O avanço meteórico da inteligência artificial (IA) não se limita a chatbots que respondem e-mails ou a GPUs que aceleram modelos de linguagem. Ele já alterou, na prática, o comportamento de profissionais em escritórios, fábricas e home offices. Uma pesquisa global da Resume.io, realizada em 2025 com 3.000 trabalhadores, revela que os colaboradores estão adicionando, em média, 2 horas e 24 minutos de trabalho extra por semana — o equivalente a 125 horas anuais — na tentativa de provar que ainda são indispensáveis em um cenário cada vez mais automatizado.
O “teatro da produtividade” virou regra
Entre mensagens respondidas fora do expediente, pausas de almoço que encolheram 55% em apenas um ano e aquela aba do Slack ou Teams permanentemente online, 67% dos entrevistados admitiram praticar o chamado teatro da produtividade. Na prática, isso significa alongar tarefas triviais, reagir instantaneamente a qualquer notificação e aparentar constante disponibilidade — mesmo que a entrega real não acompanhe o ritmo.
Esse comportamento surge, principalmente, do medo de parecer dispensável. Afinal, se um algoritmo consegue gerar um resumo de relatório em segundos ou programar trechos inteiros de código com o apoio de copilots de IA, onde exatamente um ser humano faz diferença? É nesse ponto que os especialistas pedem calma.
Horas extras não garantem estabilidade nem performance
Para o psiquiatra Thiago Genaro, da plataforma de telemedicina Conexa, a lógica é clara: “Trabalhar mais não preserva o emprego; o mercado está trocando o quanto se trabalha pelo como e para quê se trabalha”. Segundo ele, a maratona de horas extras tende a gerar efeito rebote, com desgaste emocional, queda de rendimento e insegurança crônica.
O especialista em tecnologia da RS Systems, Emilio Salcedo, endossa o argumento ao lembrar que a IA muda a métrica. “Quando metas não são revisadas, a automação só acelera o relógio. Se antes uma planilha dava trabalho por horas, agora o mínimo esperado é resolvê-la em minutos”, afirma. Ou seja, a régua de produtividade subiu e a presença física já não é símbolo de entrega.
Do controle de ponto ao impacto: como as empresas estão medindo resultado
Mais da metade dos profissionais ouvidos relatou mudança direta nos critérios de avaliação após a adoção de IA. Para 16% deles, velocidade virou o indicador central; para a maioria, impacto e capacidade de usar ferramentas de inteligência artificial contam mais que o número de horas disponíveis no escritório ou no home office.
Salcedo resume: “A IA já venceu o ser humano no xadrez, mas não vibra com o xeque-mate. Cabe ao funcionário transformar dados crus em insight, criar soluções originais e fazer a ponte entre algoritmos e problemas reais”. Em outras palavras, habilidade analítica e criatividade — ainda inalcançáveis pela máquina — ganharam valor premium.
Os três medos que guiam decisões (e como enfrentá-los)
- Substituição imediata – 34% temem perder o emprego diretamente para a IA.
- Substituição gradual – 30% enxergam uma transição lenta, mas inevitável.
- Meta inatingível – 20% creem que a automação servirá para inflar cobranças.
Além disso, um em cada sete participantes sente que está ficando tecnicamente defasado em relação a colegas mais adaptados às novas ferramentas. Para Genaro, a saída passa por adaptação estratégica: “Desenvolver habilidades alinhadas à IA tornou-se essencial. Entender minimamente como funcionam modelos generativos, identificar etapas automatizáveis e manter visão crítica sobre o próprio fluxo de trabalho já diferencia o profissional”.
Imagem: William R
Upgrade de mindset — e de equipamento também
Nesse front, investir em capacitação digital é tão importante quanto ter o setup certo para acompanhar o novo ritmo. Uma estação de trabalho otimizada com mouses ergonômicos de alta precisão, teclados mecânicos silenciosos e headsets com cancelamento de ruído pode reduzir fadiga, agilizar comandos de atalho e ampliar o foco que a IA ainda não entrega — a concentração humana.
Comparado a gerações antigas de periféricos, os modelos lançados em 2024/25 trazem switches ópticos mais rápidos, sensores de 26.000 DPI e conectividade multi-device, características que conversam com a necessidade de alternar entre dashboards de automação, IDEs de programação e videoconferências sem deslizes. Ou seja, enquanto você desenvolve soft skills, vale garantir que o hardware não seja gargalo.
O que realmente o diferencia de uma IA?
No fim do dia, a inteligência artificial aprende padrões, mas ainda não reproduz contexto humano, empatia ou intuição de mercado. Se o seu relatório ou código pode ser parcialmente gerado por um algoritmo, é a interpretação estratégica dos dados e a visão criativa de solução que se tornam ativos espontâneos — e não um teatro de 125 horas extras por ano.
Em vez de sacrificar o descanso para parecer produtivo, a recomendação de especialistas converge para três pilares:
- Automatizar o trivial – Use IA e macros a seu favor para eliminar repetição.
- Aprimorar o essencial – Foque em análise, storytelling de dados e inovação.
- Preservar saúde mental – Sono, pausas e ergonomia continuam sendo diferenciais de performance sustentada.
Num cenário onde a IA define o “mínimo técnico” aceitável, trabalhar além do expediente pode até mantê-lo visível no curto prazo. Mas, como alerta Genaro, é a capacidade de entregar valor de forma inteligente — e não apenas intensa — que pavimentará carreiras nesta década.
Com informações de Hardware.com.br