Se você acha que a única saída para ver números maiores no contador de frames por segundo é abrir a carteira, a Intel tem boas notícias. A empresa apresentou uma série de cinco ajustes de software e sistema capazes de elevar a taxa de quadros em até 22% em cenários específicos — tudo isso sem instalar uma nova placa de vídeo ou processador.
Por que esse aumento de FPS é possível?
A mágica acontece graças a uma abordagem mais inteligente de como a CPU distribui tarefas no Windows 11. Ao invés de dividir recursos de forma genérica, o sistema passa a priorizar processos críticos do jogo, empurrando atividades secundárias para núcleos menos requisitados. Na prática, isso reduz gargalos de CPU e dá ao motor do game espaço para respirar, aumentando a fluidez nos momentos de maior estresse.
Nos processadores Intel Core de 12ª geração em diante, o Thread Director já classifica as threads (tarefas) entre núcleos de desempenho (P-cores) e de eficiência (E-cores). A novidade, batizada internamente de Intel Application Optimization (APO), ajusta essa lógica em tempo real para títulos compatíveis, direcionando as threads mais pesadas aos P-cores enquanto mantém o sistema operacional e apps em segundo plano nos E-cores.
Onde os 22% aparecem de verdade?
Segundo testes internos da Intel, shooters competitivos como Counter-Strike 2 e Rainbow Six Siege foram os que mais ganharam terreno. Isso porque, nesses títulos, cada milissegundo conta: é o tipo de cenário em que o processador costuma ser o limitador (CPU-bound). Quando o gargalo está na GPU — games cinemáticos, ultrapesados em ray tracing, por exemplo — o ganho cai para a margem de erro.
Seu PC é compatível?
Hoje, o recurso está liberado oficialmente para processadores Intel Core 13ª e 14ª geração das linhas K e KF (ex.: Core i5-13600KF, Core i7-14700K). A Intel promete ampliar a lista, mas, se o seu chip for anterior à 12ª geração, o ganho será mínimo ou inexistente.
Confira o checklist rápido:
Imagem: Marcela
- Windows 11 atualizado (Build 22621 ou superior);
- Processador Intel Core 12ª geração ou mais novo, preferencialmente série K/KF;
- Driver gráfico Intel recente (versão 31.xx ou superior);
- Jogos incluídos na whitelist da APO (a lista cresce a cada update).
Os 5 ajustes que fazem diferença
- Ative o Modo Jogo do Windows 11: ele suspende atualizações e otimiza recursos em segundo plano.
- Desligue overlays e capturas em tempo real (Discord, Steam, GeForce Experience) para liberar ciclos de CPU.
- Configure o plano de energia para “Máximo Desempenho” no Painel de Controle — indispensável em notebooks.
- Mantenha o driver de GPU em dia, seja Intel Arc, NVIDIA ou AMD. As otimizações chegam primeiro por lá.
- Atualize a BIOS: placas-mãe Z690, Z790 e B760 já trazem perfis otimizados para o Thread Director.
Comparando com um upgrade de hardware
Claro, trocar de peça ainda é o caminho mais rápido (e caro) para saltos de desempenho. Um Core i5-13400F, por exemplo, entrega em média 35% mais FPS que um Core i5-9400F em Valorant. A diferença é que, agora, quem já possui um chip moderno pode garantir quase dois dígitos de performance extra apenas atualizando software — sem custo adicional.
Vale a pena apostar?
Se você joga títulos competitivos ou sente o processador no limite, vale ativar cada uma das otimizações acima. O pior que pode acontecer é ganhar estabilidade de frames sem gastar nada. Já para quem roda games pesados em 4K no talo do ray tracing, a GPU continua sendo o fator decisivo — talvez seja hora de considerar uma NVIDIA RTX 4070 SUPER ou AMD Radeon RX 7800 XT.
No fim das contas, a mensagem da Intel é clara: software importa (e muito). Enquanto a próxima geração de processadores não chega, espremer os núcleos que você já tem é a forma mais inteligente — e econômica — de se manter competitivo.
Com informações de Hardware.com.br