Uma canetada da Câmara de Comércio Exterior (Camex) promete chacoalhar o mercado de tecnologia nos próximos meses. O órgão zerou o imposto de importação para cerca de 970 itens ligados a hardware, telecomunicações e bens de capital. A lista vai muito além de smartphones prontos para uso: inclui chips, placas de vídeo, SSDs, mouses, teclados gamers e máquinas industriais que fabricam esses produtos. Na teoria, menos impostos significam preços mais baixos — mas, na prática, a história é um pouco mais complexa.
O que exatamente foi zerado?
O corte de tarifa atinge três grandes grupos de produtos:
- Componentes eletrônicos: GPUs, módulos de memória, SSDs, processadores, displays, sensores e semicondutores em geral.
- Equipamentos de informática: notebooks inacabados (CKD e SKD), servidores, periféricos como mouses e teclados mecânicos, monitores e roteadores Wi-Fi 6/6E.
- Bens de capital e telecom: máquinas CNC, impressoras industriais, equipamentos de rede 5G e robôs utilizados na automação de fábricas.
Segundo o governo, muitos desses itens não têm produção nacional suficiente — ou nenhuma —, o que justificaria a isenção para aumentar a oferta, reduzir custos e aliviar a pressão inflacionária.
Placas de vídeo e SSDs na mira: o que muda para o gamer e o entusiasta de PC?
Se você está de olho em uma GeForce RTX 4060 Ti ou quer turbinar o PC com um SSD NVMe de 2 TB, a notícia cai como um overclock gratuito. Hoje, o imposto de importação para esses componentes varia de 2% a 16%, dependendo da NCM. Com a alíquota zerada, importadores e montadoras locais compram direto dos fabricantes pagando apenas o ICMS e o IPI — e isso pode derrubar o custo de aquisição em até dois dígitos percentuais.
Na prática, o gamer brasileiro ganha fôlego para montar setups mais potentes sem estourar o orçamento, enquanto as próprias marcas disputam quem repassa a redução primeiro. Se a concorrência apertar, veremos placas de vídeo e SSDs baterem mínimas históricas em promoções relâmpago — especialmente em datas quentes como Amazon Prime Day, Black Friday e 11/11.
Por que a queda de impostos não vira desconto instantâneo?
Mesmo com a tarifa zerada, não há nenhuma obrigação legal de repasse imediato ao consumidor. As empresas podem:
- Reduzir o preço de etiqueta para ganhar mercado;
- Manter o preço e aumentar a margem para segurar o caixa;
- Usar o alívio para lançar modelos mais robustos pelo mesmo valor atual.
Além disso, fatores como câmbio, frete internacional, logística interna, ICMS estadual e estratégia de estoque continuam pesando na planilha de custos. Um dólar oscilando acima de R$5,00 pode anular parte do benefício se o repasse não for bem calibrado.
Imagem: Marcela
Comparativo rápido: geração antiga vs. nova política
Em fevereiro, o governo havia aumentado as tarifas de vários eletrônicos, o que encareceu notebooks e smartphones em até 10%. A gritaria foi geral. Agora, a Camex faz um “rollback” parcial:
- Antes: RTX 3060 importada pagava até 11% de imposto de importação.
- Agora: RTX 4060/4070 chegam com tarifa zero, nivelando o campo para modelos mais recentes.
- Efeito colateral: estoques antigos tendem a receber descontos agressivos para não ficarem encalhados.
Quando o consumidor deve sentir diferença?
• Curto prazo (1-3 meses): impacto discreto. Distribuidores precisam girar estoques antigos comprados com imposto cheio.
• Médio prazo (4-9 meses): chegada de lotes já isentos pressiona preços para baixo, principalmente em e-commerce.
• Longo prazo (1 ano): cadeias de produção podem migrar etapas ao Brasil, barateando ainda mais itens com alto volume, como SSDs SATA e gabinetes.
Vale a pena esperar para comprar?
Se o seu PC ou celular dá conta do recado, monitorar preços pode render economia real nos próximos meses. Promoções relâmpago tendem a ficar mais agressivas conforme novos lotes chegarem. Por outro lado, se você precisa do hardware agora — para trabalho, estudos ou aquele FPS competitivo —, a dica continua a mesma: fique de olho em cupons, cashback e ofertas de confiança, já que as lojas podem queimar estoque antigo justamente antes de o novo regime fiscal fazer efeito.
No fim do dia, a redução a zero do imposto de importação cria um cenário inédito de competitividade. Se as fabricantes decidirem usar essa vantagem como arma de mercado, o consumidor brasileiro finalmente verá GPUs, SSDs e smartphones com preços mais próximos dos praticados lá fora — e isso já é motivo para deixar o carrinho de compras preparado.
Com informações de Hardware.com.br