Motoristas parceiros da Uber — e qualquer usuário que dependa da Uber Conta para receber pagamentos instantâneos — foram surpreendidos nos últimos dias com saques bloqueados, Pix indisponível e compras no cartão recusadas. O motivo? O banco digital Digio detectou um comportamento anômalo em sua infraestrutura e, como medida de contenção, desligou temporariamente praticamente todos os serviços financeiros.
O que aconteceu com o Digio?
Em nota enviada ao Valor Econômico, o Digio confirmou que identificou “um movimento atípico” que indicava uma possível tentativa de intrusão cibernética. Para evitar danos maiores, a fintech escolheu colocar o ambiente em modo de manutenção, impedindo transações de entrada e saída.
Segundo a companhia, não houve prejuízo nos saldos dos clientes nem vazamento de dados sensíveis, mas a paralisação já dura dias — e a cada hora sem solução, cresce a lista de reclamações em redes sociais e no site Reclame Aqui.
Por que a interrupção afeta quem dirige pela Uber?
O Digio é quem opera a Uber Conta, a carteira digital que permite aos parceiros da plataforma de mobilidade receberem corridas quase em tempo real, sem esperar a transferência bancária semanal (normalmente processada entre terça e quarta-feira).
Com o serviço fora do ar, motoristas relatam:
- Impossibilidade de transferir ganhos via Pix;
- Cartão da Uber Conta recusado em estabelecimentos físicos e virtuais;
- Saldo travado no aplicativo, sem previsão oficial de liberação total.
Quais medidas a Uber tomou?
A Uber afirmou ter sido avisada pelo Digio em 29/4 sobre uma “nova instabilidade técnica”. Desde então, a empresa:
- Pausou os repasses automáticos para evitar inconsistências;
- Zerou as taxas de repasse antecipado ou instantâneo durante o período crítico;
- Alertou parceiros que é possível cadastrar contas de outros bancos para receber pagamentos futuros.
No entanto, quem já tinha saldo preso na Uber Conta segue dependendo da normalização do Digio para movimentar o dinheiro.
Foi um ataque hacker? Entenda o cenário
A fintech não detalhou a natureza do “movimento atípico”, mas especialistas apontam que ações de negação de serviço (DDoS) ou tentativas de acesso não autorizado são as causas mais comuns de desligamentos emergenciais. Em ambos os casos, a prioridade é preservar a integridade dos dados, mesmo que isso signifique congelar operações temporariamente.
Casos semelhantes já provocaram interrupções em grandes bancos digitais como Nubank e C6, reforçando a importância de estratégias de contingência — por exemplo, manter conta secundária para emergências e habilitar cartões virtuais alternativos.
Imagem: Internet
O que fazer para não ficar na mão?
Enquanto o serviço não volta ao normal, especialistas em finanças pessoais sugerem:
- Diversificar contas: tenha pelo menos dois bancos digitais ou tradicionais habilitados para receber repasses.
- Utilizar o saldo da Uber em outra instituição: no app da Uber, entre em “Pagamentos” > “Conta bancária” e cadastre um novo banco para depósitos futuros.
- Monitorar comunicações oficiais: acompanhe o status pelo app Digio e pelos perfis de suporte da Uber para evitar boatos.
- Ativar notificações de segurança: receba alertas imediatos de tentativas de acesso suspeitas ao seu e-mail ou número de telefone.
Quando o Digio deve normalizar?
Até o momento da publicação deste artigo, o Digio não divulgou data ou hora para a completa restauração dos serviços. A empresa limitou-se a informar que “trabalha 24 h por dia para restabelecer as operações de forma segura”.
Enquanto isso, os ganhos de corridas realizadas após as 17h55 de 29/4 estariam disponíveis na carteira da Uber e podem ser enviados para contas externas cadastradas — desde que o Digio conclua a autorização da transferência.
O impacto para o mercado de contas digitais
Incidentes como este colocam em xeque a confiabilidade das carteiras digitais e reforçam a necessidade de auditorias frequentes, sistemas de redundância e protocolos antibreach. Para os usuários, fica a lição: tecnologia traz conveniência, mas segurança exige planejamento.
No curto prazo, a recomendação é planejar despesas fixas (combustível, manutenção do carro, assinatura de apps de navegação) com folga de caixa equivalente a pelo menos uma semana de trabalho — medida que evita sufoco quando um serviço financeiro fica fora do ar.
Com informações de Tecnoblog