Se você estava esperando uma enxurrada de notebooks baratos nos próximos anos, convém ajustar as expectativas. A consultoria IDC revisou novamente — e de forma drástica — sua previsão para o mercado mundial de PCs em 2026. Em vez de recuar modestos 2,4%, como se imaginava em março, o segmento agora deve encolher 11,3% no período. A onda negativa atinge também os tablets, cuja queda projetada passou para 7,6%.
O que mudou no panorama do mercado de PCs?
A nova projeção da IDC é fruto de um “combo” de fatores que parecia pontual em 2023, mas se mostra persistente:
- Escassez de memória e chips específicos, que pressiona cronogramas de produção;
- Custos de componentes em alta — DRAM e NAND, por exemplo, sobem trimestre após trimestre;
- Desafios logísticos ainda presentes na cadeia global, com gargalos que se estendem para 2027.
Vale notar: o relatório foi fechado antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o que pode adicionar mais volatilidade.
Preço médio maior: ameaça ou oportunidade?
Curiosamente, menos unidades não significam menos dinheiro circulando. A IDC prevê leve aumento no valor total movimentado porque fabricantes terão de repassar parte dos custos extras. Em outras palavras, PCs de entrada realmente “baratinhos” tendem a desaparecer. Para o consumidor, isso pode soar negativo, mas abre espaço para configurações mais robustas virarem padrão — algo relevante para quem joga ou trabalha com edição de vídeo.
Impacto direto para gamers e criadores de conteúdo
Se você pensa em trocar de GPU ou processador para rodar Starfield, Cyberpunk 2077 ou acelerar renders, atenção:
- Com menor oferta de máquinas completas, a venda de componentes avulsos pode ganhar tração. Montar um PC por conta própria passa a ser alternativa ainda mais interessante.
- Memórias DDR5 e SSDs NVMe devem seguir em curva de valorização no atacado. Ficar de olho em promoções-relâmpago — especialmente em grandes eventos da Amazon, como Prime Day ou Black Friday — pode render economia substancial.
Tablets em terreno escorregadio
No universo dos tablets, a retração de 7,6% indica saturação nos modelos básicos e um reposicionamento das marcas rumo a versões premium (OLED, chips mais velozes e caneta). Para usos como leitura, entretenimento e estudos, vale comparar preços de gerações anteriores, que costumam receber cortes agressivos perto do lançamento de novas linhas.
Imagem: Viktor Erikss
2027 e além: qual o “novo normal” para PCs?
A IDC fala em normalização apenas a partir de 2027, quando a cadeia de suprimentos deve, enfim, recuperar fôlego. Até lá, tendências como PCs “AI-ready” e GPUs dedicadas a machine learning podem ditar o ritmo de inovação. Quem planeja upgrade deve balancear urgência e orçamento: investir agora em peças-chave (CPU, placa-mãe, fonte) pode evitar pagar mais caro depois, mas quem puder esperar deve monitorar o câmbio e lançamentos de Intel, AMD e NVIDIA.
Em síntese, o mercado encolhe em unidades, mas não em relevância. Entender o timing certo entre necessidade e oferta será decisivo para não pagar mais — nem ficar para trás em desempenho.
Com informações de Computerworld