso impacta você?
Para quem joga on-line, faz compras na Amazon ou gerencia contas bancárias via PC, cada cookie extra rastreado pode significar anúncios mais caros, ofertas manipuladas e maiores riscos de exposição de cartões de crédito. Até mesmo peças de hardware conectadas – como teclados gamer com RGB e mouses com software proprietário – podem enviar telemetria e cruzar dados com seu navegador. Portanto, combinar um browser focado em privacidade com boas práticas, como autenticação de dois fatores e chaves de segurança físicas, é o caminho mais sólido.
Dicas rápidas para turbinar sua proteção agora
- Ative extensões de bloqueio de rastreadores (uBlock Origin, Privacy Badger).
- Altere o engine de pesquisa padrão para opções menos invasivas, como DuckDuckGo ou Startpage.
- Use VPN confiável ao acessar redes públicas – bons roteadores mesh atuais já vêm com suporte a VPN integrado.
- Mantenha seu sistema operacional, drivers de GPU e firmware de roteador sempre atualizados.
- Considere investir em uma chave de segurança FIDO2, barateadas nos últimos meses na Amazon, para proteger logins críticos.
Com a corrida dos gigantes da tecnologia para integrar IA em tudo — dos processadores Ryzen AI às novas GPUs RTX com núcleos Tensor — a tendência é vermos cada vez mais software coletando dados em segundo plano. Ficar de olho no navegador que você usa é uma defesa básica, mas poderosa, para continuar aproveitando o melhor da tecnologia sem transformar sua vida digital em um livro aberto.
Com informações de Hardware.com.br