A AMD acaba de deixar escapar, sem querer, um dos seus trunfos mais aguardados para placas de vídeo Radeon de próxima geração. Referências encontradas na versão 1.5 do kit de desenvolvimento ADLX (AMD Device Library eXtra), hospedado no repositório GPUOpen, revelam que a empresa está preparando um seletor nativo de multiplicadores para o FSR4 Frame Generation. Em outras palavras, a tecnologia de geração de quadros da AMD – que hoje duplica o FPS – caminha para adotar o chamado Multi-Frame Generation (MFG), permitindo gerar mais de um quadro sintético entre dois quadros reais.
O que muda na prática para quem joga?
Com o MFG habilitado, seu jogo poderá saltar de 60 para 120 FPS (2×), 180 FPS (3×) ou até 360 FPS (6×) – valores teóricos, mas que já se concretizam com o DLSS 4.5 da NVIDIA em GPUs RTX 50. Quanto maior o multiplicador, maior a sensação de suavidade em monitores de 144 Hz, 240 Hz ou 360 Hz, além de reduzir input lag perceptível em títulos competitivos.
As pistas no código: IADLX3DFidelityFXFrameGenUpgradeRatioOption
O nome é grande, mas a função é simples: a nova interface adicionada ao SDK traz métodos GetRatio e SetRatio. Atualmente, o código lista apenas “unknown” e “2x”; porém, o próprio enum foi estruturado para acomodar valores maiores. Se a ideia fosse limitar o FSR4 a 2×, o seletor seria redundante. O recado é claro: a AMD pretende escalar sua solução para bater de frente com as ofertas de NVIDIA (até 6×) e Intel XeSS 3 (até 4×).
Upgrade automático via driver: boa notícia para quem já tem jogos com FSR 3.1
Outro ponto delicioso do vazamento é o “override” embutido no driver Adrenalin. Ele permitirá que títulos que hoje suportam FSR 3.1 sejam migrados – sem patch dos desenvolvedores – para o novo pipeline de IA do FSR4. Na prática, basta atualizar o driver para colher ganhos de fluidez, algo que simplifica (e muito) a adoção em larga escala.
Por que a AMD precisa disso agora?
Em 2026, o palco competitivo ficará mais apertado do que nunca. A NVIDIA, com o DLSS 4.5 e sua família RTX 50, oferece até 6× de geração de quadros. A Intel, por sua vez, evoluiu o XeSS 3 para 4×. O FSR4, hoje limitado a 2×, entrega apenas um terço da capacidade máxima dos rivais – um gargalo que pesa na decisão de compra de quem busca a melhor relação custo-benefício em FPS.
Hardware RDNA 4: o passaporte para os multiplicadores maiores
Embora ferramentas como o Lossless Scaling mostrem que GPUs mais antigas conseguem gerar múltiplos frames de forma não oficial, a expectativa do mercado é de que a AMD restrinja o suporte pleno ao RDNA 4. A futura série Radeon RX 9000 deve chegar equipada com aceleradores de IA dedicados, essenciais para sustentar redes neurais mais complexas sem sacrificar desempenho bruto ou eficiência energética.
Imagem: William R
Computex 2026: o anúncio que pode virar o jogo
Analistas de mercado apontam a Computex, marcada para junho de 2026, como o palco perfeito para a AMD detalhar os multiplicadores 4× ou 6× do FSR4 e, quem sabe, apresentar demos rodando em uma RX 9800 XT ou modelo equivalente. Caso se confirme, o gap de fluidez entre Radeon, GeForce e Arc pode diminuir drasticamente – e o consumidor, claro, ganha uma opção real de upgrade para jogos AAA e e-sports.
O que ficar de olho se você planeja trocar de GPU
- Compatibilidade: verifique se o FSR4 (e seus futuros multiplicadores) exigirá de fato RDNA 4 ou se placas RDNA 3 receberão suporte limitado.
- Monitor: para aproveitar 240 Hz ou 360 Hz, é indispensável ter um display que suporte altas taxas de atualização.
- Processador: mais FPS significa mais chamadas de CPU; modelos Ryzen 7000, Intel Core 14ª geração ou superiores podem evitar gargalos.
Se a AMD entregar os multiplicadores maiores sem comprometer qualidade de imagem, teremos uma disputa direta com NVIDIA e Intel não apenas em preço, mas também em tecnologia – um cenário que coloca o consumidor no centro e deve agitar as listas de GPUs mais desejadas nos próximos meses.
Com informações de Hardware.com.br